A chegada dos ancestrais maori a Aotearoa nas tradições das waka
tradição oral fixada por escrito; edição lida: Smith, 3ª ed., 1910 · Pacífico
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
As tradições maori de canoas (waka) contam que os ancestrais vieram de Hawaiki por mar, primeiro com navegadores como Kupe e depois em várias canoas. Smith as registrou e calculou 1350 para a chegada; a datação por radiocarbono de Wilmshurst e colegas aponta cerca de 1230–1282.
Como Smith reuniu e datou as tradições
Smith escreve que o livro se apoia em tradições maori e, sobretudo, nas de Rarotonga, das quais obteve uma cópia escrita em 1897. Para datar a grande migração, calculou a média de mais de 50 tabelas genealógicas que remontam aos tripulantes da frota, e chegou a 21 a 22 gerações antes de 1900, ou 1350. Ele reconhece que antes disso houve viagens isoladas, sob Tu-moana, Paoa, Kupe e Ngahue, e que a data de Kupe é incerta; também duvida que o Kupe que explorou as costas seja o mesmo que orientou Turi. (Smith 1910)
A cronologia por radiocarbono
A meta-análise de Wilmshurst, Hunt, Lipo e Anderson usou apenas datas de amostras de vida curta e alta confiabilidade, e mostrou que a colonização da Polinésia oriental ocorreu em duas fases: Ilhas da Sociedade por volta de 1025–1120 e, depois de 70 a 265 anos, um grande pulso a todas as demais ilhas, por volta de 1190–1290. Para Aotearoa, o intervalo estimado é cerca de 1230–1282, confirmando uma cronologia curta já proposta, com um conjunto maior de datas confiáveis. (Wilmshurst et al. 2011)
O que a evidência externa não alcança
As datas de radiocarbono dizem quando as ilhas foram ocupadas, mas não identificam Kupe, as canoas nomeadas nem a ideia de uma frota única. O próprio Smith apresenta esse conjunto como reconstrução a partir de genealogias de diferentes povos (iwi), e admite dúvidas sobre algumas figuras. A diferença entre sua data de 1350 e o intervalo do radiocarbono mostra que a cronologia genealógica por gerações e a arqueológica não coincidem, o que cabe ao leitor ver sem tratar uma como julgamento da outra. (Smith 1910; Wilmshurst et al. 2011)
Como o kōrero é lido hoje
McIvor, Roa e Waitoki examinam a relação entre tradição oral indígena e arqueologia em Aotearoa. Descrevem como os registros escritos por etnólogos amadores no fim do século XIX e início do XX deram forma a tradições romantizadas da sociedade polinésia antiga, e como arqueólogos tentaram validar o kōrero com métodos ocidentais, com êxito limitado. Estudiosos maori propõem hoje ler o kōrero pelos métodos da Kaupapa Māori e por sua função e valor histórico, em vez de testá-lo apenas contra a escavação. (McIvor et al. 2024)
Fontes
- Smith, S. P. (1910). Hawaiki: The Original Home of the Maori; with a Sketch of Polynesian History. 3ª ed. Whitcombe & Tombs. Texto integral em archive.org, identificador originalh00smithawaikirich.
- Wilmshurst, J. M.; Hunt, T. L.; Lipo, C. P.; Anderson, A. J. (2011). "High-precision radiocarbon dating shows recent and rapid initial human colonization of East Polynesia". Proceedings of the National Academy of Sciences 108(5): 1815–1820. DOI 10.1073/pnas.1015876108. Acessar
- McIvor, I. H.; Roa, T.; Waitoki, W. (2024). "Kia kōrerorero tonu ai: a review of the dialogue at the interface of Indigenous oral tradition and archaeology in Aotearoa New Zealand and Oceania". Archaeology in Oceania. DOI 10.1002/arco.5338. Acessar
Na mesma região
- Petição pelo voto feminino de 1893 (Nova Zelândia) 1893
- Operação Crossroads (testes nucleares em Bikini) 1º a 25 jul. 1946
- Tratado de Waitangi / Te Tiriti o Waitangi 1840
- Reino do Havaí (Aupuni Mōʻī o Hawaiʻi) 1795 (ou 1810) a 1893
- Guerras espanhol-chamorro (Marianas, 1668–1698) 1668–1698 (Montón-Subías 2019); o Wikidata dá 1670–1699
- Schouten e Le Maire nas ilhas do norte de Tonga (1616) e as três linhagens reais, segundo ʻIlaiu 1616 (ʻIlaiu 2007); a criação do Tu'i Kanokupolu é c. 1550 e a briga entre linhagens c. 1640, segundo o mesmo autor