Atlas da História

Guerra dos Emboabas

1708–1709 (Wikidata: 1707) · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Conflito armado na capitania de Minas Gerais entre paulistas, que reivindicavam direitos por terem achado primeiro as minas de ouro, e os chamados emboabas, vindos do Reino e de outras partes da América. Romeiro mostra que os emboabas eram tanto reinóis quanto americanos.

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Do conflito à criação da capitania

Gomes (2020) reconstitui o conflito a partir de cronistas e historiadores. Nunes Viana foi aclamado governador pelos emboabas, houve cerco ao Arraial Novo e as batalhas se estenderam, segundo Romeiro, de outubro de 1708 a novembro de 1709. No episódio do Capão da Traição, paulistas que haviam se rendido foram mortos por ordem de Bento do Amaral, e o número de mortos varia entre 50 (Taunay) e 300 (Vasconcelos). O autor avalia que as baixas totais provavelmente foram poucas. A Coroa nomeou Antônio de Albuquerque governador e, em novembro de 1709, criou a capitania de São Paulo e Minas do Ouro. (Gomes 2020)

Quem lutou: potentados, indígenas e escravizados

A dissertação de Gomes (2020) observa que os paulistas contavam com muitos indígenas escravizados em suas tropas e que potentados locais formavam milícias com escravizados e agregados. Ou seja, a guerra, em geral contada como disputa entre paulistas e forasteiros, também envolveu pessoas cativas e dependentes. O autor dedica o trabalho às populações indígenas e negras que sofreram violências no processo de ocupação das Minas. Ele usa o Erário Mineral, de Luís Gomes Ferreira (1735), para descrever a vida de pessoas escravizadas nas minas, e aponta que a crônica de Rocha Pita (1730) é uma fonte favorável aos emboabas. (Gomes 2020)

Como a historiografia leu a guerra

Na resenha do livro de Romeiro, Stumpf (2011) explica que os paulistas se apoiavam no "direito da conquista", e que os emboabas incluíam reinóis e americanos. Romeiro critica a leitura nativista, que via na guerra um confronto entre brasileiros e portugueses. A Coroa pesou na solução do conflito, e para o livro as batalhas importam pouco: a vitória se deu no campo das representações. Segundo Stumpf, o legado do episódio reaparece em discursos políticos posteriores, como nos motins de 1788 e 1789. (Stumpf 2011)

Fontes

  1. Stumpf, R. (2011). "Paulistas e emboabas no coração das Minas: idéias, práticas e imaginário político no século XVIII" (resenha do livro de A. Romeiro, UFMG, 2008). Varia Historia 27(45): 375–378. DOI 10.1590/s0104-87752011000100019. Acessar
  2. Gomes, F. de M. (2020). A Guerra dos Emboabas: as figurações sociais no alvorecer do leviatã mineiro. Universidade Federal de Minas Gerais.

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