Ciro toma a Babilônia (539 a.C.): Opis, Sipar e a entrada sem batalha segundo a Crônica de Nabonido e o Cilindro de Ciro, e as leituras judaica e grega
outubro de 539 a.C. (batalha de Opis, tomada de Sipar e entrada na Babilônia, 16º dia e, para Ciro, 3º de Arahsamna) a fevereiro/março de 538 a.C. (retorno dos deuses a seus santuários até Addaru): ano 17 de Nabonido, conversão de Livius · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo a Crônica de Nabonido, no ano 17 do rei Ciro derrotou o exército de Acádia em Opis, no Tigre, 'saqueou e massacrou o povo'; Sipar foi tomada sem batalha, e dois dias depois o exército de Ciro, comandado por Ugbaru, entrou na Babilônia sem luta. O Cilindro de Ciro conta o mesmo por outro lado: Marduk escolheu Ciro, que entrou 'sem combate' e devolveu aos santuários os deuses que Nabonido trouxera. Isaías e Esdras leem o fato como libertação dos judeus exilados; Heródoto narra a tomada com o desvio do Eufrates, e Josefo, citando Beroso, uma versão em que Nabonido é derrotado e depois recebe Carmânia.
Opis, Sipar e a entrada em Babilônia, dia a dia
Segundo a Crônica, no ano 17, depois de o Akitu ter sido celebrado 'como em tempos normais' e de os deuses de Marad, Zababa, Kish, Ninlil e Hursagkalamma terem entrado na Babilônia, Ciro travou batalha em Opis contra o exército de Acádia, levou o saque e massacrou o povo. No 14º dia Sipar foi tomada sem batalha e Nabonido fugiu; no 16º dia Ugbaru, governador de Gútio, e o exército de Ciro entraram na Babilônia 'sem batalha', e Nabonido, que tinha se retirado, foi capturado depois na cidade (ABC 7 III.5–16). Ciro entrou em Babilônia no 3º dia de Arahsamna; os vasos harû foram enchidos diante dele, 'houve paz na cidade' e ele saudou toda a Babilônia, enquanto Gubaru, seu governador, nomeou os governadores distritais (III.18–20). Ugbaru morreu na noite do 11º dia de Arahsamna e a esposa do rei morreu em Addaru, com luto oficial de 27 de Addaru a 3 de Nisã (III.22–23). (Livius.org (site de Jona Lendering). 'ABC 7 (Nabonidus Chronicle)': Chronicle Concerning the Reign of Nabonidus)
O que o Cilindro diz de Nabonido e de Ciro
O texto começa com a acusação: 'um incompetente' foi posto para exercer o poder, fez 'uma cópia' do Esagila, pôs fim às oferendas regulares, 'acabou com o culto de Marduk' e impôs trabalho forçado aos habitantes de Babilônia (linhas 3–8). Marduk, ouvindo o clamor, procurou em toda parte e tomou pela mão 'um rei justo, seu favorito', Ciro de Anxã (linhas 9–12). Marduk fez Ciro entrar em Babilônia 'sem luta nem batalha' e entregou-lhe Nabonido (linha 17). Ciro se apresenta como filho de Cambises, neto de Ciro e descendente de Teispes (linha 21), diz que seu exército entrou 'em paz' e que não deixou ninguém assustar o povo (linhas 22, 24), aliviou os cidadãos do trabalho forçado (linhas 25–26), recebeu o tributo dos reis do Oeste 'que moram em tendas' (linhas 29–30) e devolveu às suas moradas as imagens dos deuses, reunindo os habitantes 'e devolvendo suas moradias' em Assur, Susa, Ágade, Eshnunna, Zamban, Me-Turnu, Der e até o Gútio (linhas 30–33). Também fortaleceu a grande muralha da Babilônia (linha 38). (Livius.org (site de Jona Lendering). 'Cyrus Cylinder' (introdução)
Deuses de volta, apagamento e luto
A Crônica registra que de Kislimu a Addaru 'os deuses de Acádia que Nabonido trouxera para a Babilônia' voltaram a seus lugares (III.21), o que combina com o Cilindro (linha 33) e com o Poema Verso, que diz que Ciro devolveu às suas capelas os deuses que as haviam abandonado (VI.3). O Poema acrescenta uma face dura da vitória: Ciro 'apagou' as obras e a imagem de Nabonido, 'as inscrições com esse nome foram apagadas' e o que Nabonido construiu foi lançado às chamas (VI.4–5). Por fim, a Crônica diz que, no quarto dia de Nisã, Cambises, filho de Ciro, foi ao templo de Nabu, e 'por causa da roupa elamita' a mão de Nabu [lacuna] (III.24–26), o que o texto lido não completa. (Livius.org (site de Jona Lendering). 'ABC 7 (Nabonidus Chronicle)': Chronicle Concerning the Reign of Nabonidus; Livius.org (site de Jona Lendering). 'Verse Account of Nabonidus')
Fontes
- Livius.org (site de Jona Lendering). 'ABC 7 (Nabonidus Chronicle)': Chronicle Concerning the Reign of Nabonidus, tradução de A. K. Grayson 'com algumas mudanças baseadas em pesquisas mais recentes', com notas de conversão dos anos; página criada em 1996 e modificada em 14/07/2020; livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/abc-7-nabonidus-chronicle/. Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, a página inteira (introdução e colunas I a IV); o texto é muito danificado e tem lacunas.
- Livius.org (site de Jona Lendering). 'Cyrus Cylinder' (introdução, página criada em 1998 e modificada em 12/10/2020) e 'Cyrus Cylinder Translation' (criada em 1998, modificada em 13/07/2020); tradução baseada na de Mordechai Cogan (W. W. Hallo e K. L. Younger, The Context of Scripture II, 2003), adaptada à edição de Hanspeter Schaudig; livius.org/sources/content/cyrus-cylinder/ e .../cyrus-cylinder-translation/. Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, as duas páginas inteiras; Cogan e Schaudig não foram lidos.
- Livius.org (site de Jona Lendering). 'Verse Account of Nabonidus', tradução de A. Leo Oppenheim copiada de J. B. Pritchard, Ancient Near Eastern Texts relating to the Old Testament (Princeton, 1950), com pequenas mudanças; página criada em 1998 e modificada em 29/07/2020; livius.org/sources/content/anet/verse-account-of-nabonidus/. Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, a página inteira; Pritchard não foi lido. O texto tem lacunas, e cerca de um terço da coluna IV está perdido.
- Lendering, Jona. 'Cyrus takes Babylon', Livius.org, página criada em 1996 e modificada em 12/10/2020; livius.org/articles/person/cyrus-the-great/cyrus-takes-babylon/. Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, a página inteira, que resume as fontes sobre a captura da Babilônia.
- The Holy Bible, King James Version (1611), edição digital do Project Gutenberg (ebook n. 10, gutenberg.org/ebooks/10). Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, os trechos citados em cada seção (2 Reis 24 e 25; Jeremias 25:22–26, 29:1–7, 40:5–11, 41:1–3, 43:4–6 e 52; Lamentações 1:1–5, 2:10–11 e 5:1–13; Salmos 137; Isaías 21:13–14 e 44:28–45:3; Ezequiel 26:1–13, 27:1–3, 28:1–2 e 29:17–19; Esdras 1:1–4). O hebraico não foi lido.
- Heródoto. The History of Herodotus, vol. 1 (livros I a IV), tradução de G. C. Macaulay, Londres: Macmillan, edição digital do Project Gutenberg (ebook n. 2707, gutenberg.org/ebooks/2707). Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, I.188 a I.191 (a tomada da Babilônia por Ciro).
- Josefo. Against Apion, tradução de William Whiston, edição digital do Project Gutenberg (ebook n. 2849, gutenberg.org/ebooks/2849). Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, Contra Apião I.19 a I.21 (Beroso sobre Nabucodonosor e Nabonido; registros fenícios sobre o cerco de Tiro).
Na mesma região
- Cerco e queda de Jerusalém diante de Nabucodonosor II (598–587 a.C.): a Crônica Babilônica, Reis, Jeremias e Lamentações 598/597 a.C. (Kislimu do 7º ano de Nabucodonosor II, quando o exército parte) a c. 587 a.C. (queda e incêndio da cidade): conversão de ano de Livius sobre a Crônica ABC 5
- O dilúvio na Epopeia de Gilgamesh cópias do séc. VII a.C. na biblioteca de Assurbanípal, em Nínive (Jastrow 1898); composição anterior, a confirmar
- Diários Astronômicos da Babilônia: observações do céu, preços e acontecimentos, de 652 a 61 a.C. 652/651 a.C. (tabuleta mais antiga) a 61/60 a.C. (a mais recente), segundo Livius; a prática de observar o céu é provavelmente anterior. O recorte do séc. III a.C. é só um trecho da série
- Cerco de Laquis e campanha de Senaqueribe contra Judá (701 a.C.): o Prisma assírio, a legenda do relevo de Nínive, 2 Reis 18–19 e Miqueias 701 a.C. (Livius, artigo sobre Nínive: o relevo mostra a captura de Laquis 'em 701'; Luckenbill: o Cilindro Rassam, que já traz a 3ª campanha, é datado em 700)
- Beroso: sacerdote do Esagila, de Babilônia, que escreveu em grego a história de sua terra nascido no reinado de Alexandre Magno (segundo Tatiano, citado por Livius); šatammu do Esagila entre 258 e 253 a.C.; morte sem data nos textos lidos. O fim do registro é o último ano documentado, não a morte
- Estratonice: filha de Demétrio, rainha de Seleuco I e depois de Antíoco I c. 318 – c. 268 a.C. (Wikidata); Plutarco e Apiano não dão datas de nascimento, de casamento ou de morte