Estratonice: filha de Demétrio, rainha de Seleuco I e depois de Antíoco I
c. 318 – c. 268 a.C. (Wikidata); Plutarco e Apiano não dão datas de nascimento, de casamento ou de morte · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Segundo Plutarco, Estratonice era filha de Demétrio Poliorcetes e de Fila e foi dada em casamento ao rei selêucida Seleuco I, de quem teve um filho. Plutarco e Apiano, escrevendo séculos depois, contam que o filho de Seleuco, Antíoco, adoeceu de amor por ela e que o rei a entregou a ele como esposa, tornando-a rainha da Ásia superior; Apiano nota que foi difícil convencer o filho e não menos a mulher. Os dois relatos vêm do ponto de vista masculino da corte e não trazem a voz dela.
A filha de Demétrio e Fila
Segundo Plutarco, Seleuco mandou pedir a mão de Estratonice, filha de Demétrio e de Fila. Ele já tinha um filho, Antíoco, com Apama, a persa, mas achava que seus reinos bastavam para mais de um sucessor e queria uma aliança com Demétrio, ao ver que Lisímaco também se casava com uma filha de Ptolomeu. Demétrio navegou para a Síria com toda a frota e a mulher Fila; em Rosso foi recebido por Seleuco, e os dois passaram dias juntos, em visitas e conversas, sem guarda nem armas. Por fim, Seleuco "tomou Estratonice e subiu em grande pompa a Antioquia". Plutarco registra no fim da vida de Demétrio que ele deixou Antígono e Estratonice com Fila. (Plutarco. Vidas paralelas: Demétrio)
O mal de Antíoco, segundo Plutarco
Plutarco conta que Antíoco se apaixonou por Estratonice, jovem e já mãe de um menino de Seleuco, e tentou esconder o sentimento, deixando-se definhar sob pretexto de doença. O médico Erasístrato percebeu a paixão e, passando os dias no quarto do rapaz, notou que o rapaz gaguejava, corava, suava e tinha palpitações só quando Estratonice entrava. Erasístrato disse a Seleuco que o rapaz amava "minha mulher"; Seleuco pediu que ele a cedesse, e Erasístrato retrucou que o rei não faria o mesmo. Seleuco respondeu que deixaria até o reino para manter Antíoco, e o médico lhe disse então que ele, como pai, marido e rei, era também o melhor médico da casa. Assim, diz Plutarco, Antíoco e Estratonice se tornaram marido e mulher, e ela rainha da Ásia superior. (Plutarco. Vidas paralelas: Demétrio)
A versão de Apiano
Apiano também conta que Antíoco, nomeado por Seleuco rei da Ásia superior, estava apaixonado por Estratonice, esposa do pai e mãe de um filho dele. O médico Erasístrato, que recebia salário alto, chegou ao diagnóstico observando como o corpo do rapaz reagia a cada visitante. Quando Seleuco jurou que cederia a esposa, Erasístrato contou a verdade e, diz Apiano, o rei ficou muito alegre, mas "foi difícil persuadir o filho e não menos a mulher", e só depois reuniu o exército para dividir o reino e casar os dois. Seleuco deu a Estratonice e ao filho a mesma ordem de aceitar o que o rei decide e os enviou a seu reino. Antes, no capítulo anterior, Apiano lista as cidades fundadas por Seleuco e conta quatro nomeadas a partir de suas esposas: três Apameias e uma Estratonícia. (Apiano de Alexandria. The Roman History: The Syrian Wars)
Fontes
- Plutarco. Vidas paralelas: Demétrio, cap. 31 (§ 3), 38 (§ 2) e 53 (§ 4). Trad. Bernadotte Perrin. Cambridge (MA): Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1920. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0007.tlg057.perseus-eng2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0007/tlg057/tlg0007.tlg057.perseus-eng2.xml Acessar
- Apiano de Alexandria. The Roman History: The Syrian Wars, cap. 9 (§ 57) e cap. 10 (§§ 59-61). Trad. Horace White. Nova York: The Macmillan Company, 1899. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0551.tlg013.perseus-eng2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0551/tlg013/tlg0551.tlg013.perseus-eng2.xml Acessar
Na mesma região
- Beroso: sacerdote do Esagila, de Babilônia, que escreveu em grego a história de sua terra nascido no reinado de Alexandre Magno (segundo Tatiano, citado por Livius); šatammu do Esagila entre 258 e 253 a.C.; morte sem data nos textos lidos. O fim do registro é o último ano documentado, não a morte
- Erasístrato: o médico da corte de Seleuco I que leu o amor de Antíoco no corpo do rapaz c. 305 – c. 250 a.C. (Wikidata, que dá dois valores para cada data); uma nota de Bostock e Riley a Plínio diz que ele floresceu por volta do ano 450 de Roma (c. 304 a.C.)
- Selêucia do Tigre (c. 300 a.C.): a fundação e a transferência dos macedônios de Babilônia, segundo a crônica BCHP 5 Fundação c. 305–300 a.C. (o Wikidata dá as duas datas); a transferência dos macedônios, em ano perdido na tábua, é anterior a 281 a.C., porque a crônica fala de Antíoco como príncipe herdeiro
- Cilindro de Antíoco I de Borsipa (268 a.C.): um rei macedônio fala em acadiano como rei da Babilônia 20 de adaru do ano 43 da Era Selêucida = 27 de março de 268 a.C., data da pedra fundamental de Ezida, segundo a nota de Van der Spek ao texto
- Invasão de Ptolomeu III na Babilônia (246–245 a.C.): o que conta a crônica babilônica BCHP 11 Do fim de 246 a.C. (mês IX do ano 66 da Era Selêucida) a pelo menos o início de 245 a.C. (meses X e XI), segundo Van der Spek; o número do ano se perdeu na tábua e é inferência dele
- Ciro toma a Babilônia (539 a.C.): Opis, Sipar e a entrada sem batalha segundo a Crônica de Nabonido e o Cilindro de Ciro, e as leituras judaica e grega outubro de 539 a.C. (batalha de Opis, tomada de Sipar e entrada na Babilônia, 16º dia e, para Ciro, 3º de Arahsamna) a fevereiro/março de 538 a.C. (retorno dos deuses a seus santuários até Addaru): ano 17 de Nabonido, conversão de Livius