Hora 3, adulto cremado em pira no abrigo de Hora 1 (monte Hora, norte do Malaui), c. 9500 anos atrás
morreu e foi cremado entre c. 9540 e 9454 cal AP (c. 7590–7500 a.C. em ano astronômico), intervalo de 2 sigma para 8530 ± 30 anos 14C AP (UGAMS-30618), calibrado pelos autores com a curva do hemisfério sul (SHCal20); o ano −7547 é o meio do intervalo, usado só como marca no tempo · África Oriental, África Austral
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Hora 3 é o rótulo que Cerezo-Román, Thompson e colegas deram aos restos de um adulto de pequeno porte, provavelmente uma mulher segundo eles, achados numa grande pira cimentada de cinzas no abrigo de Hora 1, junto ao monte Hora, no norte do Malaui, datada de c. 9500 anos atrás. Em 2026 os autores a descreveram como a cremação intencional mais antiga da África e a pira de adulto mais antiga conhecida no mundo, feita por um grupo de caçadores-coletores. Segundo eles, o corpo foi queimado inteiro, com sinais de remoção de carne dos membros e de remanejamento durante a queima, e o crânio parece ter sido retirado antes.
O abrigo de Hora 1
Segundo Cerezo-Román e colegas (2026), HOR-1 é um abrigo de rocha no distrito de Mzimba, no norte do Malaui, ao pé do monte Hora, um inselberg de granito-gnaisse que se eleva cerca de 110 m sobre o vale do rio Kasitu e serve de marco regional. O abrigo abre para leste, forma um piso plano e seco de cerca de 80 m² e não tem recantos que funcionassem como forno natural. Os autores dizem que o sítio mostra mais de 21.000 anos de ocupação e foi usado para práticas mortuárias entre pelo menos 16.000 e 8.000 anos atrás. Os dois sepultamentos mais antigos intactos, de crianças não queimadas, datam de cerca de 14.000 e 16.000 cal AP. (Cerezo-Román et al. 2026)
A pira e a data
O achado é uma grande feição de cinzas cimentadas, com um núcleo onde estavam os ossos. Vinte datas de radiocarbono, 11 delas novas, dão controle de idade: abaixo do núcleo há sinais de fogueiras anteriores, de c. 12.699 a 9.918 cal AP; o carvão entre os restos humanos data de 9540 a 9454 cal AP. Uma conta de concha de caramujo gigante, logo acima do núcleo, mostra que sedimento sem queima cobriu as cinzas pouco depois, e outro grande fogo, sem restos humanos, ocorreu nos 400 anos seguintes. Para os autores, o núcleo e ao menos um fogo posterior couberam em cerca de 500 anos, dentro do que a memória da comunidade poderia guardar. (Cerezo-Román et al. 2026)
O que os ossos mostram sobre o corpo
Foram achados 170 fragmentos de ossos de adulto, 152 deles no núcleo da pira, todos compatíveis com uma só pessoa, que os autores chamam de Hora 3. Os restos pesam 585 g, bem menos que o esperado de um adulto cremado (mais de 1500 g), e quase todos os elementos identificados são ossos longos de braços e pernas. Eles estimam a pessoa entre 18 e 60 anos, com 145 a 155 cm de altura, com baixa mobilidade em comparação com outros caçadores-coletores do sul da África e certo uso intenso das mãos e dos braços. Oito peças têm marcas de ferramentas de pedra, compatíveis com desarticulação e remoção de carne, e as rachaduras indicam que o corpo ainda tinha umidade ao queimar. (Cerezo-Román et al. 2026)
O ato, segundo os autores
Cerezo-Román e colegas (2026) reconstroem uma sequência: reuniram pelo menos 30 kg de madeira morta e capim, o que exigiu esforço coletivo; um adulto pequeno, provavelmente do sexo feminino, foi queimado com o corpo inteiro, pouco depois da morte, em temperatura acima de 500 °C nos membros; o corpo e a pira foram mexidos durante o fogo, e os presentes continuaram a pôr combustível. Eles apontam ainda um conjunto de pontas e lascas convergentes dentro da pira, que podem ter sido colocadas de propósito como objetos funerários, e a ausência de crânio e dentes, que pode indicar remoção antes da queima. (Cerezo-Román et al. 2026)
Fontes
- Cerezo-Román, Jessica I.; Sawchuk, Elizabeth; Schilt, Flora; Bertacchi, Alex; Buckley, Gina; Chibisa, Edwin; Fahey, B. Patrick; Falchenberg, Sofia Gunilla Hedman; Kaliba, Potiphar; Kennett, Douglas J.; Mercader, Julio; Pargeter, Justin; Stock, Jay; Szymanski, Ryan; Thompson, Jessica C. (2026). "Earliest evidence for intentional cremation of human remains in Africa". Science Advances 12(1): eadz9554. DOI 10.1126/sciadv.adz9554 (resolve em doi.org). Texto obtido via https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC12757068/fullTextXML em 29/10/2026. Acessar
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- Cerâmica de estilo Kansyore no abrigo de Kakapel (oeste do Quênia, bacia do Lago Vitória): os contextos mais antigos, de c. 9300–9000 anos atrás c. 9300–9000 cal AP (c. 7350–7050 a.C. em ano astronômico) para os contextos mais antigos com cerâmica Kansyore; a fase I do abrigo, de pescadores-coletores com cerâmica, vai de c. 9400 a 3900 cal AP. Datas de radiocarbono calibradas pelos autores com a curva do hemisfério sul (ShCal20). O ano −7350 é o início da faixa e vale como marca no tempo
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- Sítio dos Pilares de Lothagam North c. 5.000 a 4.300 anos atrás (Hildebrand et al. 2018)
- Reino de Axum c. séc. I ao séc. VIII d.C., com declínio político no séc. X (UNESCO 15; Hagos 2010)
- Quíloa (Kilwa Kisiwani) ocupada do séc. IX ao XIX; auge nos séc. XIII–XIV (UNESCO)