Cerco e queda de Jerusalém diante de Nabucodonosor II (598–587 a.C.): a Crônica Babilônica, Reis, Jeremias e Lamentações
598/597 a.C. (Kislimu do 7º ano de Nabucodonosor II, quando o exército parte) a c. 587 a.C. (queda e incêndio da cidade): conversão de ano de Livius sobre a Crônica ABC 5 · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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A Crônica Babilônica ABC 5 conta que, no 7º ano de Nabucodonosor II, o rei marchou para o Hatti, sitiou a 'cidade de Judá', tomou-a no segundo dia de Addaru, capturou o rei e pôs outro de sua escolha. Os livros bíblicos de Reis e Jeremias, lidos em tradução inglesa, narram também o segundo cerco, do nono ano de Zedequias, em que a cidade foi rompida, o rei foi cegado e levado a Babilônia, o templo foi queimado e novos grupos foram deportados; Lamentações dá voz a quem ficou na cidade. A Crônica lida cobre só a captura de 597; a de 587 vem apenas do texto bíblico.
597 a.C.: o que a Crônica e Reis dizem da primeira captura
A Crônica registra que, no 6º ano, o rei da Acádia saqueou os árabes no deserto, com seus bens, animais e deuses, e voltou em Addaru; no 7º ano, em Kislimu, marchou para o Hatti, sitiou a cidade de Judá e a tomou no segundo dia de Addaru (Rev. 10'–13'). Reis conta o mesmo episódio com o rei Joaquim, que tinha dezoito anos e reinou três meses, e saiu com a mãe, os servos e os oficiais (2 Rs 24:8, 12). O texto bíblico diz que foram levados os tesouros do templo e do palácio e que ficou 'só a gente mais pobre da terra' (24:13–14), e que Matanias, tio de Joaquim, virou rei com o nome de Zedequias (24:17). Os números de deportados divergem: dez mil cativos mais artesãos (24:14), sete mil guerreiros e mil artesãos (24:16) e 3.023 judeus no sétimo ano (Jr 52:28). (Livius.org (site de Jona Lendering). 'ABC 5 (Jerusalem Chronicle)': Chronicle Concerning the Early Years of Nebuchadnezzar II 1975; The Holy Bible 1611)
587 a.C.: cerco, brecha, fuga do rei e incêndio
Segundo Reis e Jeremias, Nabucodonosor chegou com todo o exército no décimo dia do décimo mês do nono ano de Zedequias, construiu fortes em volta e a cidade ficou sitiada até o 11º ano do rei (2 Rs 25:1–2; Jr 52:4–5). No nono dia do quarto mês a fome era forte e 'não havia pão para o povo da terra'; a cidade foi rompida e os homens de guerra fugiram de noite pela porta entre as duas muralhas (25:3–4). Os caldeus alcançaram Zedequias nas planícies de Jericó, levaram-no a Riblá, mataram seus filhos diante dele, cegaram-no e o levaram preso a Babilônia (25:5–7). No quinto mês, no 19º ano de Nabucodonosor, Nabuzaradã queimou o templo, o palácio e as casas, derrubou as muralhas e levou os restantes e os que tinham se entregado (25:8–11); os pilares e o 'mar' de bronze foram quebrados e o bronze levado a Babilônia (25:13). O sacerdote Seraías e outros foram mortos em Riblá (25:18–21). (The Holy Bible 1611)
Quem ficou, quem partiu: Gedalias, Egito e deportados
Nabucodonosor deixou Gedalias, filho de Aicam, como governador em Mispá (2 Rs 25:22). Segundo Jeremias 40, vários chefes militares foram até ele e Gedalias lhes prometeu bem-estar se servissem aos caldeus e colhessem vinho, frutos e azeite (40:9–10); também os judeus refugiados em Moabe, Amom e Edom ouviram falar do governador (40:11). No sétimo mês Ismael, 'da semente real', matou Gedalias, os judeus e os caldeus que estavam com ele (2 Rs 25:25; Jr 41:1–2). Aos que estavam em Babilônia, Jeremias mandou uma carta por Elasá e Gemarias: construir casas, plantar jardins, casar-se e ter filhos, 'para aumentarem lá e não diminuírem' (Jr 29:1–6). O Salmo 137 guarda a voz dos deportados: 'junto aos rios de Babilônia nos sentamos e choramos', quando os captores lhes pediram um canto de Sião, e o texto pergunta como cantar 'em terra estranha'. O livro de Reis termina com o rei Joaquim, preso, tirado da prisão por Evil-Merodaque no 37º ano do cativeiro (2 Rs 25:27–30). (The Holy Bible 1611)
Fontes
- Livius.org (site de Jona Lendering). 'ABC 5 (Jerusalem Chronicle)': Chronicle Concerning the Early Years of Nebuchadnezzar II, tradução adaptada de A. K. Grayson, Assyrian and Babylonian Chronicles (1975), e de J.-J. Glassner, Mesopotamian Chronicles (2004), com notas de conversão dos anos; página criada em 2006 e modificada em 24/09/2020; livius.org/sources/content/mesopotamian-chronicles-content/abc-5-jerusalem-chronicle/. Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, a página inteira (introdução, tradução e notas); Grayson e Glassner não foram lidos.
- The Holy Bible, King James Version (1611), edição digital do Project Gutenberg (ebook n. 10, gutenberg.org/ebooks/10). Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, os trechos citados em cada seção (2 Reis 24 e 25; Jeremias 25:22–26, 29:1–7, 40:5–11, 41:1–3, 43:4–6 e 52; Lamentações 1:1–5, 2:10–11 e 5:1–13; Salmos 137; Isaías 21:13–14 e 44:28–45:3; Ezequiel 26:1–13, 27:1–3, 28:1–2 e 29:17–19; Esdras 1:1–4). O hebraico não foi lido.
Na mesma região
- O dilúvio na Epopeia de Gilgamesh cópias do séc. VII a.C. na biblioteca de Assurbanípal, em Nínive (Jastrow 1898); composição anterior, a confirmar
- Diários Astronômicos da Babilônia: observações do céu, preços e acontecimentos, de 652 a 61 a.C. 652/651 a.C. (tabuleta mais antiga) a 61/60 a.C. (a mais recente), segundo Livius; a prática de observar o céu é provavelmente anterior. O recorte do séc. III a.C. é só um trecho da série
- Ciro toma a Babilônia (539 a.C.): Opis, Sipar e a entrada sem batalha segundo a Crônica de Nabonido e o Cilindro de Ciro, e as leituras judaica e grega outubro de 539 a.C. (batalha de Opis, tomada de Sipar e entrada na Babilônia, 16º dia e, para Ciro, 3º de Arahsamna) a fevereiro/março de 538 a.C. (retorno dos deuses a seus santuários até Addaru): ano 17 de Nabonido, conversão de Livius
- Cerco de Laquis e campanha de Senaqueribe contra Judá (701 a.C.): o Prisma assírio, a legenda do relevo de Nínive, 2 Reis 18–19 e Miqueias 701 a.C. (Livius, artigo sobre Nínive: o relevo mostra a captura de Laquis 'em 701'; Luckenbill: o Cilindro Rassam, que já traz a 3ª campanha, é datado em 700)
- Eclipse solar de 15 de junho de 763 a.C. na lista de epônimos (limmu) assíria, no ano de Bur-Saggile, governador de Guzana: a anotação que ancora a cronologia assíria 15 de junho de 763 a.C. (mês Simanu do ano de epônimo 763/762), data juliana dada entre colchetes por Livius.org; ano astronômico −762
- Hadad-yith'i (Hadad-yis'i), governante de Guzan fim do séc. IX a.C. (segundo o Museu Nacional de Damasco); nascimento e morte não constam na fonte lida