Saque de Roma pelos gauleses (c. 390–387 a.C.): o que contam Lívio e Políbio, e a lembrança dos próprios gauleses
c. 390 a.C. (Wikidata P585: 390 a.C., sem mês); o item da batalha do Ália (Q655777) lista também 387 a.C.; Políbio 1.6 situa a tomada de Roma 16 anos antes de Leuctra, ano da Paz de Antálcidas · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Lívio, os gauleses senones, que sitiavam Clúsio, voltaram-se contra Roma depois que embaixadores romanos lutaram ao lado dos clusinos; venceram o exército romano no Ália, entraram na cidade e sitiaram o Capitólio até receber um resgate de mil libras de ouro, que Lívio faz Camilo anular. Políbio, grego de Megalópolis, conta só que os gauleses tomaram Roma exceto o Capitólio e a devolveram por um acordo, quando os vênetos invadiram suas terras. Os anos e a ordem dos fatos variam entre os textos, e nenhum deles foi escrito por gauleses.
Os senones e o pedido de Clúsio
Lívio (5.33–5.35) conta que embaixadores de Clúsio pediram ajuda a Roma contra os gauleses e que, segundo ele, os gauleses que chegaram a Clúsio e depois a Roma eram os senones, os últimos a atravessar os Alpes; ele diz ser incerto se vieram sozinhos ou com reforços dos povos da Cisalpina, e afirma que gauleses já haviam passado à Itália dois séculos antes. Políbio (2.17) lista os povos celtas instalados no vale do Pó: lévios e lebécios, insubres, cenomanos, ananes, boios, lingões e, na costa do Adriático, os senones. (Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome); Políbio. As Histórias (The Histories))
A violação do direito das gentes
Na versão de Lívio (5.35–5.36), os três filhos de Marco Fábio Ambusto foram enviados a Clúsio para convencer os gauleses a não atacar. O conselho gaulês pediu que os clusinos cedessem parte de suas terras, que tinham mais do que podiam cultivar, e disse que, de outro modo, lutaria. Na batalha entre gauleses e etruscos, Quinto Fábio matou um chefe gaulês, foi reconhecido enquanto o despojava, e os gauleses exigiram em Roma a entrega dos Fábios. O senado, segundo Lívio, desaprovou a conduta mas remeteu o caso ao povo, que elegeu os três tribunos consulares do ano seguinte. (Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome))
O Ália, a cidade tomada e o Capitólio
Lívio (5.37–5.42) afirma que os tribunos consulares formaram a linha sem escolher posição para o acampamento, sem consultar os auspícios e sem nomear ditador, e que o exército entrou em pânico quando o chefe Breno atacou as reservas na colina; muitos fugiram para Veios. Os que ficaram em Roma se refugiaram na cidadela. Segundo ele, os gauleses mataram os anciãos magistrados sentados em suas casas, saquearam e queimaram as casas, mas o fogo foi menos extenso do que seria de esperar no primeiro dia. Depois, o cerco ao Capitólio: o ataque noturno que despertou os gansos de Juno (5.47) e a fome e a doença entre os sitiantes (5.48), que, segundo Lívio, deram nome ao lugar Busta Gallica. (Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome))
Resgate ou acordo: duas versões
Em Lívio (5.48–5.49), o tribuno Quinto Sulpício e Breno fixaram o resgate em mil libras de ouro, e Breno teria posto a espada na balança dizendo "Vae victis"; Camilo chegou, anulou o acordo, e os gauleses foram derrotados duas vezes, a segunda no oitavo marco da estrada de Gábios. Políbio (1.6 e 2.18) diz que os gauleses ocuparam Roma, menos o Capitólio, e saíram depois de um acordo com os romanos, por causa da invasão vêneta. Lívio ainda observa (6.1) que os documentos da cidade, entre eles leis das Doze Tábuas e tratados, se perderam quase todos no incêndio e só em parte foram recuperados depois. (Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome); Políbio. As Histórias (The Histories))
Fontes
- Lívio (Titus Livius). História de Roma (History of Rome), livros 5 (cap. 33 a 50) e 6 (cap. 1). Tradução inglesa do Rev. Canon Roberts. Londres: J. M. Dent and Sons; Nova York: E. P. Dutton and Co., 1912, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto os trechos 5.33–5.42, 5.47–5.50 e 6.1.1–6.1.12. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-latinLit/master/data/phi0914/phi001/phi0914.phi001.perseus-eng3.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Políbio. As Histórias (The Histories), livros 1 (cap. 6) e 2 (cap. 17 a 22). Tradução inglesa de Evelyn S. Shuckburgh. Londres e Nova York: Macmillan, 1889, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto 1.6 e 2.17–2.22. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0543/tlg001/tlg0543.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Cinismo antigo (séc. IV a.C.): Antístenes, Diógenes de Sinope e Hiparquia, segundo Diógenes Laércio séc. IV a.C. (Wikidata P580: 400 a.C., precisão de século); Diógenes Laércio situa Diógenes de Sinope na época de Alexandre, e Demétrio de Magnésia, citado por ele, o faz morrer no mesmo dia que Alexandre (323 a.C.)
- Batalha de Leuctra (371 a.C.): Tebas derrota Esparta, segundo Xenofonte e Pausânias 6 jul. 371 a.C. (Wikidata P585, precisão de dia; as passagens lidas de Xenofonte e Pausânias não dão a data)
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