Atlas da História

Concreto hidráulico do porto de Sebastos, em Cesareia Marítima (c. 23–10 a.C.): pozolana do golfo de Nápoles lançada no mar em fôrmas de madeira

cerca de 23 a 10/9 a.C. segundo a página da equipe ROMACONS; o rascunho do artigo da mesma equipe fala em c. 23–15 a.C.; Josefo diz que a cidade ficou pronta em doze anos · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Entre cerca de 23 e 10 a.C., construtores a serviço do rei Herodes da Judeia ergueram em Cesareia o porto de Sebastos, em costa de areia sem abrigo natural. Segundo a equipe ROMACONS, os molhes foram feitos de blocos de concreto hidráulico de cal e pozolana (cinza vulcânica), que endurecia debaixo d'água dentro de fôrmas de madeira, e as análises indicam que a pozolana veio da região de Pozzuoli, no golfo de Nápoles. Josefo descreve a obra como maior que o Pireu e diz que a cidade ficou pronta em doze anos.

Uma costa sem porto

Josefo conta que a faixa de costa entre Dora e Jope não tinha bom ancoradouro, e que quem navegava da Fenícia para o Egito tinha de ficar no mar bravo, com os ventos do sul. Herodes reconstruiu em pedra branca a antiga Torre de Estratão e, nas palavras da tradução de Whiston, "venceu a natureza" com um porto maior que o Pireu, de Atenas. A equipe ROMACONS acrescenta o ponto de vista da engenharia: o sítio era uma praia de areia sem acidentes naturais, exposta à maior extensão de mar aberto do Mediterrâneo e varrida por corrente que leva areia de sul para norte, e foi escolhido sobretudo por razões políticas, não porque a natureza favorecesse o porto. (Josephus; Josephus; Oleson)

O molhe segundo Josefo

Segundo a Guerra, Herodes mandou descer pedras até vinte braças de profundidade, a maioria com cinquenta pés de comprimento, nove de altura e dez de largura, e algumas maiores. Sobre esse alicerce ergueu um molhe de duzentos pés de largura: cem pés recebiam construções para quebrar a força das ondas (a "Procumatia") e o resto era um muro com torres, a maior chamada Drusium. Havia arcadas para os marinheiros, um cais ao redor e a entrada pelo norte, onde o vento era mais brando. Em frente, num alto, ficava o templo de César. As Antiguidades repetem o essencial, dão largura mínima de dezoito pés e dizem que a cidade foi acabada em doze anos. (Josephus; Josephus)

Três modos de lançar o concreto

O que Josefo não conta é do que eram feitos os blocos. A equipe ROMACONS explica que o concreto hidráulico romano era uma argamassa de cal, pozolana (cinza vulcânica rica em aluminossilicatos) e água, com entulho de pedra, que endurecia mesmo submerso e podia ser vazado em fôrmas de madeira. Em Cesareia as escavações submarinas acharam ao menos três métodos: caixas de pranchas cravadas no fundo, no modo que Vitrúvio descreve (por volta de 25 a.C.); uma caixa de parede dupla, de cerca de 11 por 15 por 4 metros, montada em terra e rebocada até o lugar, afundada ao ser enchida de argamassa entre as paredes e só então preenchida de concreto; e barcaças de pranchas encaixadas por mortesa e espiga, parcialmente cheias em águas rasas, rebocadas e completadas até afundar. (Oleson)

O que as amostras mostram

Em outubro de 2005 a equipe extraiu cinco testemunhos de blocos submersos, a mergulho. Neles, o agregado graúdo é de kurkar, arenito local cimentado por carbonato, enquanto a pozolana, segundo a análise preliminar, foi importada da região de Pozzuoli. A página de apresentação do projeto resume: o tufo e a pozolana de uma amostra do molhe norte vieram do golfo de Nápoles, o que implica carga a granel levada por navios mercantes a cerca de 1.200 milhas. Os testemunhos de Cesareia mostram grumos de cal sem misturar e muitos vazios pequenos, e as duas amostras testadas até o rascunho tinham menos da metade da resistência de uma amostra italiana. Os autores sugerem causas (mar aberto, mistura a bordo, mão de obra menos acostumada, água mais quente) sem concluir. (Oleson; Oleson)

Fontes

  1. Oleson, John P.; Hohlfelder, Robert L.; Brandon, Chris (equipe ROMACONS; o texto lido diz que "two of the authors" são Hohlfelder e Oleson). "Constructing the Harbour of Caesarea Palaestinae [on the Sea]: New Evidence from the ROMACONS Field Campaign of October 2005" (versão um pouco diferente publicada em International Journal of Nautical Archaeology 36.2, 2007, 409-15). https://web.uvic.ca/~jpoleson/ROMACONS/Caesarea2005.htm . Texto bruto lido em 31/10/2026; a versão publicada não foi lida. Acessar
  2. Oleson, John P. "The Roman Maritime Concrete Study (ROMACONS)" ("Second draft"). https://web.uvic.ca/~jpoleson/Harbour%20Concrete/HarbourConcrete.html . Texto bruto lido em 31/10/2026; sem data de publicação na página. Acessar
  3. Josephus, Flavius. The War of the Jews, livro I (cap. 21, sobre Cesareia e o porto). Trad. William Whiston. Wikisource, https://en.wikisource.org/wiki/The_War_of_the_Jews/Book_I . Texto bruto lido em 31/10/2026; o grego não foi lido. Acessar
  4. Josephus, Flavius. The Antiquities of the Jews, livro XV (cap. 9, sobre a construção de Cesareia). Trad. William Whiston. Wikisource, https://en.wikisource.org/wiki/The_Antiquities_of_the_Jews/Book_XV . Texto bruto lido em 31/10/2026; o grego não foi lido. Acessar

Na mesma região