Atlas da História

Cerco de Jerusalém por Pompeu (63 a.C.): os irmãos Hircano e Aristóbulo, o Templo e a Judeia sob Roma, segundo Josefo e Dião Cássio

63 a.C.: Josefo põe a tomada da cidade na 179ª olimpíada, no consulado de Caio Antônio e Marco Túlio Cícero; a margem da edição Loeb de Dião (Cary) marca B.C. 63 no ano de Cícero e Antônio · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 63 a.C., segundo Josefo, Pompeu, chamado a decidir entre os irmãos Hircano e Aristóbulo, cercou Jerusalém depois que o partido de Aristóbulo fechou os portões e se entrincheirou no Templo, enquanto o partido de Hircano abria a cidade; o Templo caiu depois de um aterro e de máquinas de guerra, e doze mil judeus morreram, na contagem dele. Pompeu entrou no santuário sem tocar no tesouro, devolveu o sumo sacerdócio a Hircano, fez Jerusalém tributária de Roma e levou Aristóbulo e os filhos a Roma. Dião Cássio, que conta o episódio de fora, diz que os defensores foram tomados no sábado porque não se defendiam nesse dia.

Dois irmãos diante de Pompeu, em Damasco

Segundo Josefo, Pompeu chegou a Damasco e recebeu embaixadas da Síria, do Egito e da Judeia; Aristóbulo mandou uma videira de ouro de quinhentos talentos, que o geógrafo Estrabão, citado por Josefo, diz ter visto em Roma, no templo de Júpiter Capitolino, com a inscrição 'Dom de Alexandre, rei dos judeus'. Antípatro falou por Hircano e Nicodemo por Aristóbulo; Hircano acusou o irmão de tomar à força a parte do reino que lhe cabia e de incursões e piratarias nas terras vizinhas, e Aristóbulo respondeu que Hircano era inativo e desprezível. Pompeu ouviu os dois, tratou Aristóbulo com cortesia para não perder a nação e disse que decidiria depois de olhar as coisas dos nabateus. Aristóbulo, sem esperar, foi para a Judeia. (Josefo)

Alexandrion, Jericó e a cidade dividida

Irritado, Pompeu levou o exército que marchava contra os nabateus e subiu até Alexandrion, onde Aristóbulo se refugiara; este desceu e subiu duas ou três vezes, fingindo obedecer, e por fim, ao ser mandado entregar as fortalezas, voltou furioso a Jerusalém. Durante a marcha chegou a notícia de que Mitrídates fora morto por seu filho Farnaces. Em Jericó, Aristóbulo ofereceu dinheiro e abriu Jerusalém; Gabínio foi buscar o pagamento e foi barrado por soldados do rei, e Pompeu mandou prendê-lo. Dentro da cidade, uns queriam entregá-la e outros, do partido de Aristóbulo, fechar os portões. Estes ocuparam o Templo e cortaram a ponte; os outros admitiram o exército e entregaram a cidade e o palácio. Dião diz o mesmo: a maior parte da cidade foi tomada sem trabalho porque o partido de Hircano recebeu Pompeu, e o Templo, ocupado pelo outro lado, custou esforço. (Josefo; Dião Cássio. Roman History)

O aterro, o sábado e a queda do Templo

Segundo Josefo, Pompeu cercou o Templo por um muro, com a ajuda de Hircano, ergueu um aterro dia a dia e trouxe máquinas e aríetes de Tiro; sem o repouso do sábado, diz ele, o aterro nunca teria sido terminado, pois a lei permite defender-se de quem ataca mas não permite outra atividade nesse dia. Dião dá a mesma observação como uma fraqueza dos defensores. Josefo conta que os sacerdotes não deixaram os sacrifícios, mesmo quando as pedras atiradas caíam, e foram degolados nos altares. Uma torre caiu; Cornélio Fausto, filho de Sula, subiu primeiro na muralha. Doze mil judeus morreram, na conta dele, uns pelos romanos, outros uns pelos outros, outros jogando-se dos precipícios ou queimando as próprias casas; poucos romanos caíram. (Josefo; Dião Cássio. Roman History)

O santuário, o tesouro e o que Pompeu fez da Judeia

Pompeu e os seus entraram no santuário, onde só os sumos sacerdotes podiam estar, e viram a mesa de ouro, o candelabro, as bacias e dois mil talentos de dinheiro sagrado, a que, diz Josefo, não tocou por respeito à religião. No dia seguinte mandou limpar o Templo, restaurou os ritos e devolveu o sumo sacerdócio a Hircano, que o ajudara. Fez Jerusalém tributária, tirou das mãos judaicas as cidades da Cele-Síria que haviam tomado e as entregou ao governador romano, reconstruiu Gadara para um liberto seu e deixou livres cidades costeiras como Gaza, Jope e a Torre de Estratão. Para Josefo, a ruína veio da briga dos irmãos; os romanos, em pouco tempo, exigiram mais de dez mil talentos, e a autoridade real passou a particulares. Pompeu levou Aristóbulo a Roma, com o filho Antígono e as filhas; o outro filho fugiu. (Josefo)

O fio nabateu: Escauro e Aretas

Josefo registra que Pompeu marchava contra os nabateus quando decidiu voltar-se contra Aristóbulo, e que, depois do cerco, deixou a Cele-Síria com Escauro e duas legiões. Escauro marchou contra Petra, queimou os lugares vizinhos e, com o exército faminto, recebeu trigo da Judeia por Antípatro, a pedido de Hircano. Antípatro, que fora hóspede do rei Aretas, persuadiu-o a pagar trezentos talentos para livrar o país do fogo, e se fez fiador; com isso Escauro suspendeu a guerra, o que Josefo diz ter sido tão desejo de Escauro quanto de Aretas. Dião diz que Pompeu, antes da Palestina, marchou contra Aretas e seus vizinhos e os venceu sem esforço, deixando guarnição. (Josefo; Dião Cássio. Roman History)

Fontes

  1. Josefo, Flávio. The Antiquities of the Jews, livro XIV, caps. 1 a 5, tradução de William Whiston, em en.wikisource.org/wiki/The_Antiquities_of_the_Jews/Book_XIV. Lido em 31/10/2026 no texto bruto da página (API de leitura da Wikisource). Os números entre parênteses são notas do tradutor, que não foram lidas.
  2. Dião Cássio. Roman History, vol. III (livros 36-40), tradução de Earnest Cary a partir da versão de Herbert Baldwin Foster, Loeb Classical Library, Londres: Heinemann, 1914, livro XXXVII, caps. 15 a 17, em archive.org/details/dios-roman-history.-vol.-3-loeb-53. Lido em 31/10/2026 no texto bruto (OCR); o B.C. das margens é do editor.

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