O dilúvio na Epopeia de Gilgamesh
cópias do séc. VII a.C. na biblioteca de Assurbanípal, em Nínive (Jastrow 1898); composição anterior, a confirmar · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Na Tábua XI da Epopeia de Gilgamesh, o sobrevivente Utnapishtim (Parnapishtim em Jastrow) conta ao herói como o deus Ea o avisou de uma tempestade enviada pelos deuses e como ele construiu um barco. Há relatos mesopotâmicos paralelos, e os depósitos de inundação escavados no sul do Iraque são datados de vários momentos.
O texto e as cópias de Nínive
Segundo Jastrow (1898), o poema em sua forma final tinha doze tábuas e cerca de três mil linhas, e só metade havia sido recuperada naquela data. As numerosas partes conhecidas representavam pelo menos quatro cópias, todas da biblioteca de Assurbanípal. A Tábua XI, onde está o relato do dilúvio, foi reconstituída a partir de vários fragmentos, graças ao trabalho de Paul Haupt, até formar um texto quase completo. Jastrow nota que Gilgamesh aparece com o sinal de divindade e que havia hinos a ele, o que, para ele, indicava um herói antigo depois divinizado. (Jastrow 1898)
O barco, a tempestade e o monte Nisir
Na tradução de Jastrow, o barco tem seis andares e sete partes, com o interior dividido em nove, e é vedado com betume por fora e piche por dentro. Utnapishtim carrega prata, ouro, a família, artesãos e animais. A tempestade faz os próprios deuses se refugiarem no céu de Anu, e Ishtar lamenta a destruição. O barco encalha no monte Nisir; ao sétimo dia, Utnapishtim solta uma pomba, uma andorinha e um corvo, e só o último não volta. O sacrifício atrai os deuses, e Ea censura Bel por ter provocado o dilúvio sem consulta. (Jastrow 1898)
O que os depósitos de inundação mostram
O resumo do Creation/Evolution Journal (1988) conta que Woolley escavou em Ur um depósito de lama limpa de até onze pés, datado por ele em c. 3500 a.C., enquanto Kish tinha três níveis de cheia (c. 3000 a 2900 e c. 2600 a.C.) e Shuruppak um nível de c. 2950 a 2850 a.C. Segundo o texto, o depósito de Ur não aparece em Eridu, a poucos quilômetros, e os de Kish e Shuruppak são finos, de uns vinte e cinco a quarenta centímetros. As escavações datam de mais de meio século, e o caráter exato dessas cheias segue desconhecido. (Creation/Evolution Journal 8(2))
Versões sumérias e a transmissão do tema
A história sumeriana do dilúvio, na tradução do ETCSL, é fragmentária: o rei Ziusudra ouve a decisão da assembleia divina, o dilúvio varre a terra, o barco é sacudido por sete dias e noites, Utu entra no barco e Ziusudra sacrifica bois e ovelhas. An e Enlil lhe dão vida de deus e o instalam em Dilmun. O resumo de 1988 chama de aceita a visão de que o relato nasceu na Mesopotâmia e lembra o papel do Atra-hasis. Jastrow, por sua vez, cita Adra-Khasis como nome do mesmo sobrevivente nas palavras de Ea. (The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL); Creation/Evolution Journal 8(2); Jastrow 1898)
Fontes
- Jastrow, M. (1898). The Religion of Babylonia and Assyria. Boston: Ginn & Company, cap. "The Gilgamesh Epic". Texto lido no Internet Archive (cu31924029165889).
- The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL), Universidade de Oxford, "The Flood story" (t.1.7.4). https://etcsl.orinst.ox.ac.uk/cgi-bin/etcsl.cgi?text=t.1.7.4 (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Creation/Evolution Journal 8(2), primavera de 1988, "The Flood: Mesopotamian Archaeological Evidence", National Center for Science Education. https://ncse.ngo/flood-mesopotamian-archaeological-evidence (consultado em 07/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Diários Astronômicos da Babilônia: observações do céu, preços e acontecimentos, de 652 a 61 a.C. 652/651 a.C. (tabuleta mais antiga) a 61/60 a.C. (a mais recente), segundo Livius; a prática de observar o céu é provavelmente anterior. O recorte do séc. III a.C. é só um trecho da série
- Cerco de Laquis e campanha de Senaqueribe contra Judá (701 a.C.): o Prisma assírio, a legenda do relevo de Nínive, 2 Reis 18–19 e Miqueias 701 a.C. (Livius, artigo sobre Nínive: o relevo mostra a captura de Laquis 'em 701'; Luckenbill: o Cilindro Rassam, que já traz a 3ª campanha, é datado em 700)
- Cerco e queda de Jerusalém diante de Nabucodonosor II (598–587 a.C.): a Crônica Babilônica, Reis, Jeremias e Lamentações 598/597 a.C. (Kislimu do 7º ano de Nabucodonosor II, quando o exército parte) a c. 587 a.C. (queda e incêndio da cidade): conversão de ano de Livius sobre a Crônica ABC 5
- Ciro toma a Babilônia (539 a.C.): Opis, Sipar e a entrada sem batalha segundo a Crônica de Nabonido e o Cilindro de Ciro, e as leituras judaica e grega outubro de 539 a.C. (batalha de Opis, tomada de Sipar e entrada na Babilônia, 16º dia e, para Ciro, 3º de Arahsamna) a fevereiro/março de 538 a.C. (retorno dos deuses a seus santuários até Addaru): ano 17 de Nabonido, conversão de Livius
- Eclipse solar de 15 de junho de 763 a.C. na lista de epônimos (limmu) assíria, no ano de Bur-Saggile, governador de Guzana: a anotação que ancora a cronologia assíria 15 de junho de 763 a.C. (mês Simanu do ano de epônimo 763/762), data juliana dada entre colchetes por Livius.org; ano astronômico −762
- Hadad-yith'i (Hadad-yis'i), governante de Guzan fim do séc. IX a.C. (segundo o Museu Nacional de Damasco); nascimento e morte não constam na fonte lida