Petição pelo voto feminino de 1893 (Nova Zelândia)
1893 · Pacífico
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Rolo de 546 folhas coladas, com 274 m, apresentado à Câmara dos Representantes da Nova Zelândia em 1893, que levou à aprovação da lei eleitoral no mesmo ano. As mulheres votaram pela primeira vez em 28 de novembro de 1893 e, nas eleições para as quatro cadeiras māori, em 20 de dezembro. O rolo está no Archives New Zealand e no registro Memória do Mundo desde 1997.
Sete petições em cinco anos
A petição de 1893 foi a última de uma campanha. Entre 1888 e 1893, as sufragistas mandaram ao parlamento pelo menos sete petições pela reforma eleitoral. Duas das primeiras, de 1888, foram apresentadas em nome da União Cristã Feminina de Temperança (WCTU), e uma delas tinha 778 assinaturas; em 1891 foram cerca de 9 mil, em 1892 quase 20 mil e em 1893 quase 32 mil, quase todas de mulheres. A coleta foi organizada sobretudo por mulheres de origem europeia, da WCTU, do Exército da Salvação e do sindicato das costureiras de Dunedin, com Kate Sheppard como organizadora da WCTU (Tamaira 2022). Tamaira lembra que a petição é uma forma de "escrever para cima": quem a recebe pode dizer não ou nem responder, e por isso tantas fracassaram. Mesmo assim, o número crescente de nomes dava às campanhas peso político e publicidade, e as petições usavam canais legais que podiam virar as regras do Estado contra ele mesmo. (Tamaira 2022)
Quantas assinaturas, e de quem
O total é incerto. A candidatura à Memória do Mundo registra uma anotação da época, no verso da primeira folha, com 25.519 assinaturas na entrega ao parlamento, e conta 23.853 no rolo que sobreviveu. Tamaira (2022) lembra que os registros do governo mostram treze petições recebidas naquele dia: doze menores acompanharam o grande rolo e se perderam, com mais de 6 mil nomes, o que leva o total para perto de 32 mil. O arquivo também esconde quem assinou. Era comum que mulheres usassem o nome do marido, e muitas māori assinavam com versões inglesas de seus nomes. Sarah Paetau, ou Sarah West, de Ngāi Tahu, só foi reconhecida como māori em 2018, por uma descendente. Tamaira chama essas lacunas de "silêncios do arquivo". Por ser frágil, o rolo não era emprestado na sala de leitura, segundo a candidatura de 1997: ficava exposto em ambiente controlado, e o público consultava transcrições e cópias. (UNESCO Memória do Mundo; Tamaira 2022)
Mulheres māori entre a petição e a Kotahitanga
Tamaira (2022) explica a presença rara de māori na petição pelo contexto. Vendas e confiscos de terras e as guerras do século XIX, que Moana Jackson chamou de "guerras de soberania", deixaram comunidades arrasadas; em 1872, o major Ropata Wahawaha escreveu que seu hapū passava fome. Os māori reagiram por caminhos diversos: cooperação com a Coroa, o movimento do rei (Kīngitanga), Parihaka e a Kotahitanga, um parlamento māori paralelo, onde as mulheres tinham direito de falar. Petições não eram novidade para eles: de 1871 a 1900, a comissão de assuntos nativos examinou cerca de 2.300, quase todas māori. Ākenehi Pātoka, uma das signatárias identificadas, integrava a rede Ngā Komiti Wāhine. A autora lembra que pelo menos treze mulheres māori assinaram o Tratado de Waitangi em 1840 e que elas podiam ter e transmitir terras, ao contrário das europeias, e que o regime colonial as excluiu da política. No voto de 1893, māori classificados como mais que "meio-sangue" só podiam votar nas cadeiras māori. (Tamaira 2022)
Uma vitória lida em escala mundial
A candidatura apresentada pelo Arquivo Nacional da Nova Zelândia à UNESCO em 1997 lê a petição como peça de um movimento internacional. Antes da Primeira Guerra Mundial, só quatro países davam voto às mulheres: Nova Zelândia (1893), Austrália (1902), Finlândia (1906) e Noruega (1913). As sufragistas neozelandesas se sabiam parte de um movimento mundial, e a aprovação da lei foi celebrada por sufragistas da Inglaterra, da Austrália e dos Estados Unidos. Para explicar a vitória precoce, o documento aponta a educação feminina (em 1893 todas as meninas tinham ensino primário e algumas já se formavam na universidade), o trabalho pago de mulheres, inclusive em sindicatos, a falta de forças conservadoras arraigadas e o clima de reformas depois de uma longa depressão econômica. É a leitura da instituição que guarda o rolo. Tamaira (2022) acrescenta o outro lado: o país foi um dos últimos territórios incorporados ao império britânico, e a data celebrada, 28 de novembro, deixa de fora o voto das mulheres māori nas cadeiras māori, três semanas depois. (UNESCO Memória do Mundo; Tamaira 2022)
Fontes
- UNESCO Memória do Mundo, "The 1893 Women's Suffrage Petition", formulário de candidatura (Nova Zelândia, inscrita em 1997). https://media.unesco.org/sites/default/files/webform/mow001/new_zealand_1893_women_suffrage_petition_0.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Tamaira, K. (2022). "Suffrage and Silences: Wāhine Māori and the Vote". Archifacts (2022): 61–69. DOI 10.26686/arch.10590. Acessar
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