Atlas da História

Diários Astronômicos da Babilônia: observações do céu, preços e acontecimentos, de 652 a 61 a.C.

652/651 a.C. (tabuleta mais antiga) a 61/60 a.C. (a mais recente), segundo Livius; a prática de observar o céu é provavelmente anterior. O recorte do séc. III a.C. é só um trecho da série · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Os Diários Astronômicos são uma coleção de textos de Babilônia, hoje no Museu Britânico, em que escribas anotavam dia a dia as posições da Lua e dos planetas, eclipses e outros fenômenos celestes e, no mesmo texto, o nível do Eufrates, os preços de mercadorias e os acontecimentos políticos. Segundo Livius, a tabuleta mais antiga é de 652/651 a.C. e a mais recente de 61/60 a.C. No séc. III a.C. os diários registram, por exemplo, medidas financeiras da Primeira Guerra Síria e a filha do rei selêucida Antíoco II, Apame.

O que um diário registra

Segundo Livius, um diário completo cobria seis meses, cada um dividido em duas metades. A primeira parte trazia as observações astronômicas dia a dia: posições da Lua, eclipses, solstícios, equinócios, posições dos planetas e o nascer e o pôr de Sírio. Os escribas anotavam também, às vezes, que havia nuvens no céu ou que não observaram. Terminava com um resumo. A segunda parte registrava fatos que se julgava anunciados pelos presságios: o nível do Eufrates, os preços de cevada, tâmaras, mostarda, gergelim e lã, e acontecimentos políticos. (Lendering)

O diário de Gaugamela

Livius dá como exemplo a tabuleta da batalha de Gaugamela, de 1º de outubro de 331 a.C. A parte astronômica anota um eclipse lunar em 20 de setembro, com Júpiter se pondo e Saturno nascendo, e a posição da Lua em relação a Alfa de Áries. A parte final registra preços, as posições dos planetas e, em 11 do mês, pânico no acampamento diante do rei; no dia 24, de manhã, o "rei do mundo" ergueu o estandarte e atacou, e as tropas do rei Dario o abandonaram e fugiram para o leste. Livius conclui que o exército de Dario desertava na véspera da batalha. (Lendering)

O séc. III a.C. nos diários

Livius diz que, no reinado de Artaxerxes III (358-338 a.C.), os preços das mercadorias nos diários eram baixos, que no tempo dos primeiros diádocos eram altos e que no séc. III a.C. foram se normalizando. Cita um diário que menciona medidas financeiras durante a Primeira Guerra Síria e diz que os diários revelaram que o rei selêucida Antíoco II (261-246 a.C.) teve uma filha chamada Apame, e dão muita informação sobre a conquista parta de Babilônia. Nada disso foi conferido nos próprios diários. (Lendering)

Dos diários às efemérides

Em outro artigo, Livius diz que os astrônomos dos templos, chamados tupšar Enûma Anu Enlil, observavam o céu havia séculos e guardaram os dados em diários, almanaques e catálogos de estrelas. Com esses dados eles fixaram o mês sinódico com erro de poucos minutos e previram eclipses lunares. Livius acrescenta que uma tradução grega do trabalho de Kidinnu foi usada pelo astrólogo grego Critodemo (c. 260 a.C.), por Hiparco e por Ptolomeu, que conheciam o Sistema B de previsão da Lua. Livius dá Kidinnu como do séc. IV a.C. e não data as efemérides do Sistema A. (Lendering)

Fontes

  1. Lendering, Jona. Astronomical Diaries. Livius.org (Articles on ancient history), criado em 2004, última modificação em 24/09/2020. https://www.livius.org/articles/concept/astronomical-diaries/ , consultado em 29/10/2026. Acessar
  2. Lendering, Jona. Kidinnu, the Chaldaeans, and Babylonian Astronomy. Livius.org (Articles on ancient history), criado em 2003, última modificação em 02/10/2020. https://www.livius.org/articles/person/kidinnu-the-chaldaeans-and-babylonian-astronomy/ , consultado em 29/10/2026. Acessar

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