Batalha de Carras (53 a.C.): a derrota de Crasso diante dos partas na Mesopotâmia, segundo Plutarco e Dião Cássio
53 a.C.: a margem da edição Loeb de Dião Cássio (Cary) marca B.C. 53 nas páginas da batalha e B.C. 54 na da invasão da Mesopotâmia; Dião põe o inverno anterior no ano dos cônsules Domício Calvino e Valério Messala · Mesopotâmia e Levante, Anatólia e Cáucaso
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Em 53 a.C., segundo Plutarco e Dião Cássio, o exército romano de Crasso, que invadira a Mesopotâmia sem decreto de guerra contra os partas, foi atraído para uma planície de areia por um guia árabe (Ariamnes em Plutarco, Abgaro em Dião). Ali Surena, general do rei parta Orodes, o cercou com arqueiros a cavalo e cavalaria pesada, matou o filho de Crasso e, depois de uma falsa proposta de trégua, o próprio Crasso. Os partas chegam ao leitor só pela pena de gregos e romanos; o rei armênio Artavasdes aparece como aliado hesitante e depois como anfitrião da cabeça de Crasso.
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De Roma ao Eufrates, sem decreto de guerra
Segundo Plutarco, o decreto que deu a Crasso o comando não o mandava atacar os partas, mas ele desejava a guerra e César, da Gália, o animava por carta. O tribuno Ateio quis detê-lo. Crasso embarcou em Brundísio com mar bravo e perdeu muitos navios, passou pela Galácia, onde o velho rei Dejótaro construía uma cidade nova ('começais a construir na décima segunda hora', zombou Crasso), e atravessou o Eufrates por uma ponte, ocupando cidades da Mesopotâmia. Numa delas, governada pelo tirano Apolônio, cem soldados foram mortos; Crasso a tomou, saqueou e vendeu os habitantes, e deixou guarnições de sete mil infantes e mil cavaleiros antes de invernar na Síria. A margem de Cary põe essa invasão em 54 a.C. (Plutarco. Life of Crassus 1859; Dião Cássio. Roman History)
O aviso de Orodes e a Armênia
Plutarco conta que embaixadores do rei parta disseram a Crasso que, se a expedição era particular, o rei teria pena da senilidade dele. Crasso respondeu que daria a resposta em Selêucia, e Vagises, o mais velho dos enviados, mostrou-lhe a palma da mão e disse que antes ali nasceriam pelos; Dião dá a fala, com a palma da mão esquerda, no mesmo sentido. Artabazes (Artavasdes), rei da Armênia, veio com seis mil cavaleiros, prometeu dez mil couraceiros e trinta mil infantes e aconselhou a entrada pela Armênia, onde as montanhas travariam a cavalaria; Crasso agradeceu friamente. Segundo Dião, Orodes pensava em invadir a Armênia que fora de Tigranes, para que Artavasdes não enviasse ajuda a Roma. (Plutarco. Life of Crassus 1859; Dião Cássio. Roman History)
O guia e a planície de areia
Plutarco conta que o chefe árabe Ariamnes, que alguns soldados de Pompeu reconheciam como amigo de Roma, foi subornado pelos generais do rei e convenceu Crasso a deixar o rio e as colinas por uma planície de areia sem árvore nem água, onde a cavalaria poderia cercá-lo. Para Plutarco, Orodes dividira as forças: devastava a Armênia e mandara Surena, o segundo homem do reino em riqueza e linhagem, contra os romanos. Dião põe Abgaro no mesmo papel, diz que ele dissuadiu Crasso de seguir o Eufrates e o levou a atacar Surena, e acrescenta que Abgaro simulava amizade enquanto passava os planos aos partas. (Plutarco. Life of Crassus 1859; Dião Cássio. Roman History)
O combate, a trégua falsa e a morte de Crasso
Dião conta que o filho de Crasso, perseguindo uma falsa fuga, foi atraído para longe do exército e morto. A infantaria, cercada, não achou saída entre as lanças dos couraceiros e as flechas, em pleno verão, ao meio-dia, com calor, sede e poeira; a noite chegou, e os partas, que não acampam perto do inimigo, recuaram. Plutarco acrescenta os camelos carregados de flechas e a cabeça de Públio levada numa lança. Os romanos fugiram a Carras: Cássio voltou à Síria com quinhentos cavaleiros, e Otávio levou cinco mil homens às montanhas de Sinaca. Surena propôs trégua e conferência; no tumulto Crasso morreu, por Pomaxatres segundo alguns (Plutarco), ou por um dos seus, ou pelo inimigo (Dião). Plutarco diz que 'em geral' se conta vinte mil mortos e dez mil prisioneiros. (Plutarco. Life of Crassus 1859; Dião Cássio. Roman History)
Fontes
- Plutarco. Life of Crassus, em Plutarch's Lives, tradução chamada 'de Dryden', revista por Arthur Hugh Clough (1859), em en.wikisource.org/wiki/Plutarch%27s_Lives_(Clough)/Crassus. Lido em 31/10/2026, no texto bruto da página.
- Dião Cássio. Roman History, vol. III (livros 36-40), tradução de Earnest Cary a partir da versão de Herbert Baldwin Foster, Loeb Classical Library, Londres: Heinemann, 1914, livro XL, caps. 12 a 27, em archive.org/details/dios-roman-history.-vol.-3-loeb-53. Lido em 31/10/2026 no texto bruto (OCR); o B.C. das margens é do editor.
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