Cilindro de Antíoco I de Borsipa (268 a.C.): um rei macedônio fala em acadiano como rei da Babilônia
20 de adaru do ano 43 da Era Selêucida = 27 de março de 268 a.C., data da pedra fundamental de Ezida, segundo a nota de Van der Spek ao texto · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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O cilindro de argila BM 36277, encontrado nas fundações do templo de Ezida, em Borsipa, registra que Antíoco, filho de Seleuco, lançou em 27 de março de 268 a.C. o alicerce do santuário do deus Nabu e rezou a ele por vitória sobre o inimigo e por longa vida para si, para o filho Seleuco e para a rainha Estratonice. O rei macedônio se apresenta, em acadiano e numa escrita deliberadamente arcaica, como "rei da Babilônia" e zelador de Esagila e Ezida. Segundo Van der Spek, a prece era talvez, antes de tudo, um pedido de vitória sobre o Egito ptolomaico.
O objeto e a escrita
O texto está num cilindro de argila em forma de barril, enterrado nas fundações de Ezida, o templo de Nabu em Borsipa; é um tipo de documento de fundação conhecido desde o segundo milênio a.C. O cilindro foi achado por Hormuzd Rassam em 1880, que o tomou por um cilindro de Nabucodonosor II. A escrita é cerimonial e arcaica, a mesma do Código de Hamurabi e de inscrições de reis neobabilônicos, e Van der Spek chama a peça de o mais tardio exemplar conhecido do gênero; o Cilindro de Ciro, de 539 a.C., seria outro exemplo tardio, mas escrito em escrita neobabilônica comum. (Van der Spek)
A prece a Nabu
Depois de se apresentar como grande rei, rei do mundo, rei da Babilônia, filho primogênito do rei Seleuco, o macedônio, Antíoco diz que lançou o alicerce de Ezida em 20 de adaru do ano 43. Na prece, pede a Nabu a derrubada do país do inimigo, vitórias, um reinado de justiça e prosperidade, e que o bom destino do rei, do rei Seleuco, seu filho, e da rainha Estratonice seja fixado por ordem do deus. O nome da rainha aparece no texto na forma babilônica Astartanikku, e Van der Spek vê aí talvez um jogo com o nome de Astarte; a notícia de sua morte em Sardes consta, segundo ele, num Diário Astronômico do outono de 254 a.C. (Van der Spek)
O príncipe herdeiro nas crônicas babilônicas
Antíoco, filho de Seleuco I e da princesa báctria Apama, foi co-regente do pai desde 294 a.C. e responsável pelas satrapias superiores, incluindo a Mesopotâmia e a Babilônia. As crônicas BCHP 5 e 6 (e, provavelmente, a 7 e a 8) mostram sua atuação na cidade: oferendas aos templos de Sin, limpeza das ruínas de Esagila com tropas, carroças e elefantes e, segundo a BCHP 5, a transferência dos macedônios que viviam na Babilônia para Selêucia do Tigre. Van der Spek lembra que a torre do templo, Etemenanki, estava em ruínas desde o período persa e que Alexandre havia mandado remover os restos para reconstruí-la. (Van der Spek; Van der Spek; Van der Spek)
Fontes
- Van der Spek, Bert (autor indicado na ficha da página). "Antiochus Cylinder". Livius.org, Articles on ancient history, seção Mesopotamian Chronicles; página criada em 2004, última modificação em 4 de outubro de 2020. Traz tradução do texto, descrição do objeto, comentário e lista de edições anteriores. https://www.livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/antiochus-cylinder/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
- Van der Spek, Bert (autor indicado na ficha da página). "BCHP 6 (Ruin of Esagila Chronicle)". Livius.org, Articles on ancient history, seção Mesopotamian Chronicles; página criada em 2004, última modificação em 2020. https://www.livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/bchp-6-ruin-of-esagila-chronicle/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
- Van der Spek, Bert (autor indicado na ficha da página). "BCHP 5 (Antiochus I and Sin Temple Chronicle)". Livius.org, Articles on ancient history, seção Mesopotamian Chronicles; página criada em 2004, última modificação em 2020. https://www.livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/bchp-5-antiochus-i-and-sin-temple-chronicle/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Invasão de Ptolomeu III na Babilônia (246–245 a.C.): o que conta a crônica babilônica BCHP 11 Do fim de 246 a.C. (mês IX do ano 66 da Era Selêucida) a pelo menos o início de 245 a.C. (meses X e XI), segundo Van der Spek; o número do ano se perdeu na tábua e é inferência dele
- Selêucia do Tigre (c. 300 a.C.): a fundação e a transferência dos macedônios de Babilônia, segundo a crônica BCHP 5 Fundação c. 305–300 a.C. (o Wikidata dá as duas datas); a transferência dos macedônios, em ano perdido na tábua, é anterior a 281 a.C., porque a crônica fala de Antíoco como príncipe herdeiro
- Erasístrato: o médico da corte de Seleuco I que leu o amor de Antíoco no corpo do rapaz c. 305 – c. 250 a.C. (Wikidata, que dá dois valores para cada data); uma nota de Bostock e Riley a Plínio diz que ele floresceu por volta do ano 450 de Roma (c. 304 a.C.)
- Estratonice: filha de Demétrio, rainha de Seleuco I e depois de Antíoco I c. 318 – c. 268 a.C. (Wikidata); Plutarco e Apiano não dão datas de nascimento, de casamento ou de morte
- Beroso: sacerdote do Esagila, de Babilônia, que escreveu em grego a história de sua terra nascido no reinado de Alexandre Magno (segundo Tatiano, citado por Livius); šatammu do Esagila entre 258 e 253 a.C.; morte sem data nos textos lidos. O fim do registro é o último ano documentado, não a morte
- Cerco de Jerusalém por Pompeu (63 a.C.): os irmãos Hircano e Aristóbulo, o Templo e a Judeia sob Roma, segundo Josefo e Dião Cássio 63 a.C.: Josefo põe a tomada da cidade na 179ª olimpíada, no consulado de Caio Antônio e Marco Túlio Cícero; a margem da edição Loeb de Dião (Cary) marca B.C. 63 no ano de Cícero e Antônio