Ziryab
chegada a Córdoba em 822 (nascido em Bagdá em 789, segundo as duas fontes lidas); a morte não consta nelas · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Ziryab (Abu al-Hasan Ali ibn Nafi) nasceu em Bagdá, em 789 segundo as duas fontes lidas, e foi aluno do cantor Ishaq al-Mawsili; deixou a cidade, passou por Egito, Palestina e Kairuan e desembarcou em Algeciras em 822. Em Córdoba, o emir Abd al-Rahman II lhe pagou 200 dinares por mês e deu terras, e a ele se atribui um alaúde reformado, a primeira escola de música de al-Andalus e novos usos à mesa, no vestuário e nos cuidados de beleza. Um dos autores lidos cita Terrace para dizer que um só homem não poderia ter feito toda essa transformação.
De Bagdá a Córdoba
Segundo Carmona, Ziryab nasceu em Bagdá em 789 e foi aluno do cantor Ishaq al-Mawsili, que o apresentou ao califa Harun al-Rashid. Na audiência ele teria recusado o alaúde do mestre e tocado o seu, que dizia ter melhorado. O ciúme de al-Mawsili o fez partir. Depois de passar por Egito e Palestina, chegou a Kairuan, na corte do aghlábida Ziyadat Allah I, e escreveu ao emir Al-Hakam I, de Córdoba. Desembarcou em Algeciras em 822, aos 33 anos, e soube que o emir morrera; o sucessor, Abd al-Rahman II, manteve o contrato. (Carmona)
A corte de Córdoba e o ensino
Carmona informa que Abd al-Rahman II lhe ofereceu 200 dinares por mês e terras, e que ele se instalou na almunia Munyat Nasr. A autora lhe atribui a primeira escola de música de al-Andalus, mantida por filhos e filhas, entre eles uma filha, Alia, muito procurada como professora de canto. Cita Ibn Hayyan sobre seu método, que começava por recitações acompanhadas de percussão e avançava para peças mais complexas. O Muslim Heritage diz que ele reorganizou a teoria musical, compilou um repertório de 24 nawbaat e conhecia mais de mil canções, segundo Al-Maqqari. (Carmona; The Editorial Team. "Ziryab". Muslim Heritage (FSTC))
O alaúde e a quinta corda
Carmona cita fontes da época segundo as quais o alaúde de Ziryab pesava um terço a menos que os comuns, com cordas de seda não fiada em água quente e as graves e a terceira feitas de tripa de leão recém-nascido, de som mais doce. Citando Martín Moreno, descreve as quatro cordas tradicionais ligadas aos humores do corpo e a quinta, que simbolizava a alma, tingida de vermelho e posta entre a segunda e a terceira. O Muslim Heritage lhe credita também, com Al-Kindi, a quinta corda grave e a troca da palheta de madeira por uma de pena de águia. (Carmona; The Editorial Team. "Ziryab". Muslim Heritage (FSTC))
Mesa, vestuário e cuidados de beleza
Segundo Carmona, Ziryab ensinou a ordem de servir à mesa (sopas, depois carnes e aves, por fim doces), propôs toalhas de couro fino em vez de tecido e sugeriu beber vinho em copos de cristal. Citando Ibn Hayyan, a autora diz que ele fixou as roupas por estação, com branco do fim de junho a 1º de outubro e cores no resto do ano. Atribui a ele princípios de cuidado pessoal que se praticavam nos banhos públicos, com cabeleireiras, hena e pomadas. Carmona nota que não restam provas materiais das toalhas de couro. (Carmona)
Fontes
- Carmona, L. "Ziryab, the amazing story of the singer from Baghdad". Fundación El legado andalusí (versão em inglês), sem data de publicação visível. https://www.legadoandalusi.es/magazine/ziryab-the-amazing-story-of-the-singer-from-baghdad-2/?lang=en Acessar
- The Editorial Team. "Ziryab". Muslim Heritage (FSTC), sem data de publicação visível. https://muslimheritage.com/ziryab-the-musician Acessar
Na mesma região
- Mesquita-Catedral de Córdova c. 786 (Wikidata); ampliações até o séc. X
- Comentário ao Apocalipse atribuído a Beato de Liébana, datado de 776, e seu primeiro mapa-múndi, hoje perdido datado de 776 (era hispânica 814) por datas contidas nos manuscritos, segundo García-Aráez Ferrer (2001-2002); outras duas versões do texto são posteriores
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- Califado de Córdoba (929): Abd al-Rahman III adota o título de príncipe dos crentes 929 (decisão tomada em 316 do calendário islâmico; a carta aos governadores traz a data de 2 de dhu'l-hijja de 316, que Fagnan converte em 16 de janeiro de 929)