Cobre do Wadi Arabah (Faynan e Timna): produção industrial e o salto técnico do fim do séc. X a.C.
séc. X a.C., dentro de uma produção contínua de c. 1300 a c. 800 a.C.; salto técnico na segunda metade do séc. X, com a fase pós-salto em c. 925-830 a.C., segundo Ben-Yosef et al. 2019 · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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No Wadi Arabah, entre a Jordânia e Israel, as fundições de Faynan e de Timna fizeram cobre em escala industrial por cerca de meio milênio, de c. 1300 a c. 800 a.C., segundo Ben-Yosef et al. A análise de 154 amostras de escória, ligada a datas de radiocarbono, mostra melhora gradual da técnica e, na segunda metade do séc. X a.C., um salto de eficiência nas duas regiões ao mesmo tempo. A causa do salto está em debate: Ben-Yosef et al. a ligam à campanha do faraó Shoshenq I, e Luria defende um desenvolvimento local e gradual.
O que a escória mostra
Ben-Yosef et al. analisaram 154 amostras de escória de contextos estratigráficos controlados em Faynan e em Timna e usaram o teor de cobre que sobrou na escória como indicador da eficiência da fundição: quanto menos cobre, melhor o processo. Em Khirbat en-Nahas, na Área M, a média caiu aos poucos com a estratigrafia e depois despencou nas camadas mais novas, de 1,14 para 0,69 por cento em peso; o desvio-padrão também diminuiu à metade, sinal de maior controle do processo. Eles chamam de "pré-salto" a fase de c. 1300 a 925 a.C. e de "pós-salto" a de c. 925 a 830 a.C. Em Timna, o salto veio com a troca do fundente, dos óxidos de ferro pelos de manganês, que em Faynan já eram usados. (Ben-Yosef)
Escala e reorganização da produção
Luria, citando estimativas de outros autores, dá a escória produzida em Faynan: cerca de 1.600 toneladas entre 1200 e 1150 a.C., 5.600 entre 1100 e 1050 e 15.600 entre 1000 e 950 a.C., com pico de c. 23 mil toneladas entre 900 e 850 a.C. e fim abrupto perto do fim do séc. IX. Segundo Ben-Yosef et al., na segunda metade do séc. X houve centralização: sobraram um sítio em Timna e dois em Faynan, as defesas foram desativadas (a fortaleza de Khirbat en-Nahas virou oficina), entraram fornos e tuyères maiores e o camelo passou a ser usado como animal de tração. (Ben-Yosef; Luria)
Combustível e fim da indústria em Timna
Segundo Cavanagh et al., no fim do séc. XI toda a fundição de Timna ficou concentrada em dois sítios muralhados, o Sítio 30 e o Sítio 34, chamado em inglês de "Slaves' Hill", e nos séculos XI e X a indústria chegou ao auge, com milhares de toneladas de escória. No fim do séc. X o Sítio 34 foi abandonado e só o 30 seguiu, com tecnologia nova, até meados do séc. IX. O carvão analisado vem sobretudo de retama (Retama raetam) e de acácias; com o tempo apareceram espécies pouco adequadas ao ambiente árido, o que os autores leem como sinal de pressão sobre a vegetação local. (Cavanagh)
Fontes
- Ben-Yosef, E.; Liss, B.; Yagel, O. A.; Tirosh, O.; Najjar, M.; Levy, T. E. "Ancient technology and punctuated change: Detecting the emergence of the Edomite Kingdom in the Southern Levant". PLOS ONE 14(9): e0221967, 18 set. 2019. DOI 10.1371/journal.pone.0221967 (conferido em doi.org). Texto lido: https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC6750566/fullTextXML Acessar
- Luria, D. "Copper technology in the Arabah during the Iron Age and the role of the indigenous population in the industry". PLOS ONE 16(12): e0260518, 20 dez. 2021. DOI 10.1371/journal.pone.0260518 (conferido em doi.org). Texto lido: https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC8687555/fullTextXML Acessar
- Cavanagh, M.; Ben-Yosef, E.; Langgut, D. "Fuel exploitation and environmental degradation at the Iron Age copper industry of the Timna Valley, southern Israel". Scientific Reports 12: 15434, 21 set. 2022. DOI 10.1038/s41598-022-18940-z (conferido em doi.org). Texto lido: https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC9492654/fullTextXML Acessar
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