Invasão de Ptolomeu III na Babilônia (246–245 a.C.): o que conta a crônica babilônica BCHP 11
Do fim de 246 a.C. (mês IX do ano 66 da Era Selêucida) a pelo menos o início de 245 a.C. (meses X e XI), segundo Van der Spek; o número do ano se perdeu na tábua e é inferência dele · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo a crônica cuneiforme BCHP 11, um exército do rei do Egito, Ptolomeu III, chegou a Selêucia, sobre o Eufrates e o Canal Real, no fim de 246 a.C. e levou máquinas de cerco até a Babilônia, na guerra que se seguiu à morte do selêucida Antíoco II. O escriba babilônico chama os invasores de tropas "hanaeanas", "que não temiam os deuses", e o texto se interrompe com o palácio ainda sem ser tomado. Já a inscrição ptolomaica de Adulis, citada por Van der Spek, diz que o rei submeteu a Mesopotâmia, a Babilônia e o resto das terras até a Báctria.
A sucessão disputada de 246 a.C.
Segundo Van der Spek, pouco antes de morrer, no verão de 246 a.C., Antíoco II repudiou Berenice, filha do rei egípcio Ptolomeu II (morto em 28 de janeiro daquele ano), e voltou à primeira esposa, Laodice, mãe de Seleuco e de Antíoco Hierax. Laodice ficava em Éfeso e Berenice em Antioquia. A notícia da morte do rei chegou à Babilônia em 19 de agosto de 246 a.C. e Seleuco II foi logo aceito como rei. Em Antioquia, diz o comentário, a maioria parece ter apoiado Berenice; o novo rei egípcio, Ptolomeu III, atacou em setembro para socorrer a irmã, segundo uma obra que Van der Spek cita como Hauben 1990. (Van der Spek e página criada em 2004 2020)
Os meses IX a XI na Babilônia
No mês IX (26 de novembro a 25 de dezembro de 246 a.C.), a crônica diz que Ptolomeu chegou a Selêucia, a cidade real sobre o Eufrates, e que o guardião-chefe se fechou no palácio. No mês X, em 9 de janeiro de 245 a.C., tropas "hanaeanas" levaram equipamento e muitas máquinas de cerco de Selêucia à Babilônia; em 13 de janeiro atacaram a cidadela de Bêlet-Ninua; em 18 de janeiro chegou um "príncipe ilustre", representante do rei vindo do Egito, que Van der Spek supõe ser Xantipo, e em 20 de janeiro ele entrou em Esagila, o templo de Marduk. A tábua, muito danificada, parece registrar então oferendas "à maneira grega" em Esagila. No mês XI os ataques ao palácio continuam, o epístates de Selêucia, de nome Seleuco, chega à Babilônia e suas tropas são derrotadas. (Van der Spek e página criada em 2004 2020)
O que a crônica não diz
A tábua se interrompe em combates, sem dizer se o palácio caiu nem como a campanha acabou; o fim vem de fontes clássicas, que apontam uma sedição no Egito. A crônica também não dá números de mortos. A BCHP 10, outra crônica do mesmo conjunto, guarda uma notícia seca que Van der Spek situa no ano 66 da Era Selêucida: o cronista ouviu que Seleuco, filho de Antíoco, estava numa cidade que ele lê como Sitaquê, "cidade renomada", e subiu ao trono. Van der Spek nota o contraste entre essa linha e um ano tão cheio de acontecimentos; o número do ano está restaurado e a leitura do nome da cidade é duvidosa. (Van der Spek e página criada em 2004 2020; Van der Spek)
Fontes
- Van der Spek, Bert (autor indicado na ficha da página). "BCHP 11 (Invasion of Ptolemy III Chronicle)". Livius.org, Articles on ancient history, seção Mesopotamian Chronicles; página criada em 2004, última modificação em 4 de outubro de 2020. Tradução e comentário que antecedem a edição de Finkel, Van der Spek e Pirngruber (2020). https://www.livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/bchp-11-invasion-of-ptolemy-iii-chronicle/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
- Van der Spek, Bert (autor indicado na ficha da página). "BCHP 10 (Seleucid Accessions Chronicle)". Livius.org, Articles on ancient history, seção Mesopotamian Chronicles; página criada em 2004, última modificação em 2020. https://www.livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/bchp-10-seleucid-accessions-chronicle/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Cilindro de Antíoco I de Borsipa (268 a.C.): um rei macedônio fala em acadiano como rei da Babilônia 20 de adaru do ano 43 da Era Selêucida = 27 de março de 268 a.C., data da pedra fundamental de Ezida, segundo a nota de Van der Spek ao texto
- Selêucia do Tigre (c. 300 a.C.): a fundação e a transferência dos macedônios de Babilônia, segundo a crônica BCHP 5 Fundação c. 305–300 a.C. (o Wikidata dá as duas datas); a transferência dos macedônios, em ano perdido na tábua, é anterior a 281 a.C., porque a crônica fala de Antíoco como príncipe herdeiro
- Erasístrato: o médico da corte de Seleuco I que leu o amor de Antíoco no corpo do rapaz c. 305 – c. 250 a.C. (Wikidata, que dá dois valores para cada data); uma nota de Bostock e Riley a Plínio diz que ele floresceu por volta do ano 450 de Roma (c. 304 a.C.)
- Estratonice: filha de Demétrio, rainha de Seleuco I e depois de Antíoco I c. 318 – c. 268 a.C. (Wikidata); Plutarco e Apiano não dão datas de nascimento, de casamento ou de morte
- Beroso: sacerdote do Esagila, de Babilônia, que escreveu em grego a história de sua terra nascido no reinado de Alexandre Magno (segundo Tatiano, citado por Livius); šatammu do Esagila entre 258 e 253 a.C.; morte sem data nos textos lidos. O fim do registro é o último ano documentado, não a morte
- Cerco de Jerusalém por Pompeu (63 a.C.): os irmãos Hircano e Aristóbulo, o Templo e a Judeia sob Roma, segundo Josefo e Dião Cássio 63 a.C.: Josefo põe a tomada da cidade na 179ª olimpíada, no consulado de Caio Antônio e Marco Túlio Cícero; a margem da edição Loeb de Dião (Cary) marca B.C. 63 no ano de Cícero e Antônio