Atlas da História

Cinismo antigo (séc. IV a.C.): Antístenes, Diógenes de Sinope e Hiparquia, segundo Diógenes Laércio

séc. IV a.C. (Wikidata P580: 400 a.C., precisão de século); Diógenes Laércio situa Diógenes de Sinope na época de Alexandre, e Demétrio de Magnésia, citado por ele, o faz morrer no mesmo dia que Alexandre (323 a.C.) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo Diógenes Laércio, a escola cínica remonta a Antístenes, discípulo de Sócrates que ensinava no ginásio do Cinosarges, em Atenas, e a Diógenes de Sinope, seu discípulo, exilado que vivia sem posses e dizia ser "cidadão do mundo". Os cínicos sustentavam que a virtude basta para a felicidade e que o sábio se guia pela lei da virtude, e não pelas leis estabelecidas. A tradição inclui também Crates e Hiparquia, mulher que adotou o modo de vida cínico, mas tudo isso chega por uma obra escrita muito depois, que reúne anedotas e fontes hoje perdidas.

Antístenes e o Cinosarges

Diógenes Laércio (6.1.1–6.1.2) diz que Antístenes era ateniense, mas de sangue possivelmente não puro, pois a mãe seria trácia, e que se distinguiu na batalha de Tânagra. Aproximou-se de Sócrates e dele tirou tanto proveito que aconselhava seus discípulos a se tornarem colegas de Sócrates. Em 6.1.11–6.1.13, registra que, para ele, a virtude basta à felicidade e precisa apenas da força de um Sócrates, é questão de atos e não de palavras ou saber, e que ele conversava no ginásio do Cinosarges, "cão branco", de onde alguns pensam que a escola cínica tirou o nome. Segundo Diocles, citado por ele, foi o primeiro a dobrar o manto e a contentar-se com essa única peça. (Diógenes Laércio. Vidas dos filósofos ilustres (Lives of Eminent Philosophers))

Diógenes de Sinope: exílio e modo de vida

Segundo Diógenes Laércio (6.2.20–6.2.23), Diógenes era de Sinope, filho do banqueiro Hicésias, e deixou a cidade por causa da adulteração da moeda, atribuída ao pai, a ele ou a ambos, conforme a versão. Numa delas, foi a Delfos perguntar o que fazer para alcançar a maior reputação e recebeu o oráculo de "alterar a moeda política". Em Atenas, foi rejeitado por Antístenes, que não gostava de discípulos, e o venceu pela insistência. Observando um rato que corria sem procurar lugar para deitar, teria descoberto como adaptar-se às circunstâncias. Passou a dobrar o manto, carregar um alforje com comida, usar qualquer lugar para comer, dormir ou conversar, e morou num tonel do Metrôon, rolando-o na areia quente no verão e abraçando estátuas cobertas de neve no inverno. (Diógenes Laércio. Vidas dos filósofos ilustres (Lives of Eminent Philosophers))

Ditos, Alexandre e o cosmopolitismo

Entre os ditos reunidos por Diógenes Laércio, Diógenes responde a quem lhe recordava o exílio que foi por ele que se tornou filósofo (6.2.49), diz ter ganho da filosofia estar preparado para toda sorte e, perguntado de onde era, responde "sou cidadão do mundo" (6.2.63). Para ele, a mais bela coisa do mundo era a liberdade de falar (6.2.69). Vendo funcionários levarem um ladrão de uma taça, comentou que os grandes ladrões levavam o pequeno (6.2.45). Quando Alexandre, em pé diante dele no Craneu, ofereceu-lhe um favor, ele respondeu: "Afasta-te da minha luz" (6.2.38). (Diógenes Laércio. Vidas dos filósofos ilustres (Lives of Eminent Philosophers))

Crates, Hiparquia e o fim de Diógenes

Diógenes Laércio (6.7.96–6.7.97) conta que Hiparquia, irmã de Metrocles, amava os discursos e o modo de vida de Crates e ameaçou se matar se não pudesse casar com ele; Crates, depois de tentar dissuadi-la, tirou a roupa e disse que aquele era o noivo, e que ela só seria sua companheira se compartilhasse sua vida. Ela adotou o mesmo traje e viveu com ele em público. Sobre a morte de Diógenes, o autor (6.2.76–6.2.79) diz que ele tinha quase noventa anos, que há versões conflitantes, que os discípulos disputaram quem o enterraria e que foi sepultado junto ao portão do Istmo, com um cão de mármore de Paros sobre o túmulo; Demétrio de Magnésia diz que morreu em Corinto no mesmo dia em que Alexandre morreu na Babilônia. (Diógenes Laércio. Vidas dos filósofos ilustres (Lives of Eminent Philosophers))

Fontes

  1. Diógenes Laércio. Vidas dos filósofos ilustres (Lives of Eminent Philosophers), livro 6, caps. 1 a 7 (Antístenes, Diógenes, Mônimo, Onesícrito, Crates, Metrocles e Hiparquia). Tradução inglesa de R. D. Hicks. Cambridge, MA: Harvard University Press (Loeb Classical Library), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub (edição digital de 2005). Lidos em texto bruto as seções 6.1.1–6.1.14, 6.2.20–6.2.23, 6.2.38, 6.2.45, 6.2.49, 6.2.63, 6.2.68–6.2.69, 6.2.76–6.2.79, 6.5.88 e 6.7.96–6.7.97 (numeração do Perseus). https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0004/tlg001/tlg0004.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar

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