Atlas da História

Operação Crossroads (testes nucleares em Bikini)

1º a 25 jul. 1946 · Pacífico

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Dois testes de armas nucleares feitos pelos Estados Unidos no Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall, em meados de 1946. A história do povo de Bikini ficou marcada pelos testes.

Bikini antes dos testes

O dossiê de candidatura das Ilhas Marshall à UNESCO (2009) supõe, com Rainbird, que o povoamento do arquipélago começou logo após a emergência das terras, entre 2 mil e 3.500 anos atrás, e registra, a partir de Niedenthal, a história oral do iroij (chefe) Larkelon, que levou sua gente de Wotje a Rongelap e dali a Bikini, onde o chefe Laninbit lhe cedeu as terras e as águas do atol. Os bikinianos traçam sua linhagem até Larkelon, e Juda, o chefe de 1946, era seu descendente. O dossiê descreve canoas de tábuas de fruta-pão com flutuador, pesca com anzóis, redes e armadilhas acompanhada de tabus e cantos, e o cultivo de várias variedades de fruta-pão e pandano em solos pobres; ao contrário do resto das Marshall, os bikinianos escolhem um chefe entre si e recusam pretensões de chefia vindas de fora. A Alemanha declarou o protetorado sobre as Marshall em 1885, mas nenhum alemão se fixou em Bikini; sob mandato japonês desde 1919, o atol recebeu na guerra uma torre de vigia, até a tomada de Kwajalein pelos americanos em fevereiro de 1944. (Republic of the Marshall Islands)

"Pelo bem da humanidade"

Um programa conjunto de testes atômicos do Exército e da Marinha dos EUA foi anunciado em outubro de 1945 e aprovado por Truman em 10 de janeiro de 1946, em meio ao debate sobre se a bomba tornara as frotas obsoletas. Em 24 de janeiro, o mesmo dia em que a Assembleia Geral da ONU criou uma comissão de energia atômica voltada ao desarmamento, o vice-almirante William Blandy anunciou Bikini como local e o nome Crossroads. Entre os critérios, segundo Weisgall citado no dossiê de 2009, o lugar devia ser desabitado ou ter uma população pequena, fácil de remover. Em fevereiro, o comodoro Ben H. Wyatt, governador militar das Marshall, reuniu os bikinianos depois do culto e perguntou se deixariam o atol temporariamente "pelo bem da humanidade e para acabar com todas as guerras"; Juda respondeu que iriam, crendo que tudo estava nas mãos de Deus. A cena foi refeita para as câmeras no último dia, 6 de março, em várias tomadas, até parecer que os moradores partiam contentes. No dia 7, 167 bikinianos zarparam para Rongerik; Lore Kessibuki compôs então o hino que os bikinianos deslocados ainda cantam. (Republic of the Marshall Islands)

Able e Baker, julho de 1946

Segundo o dossiê, 242 navios foram a Bikini, cerca de 95 deles como alvos, entre eles o alemão Prinz Eugen e dois navios de guerra japoneses, com 42 mil homens, 37 enfermeiras e 150 aviões, além de milhares de animais expostos para estudar os efeitos da bomba sobre humanos. O teste Able, em 1º de julho, lançou de um B-29 uma bomba que explodiu a uns 300 m sobre a laguna, longe do alvo previsto; cinco navios afundaram de imediato, mas observadores e imprensa se disseram decepcionados. O Baker, em 25 de julho, explodiu 30 m abaixo da superfície, ergueu uma coluna de água de cerca de 1,6 km, abriu uma cratera no fundo e afundou cinco navios e três outras embarcações; a Marinha constatou que a contaminação radioativa não saía com lavagem. Os soviéticos haviam recusado o Plano Baruch de controle internacional da energia atômica, apresentado à ONU em 14 de junho, e o Pravda escreveu que os testes minavam a crença na seriedade do discurso americano sobre desarmamento. Para a UNESCO, os navios afundados na laguna são prova material direta da força dos testes e testemunho do início da Guerra Fria. (Republic of the Marshall Islands; UNESCO, lista nº 1339)

Rongerik, Kili e um retorno frustrado

Rongerik era desabitado por falta de comida e água e pela crença num espírito mau que contaminava os peixes; logo vieram a fome e o envenenamento por peixe. Em março de 1948, à beira da inanição, os bikinianos foram levados a um acampamento de barracas em Kwajalein e, em novembro, a Kili, ilha única sem laguna e sem iroij, cercada de ondas que impedem a pesca e a navegação boa parte do ano; passaram a chamá-la de ilha-prisão e a depender de alimentos importados (dossiê de 2009). A síntese da UNESCO conta 23 testes em Bikini de 1946 a 1958, entre eles o Castle Bravo, de 1954; o dossiê dá 67 para todas as Marshall. Em 1968, o presidente Lyndon Johnson prometeu o retorno aos 540 bikinianos; após a limpeza e o replantio de coqueiros, cerca de cem pessoas voltaram, mas novos exames acharam radioatividade maior que a esperada, e em setembro de 1978 os moradores foram de novo retirados. Ao apoiar a candidatura, o senador Tomaki Juda escreveu que seu povo sempre sentiria dor pelo que perdeu. Inscrito em 2010, Bikini foi o primeiro bem das Marshall na Lista do Patrimônio Mundial. (Republic of the Marshall Islands; UNESCO, lista nº 1339)

Fontes

  1. Niedenthal, J. (2001). For the Good of Mankind: A History of the People of Bikini and Their Islands. Micronitor / Bravo Publishers. ISBN 9789829050021.
  2. Republic of the Marshall Islands, "Bikini Atoll: Nomination by the Republic of the Marshall Islands for Inscription on the World Heritage List 2010" (dossiê de candidatura, jan. 2009). https://whc.unesco.org/uploads/nominations/1339.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar
  3. UNESCO World Heritage Centre, "Bikini Atoll Nuclear Test Site", lista nº 1339. https://whc.unesco.org/en/list/1339/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar

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