Selêucia do Tigre (c. 300 a.C.): a fundação e a transferência dos macedônios de Babilônia, segundo a crônica BCHP 5
Fundação c. 305–300 a.C. (o Wikidata dá as duas datas); a transferência dos macedônios, em ano perdido na tábua, é anterior a 281 a.C., porque a crônica fala de Antíoco como príncipe herdeiro · Mesopotâmia e Levante
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Selêucia do Tigre foi fundada por Seleuco I, segundo Pausânias, e Bert van der Spek a descreve como a nova cidade real que se construía na Mesopotâmia enquanto Antíoco governava a região. Segundo a crônica babilônica BCHP 5, o príncipe herdeiro Antíoco mandou todos os macedônios que viviam na Babilônia para lá, o que Bert van der Spek lê como sinal de que a cidade foi pensada primeiro como macedônia. Pausânias, em grego, diz em vez disso que Seleuco levou colonos babilônios e poupou a muralha da Babilônia e o santuário de Bel.
O que a crônica BCHP 5 conserva
A BCHP 5, escrita num acadiano rude, conta em fragmentos como o príncipe herdeiro Antíoco entrou na Babilônia, fez oferendas regulares aos templos de Sin (Egišnugal e Enitenna), por instrução de um babilônico, e deu uma ovelha para o sacrifício. Mais adiante, num mês cujo nome se perdeu, o texto diz que Antíoco assentou em Selêucia os macedônios que havia na Babilônia. Van der Spek nota que se tratava provavelmente dos soldados que Alexandre deixara como guarnição e que ainda estavam na cidade no tempo de Antígono. (Van der Spek)
Pausânias e a imagem de uma cidade babilônica deportada
Pausânias (1.16.3) elogia Seleuco como o mais justo e religioso dos reis: devolveu a Mileto o Apolo de bronze que Xerxes levara, e, ao fundar Selêucia, poupou a muralha da Babilônia e o santuário de Bel. A crônica muda o quadro: quem foi obrigado a mudar para Selêucia, segundo ela, foram os macedônios da Babilônia. Van der Spek acrescenta que o Diário Astronômico tantas vezes invocado para uma deportação de babilônios, de 26 de março de 274 a.C., trata de uma embaixada de membros do conselho do templo, e que que há tábuas cuneiformes achadas em Selêucia, entre elas uma de 225/224 a.C. sobre a dedicação de um escravizado de templo ao templo de Nergal em Cuta por uma pessoa de nome grego; ele observa que muitos babilônios da época tinham nomes gregos. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece); Van der Spek)
Uma cidade régia que cresceu ao lado da Babilônia
Na síntese de Van der Spek, enquanto Selêucia do Tigre era construída, Antíoco, que cuidava das satrapias superiores, provavelmente vivia por muito tempo no palácio da Babilônia. O comentário de Van der Spek à BCHP 5 acrescenta que, depois da transferência, macedônios e gregos deixaram de ser incentivados a se instalar na Babilônia, e que só Antíoco IV Epifânio retomou uma política de colonização grega na cidade, como confirmaria a BCHP 14, a Crônica da Comunidade Grega. A mesma página lista Estrabão, Diodoro e Plínio como passagens usadas para dizer que a Babilônia decaiu depois da fundação de Selêucia, sem entrar no conteúdo delas. (Van der Spek; Van der Spek)
Fontes
- Van der Spek, Bert (autor indicado na ficha da página). "BCHP 5 (Antiochus I and Sin Temple Chronicle)". Livius.org, Articles on ancient history, seção Mesopotamian Chronicles; página criada em 2004, última modificação em 2020. https://www.livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/bchp-5-antiochus-i-and-sin-temple-chronicle/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
- Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece), livro 1 (cap. 16, seções 2 e 3). Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod, Loeb Classical Library. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1918–1935, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts). https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0525/tlg001/tlg0525.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
- Van der Spek, Bert (autor indicado na ficha da página). "Antiochus Cylinder". Livius.org, Articles on ancient history, seção Mesopotamian Chronicles; página criada em 2004, última modificação em 4 de outubro de 2020. https://www.livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/antiochus-cylinder/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026; usado o comentário geral). Acessar
Na mesma região
- Erasístrato: o médico da corte de Seleuco I que leu o amor de Antíoco no corpo do rapaz c. 305 – c. 250 a.C. (Wikidata, que dá dois valores para cada data); uma nota de Bostock e Riley a Plínio diz que ele floresceu por volta do ano 450 de Roma (c. 304 a.C.)
- Estratonice: filha de Demétrio, rainha de Seleuco I e depois de Antíoco I c. 318 – c. 268 a.C. (Wikidata); Plutarco e Apiano não dão datas de nascimento, de casamento ou de morte
- Beroso: sacerdote do Esagila, de Babilônia, que escreveu em grego a história de sua terra nascido no reinado de Alexandre Magno (segundo Tatiano, citado por Livius); šatammu do Esagila entre 258 e 253 a.C.; morte sem data nos textos lidos. O fim do registro é o último ano documentado, não a morte
- Cilindro de Antíoco I de Borsipa (268 a.C.): um rei macedônio fala em acadiano como rei da Babilônia 20 de adaru do ano 43 da Era Selêucida = 27 de março de 268 a.C., data da pedra fundamental de Ezida, segundo a nota de Van der Spek ao texto
- Invasão de Ptolomeu III na Babilônia (246–245 a.C.): o que conta a crônica babilônica BCHP 11 Do fim de 246 a.C. (mês IX do ano 66 da Era Selêucida) a pelo menos o início de 245 a.C. (meses X e XI), segundo Van der Spek; o número do ano se perdeu na tábua e é inferência dele
- Cerco de Jerusalém por Pompeu (63 a.C.): os irmãos Hircano e Aristóbulo, o Templo e a Judeia sob Roma, segundo Josefo e Dião Cássio 63 a.C.: Josefo põe a tomada da cidade na 179ª olimpíada, no consulado de Caio Antônio e Marco Túlio Cícero; a margem da edição Loeb de Dião (Cary) marca B.C. 63 no ano de Cícero e Antônio