Atlas da História

Dmanisi: hominíneos no Cáucaso há 1,8 milhão de anos

c. 1,85 a 1,77 milhão de anos atrás (Ferring et al. 2011) · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Sítio na Geórgia, sob ruínas medievais, com fósseis e ferramentas de pedra de cerca de 1,8 milhão de anos, entre os registros mais antigos de hominíneos fora da África. Os crânios variam muito entre si; para uns são uma só espécie, Homo erectus, e para outros mostram mais de um táxon.

Datação: de 1,85 a 1,77 milhão de anos

Os fósseis de Dmanisi vêm de sedimentos sob ruínas medievais, nos blocos 1 e 2, datados em cerca de 1,77 milhão de anos, no início do Matuyama superior. Em 2011, Ferring e colegas descreveram 73 artefatos de pedra em estratos mais antigos de uma sondagem a 85 m dali (unidade M5), correlacionados com o final do subcron Olduvai, entre 1,85 e 1,78 milhão de anos. Os depósitos repousam sobre o basalto Masavera, e a idade se apoia em paleomagnetismo e em datação por argônio. O sítio teria sido ocupado repetidamente ao longo de até 80 mil anos. (Ferring et al. 2011)

O achado de 2000 e a equipe georgiana

Em 2000, Gabunia e colegas, de uma equipe com muitos pesquisadores da Geórgia, descreveram dois crânios parciais que se somavam a uma mandíbula achada em 1991. Segundo o resumo, o material é comparável em tamanho e morfologia a Homo ergaster de Koobi Fora, no Quênia, e a idade é de cerca de 1,7 milhão de anos. Os autores escreveram que esses fósseis mostram afinidade africana clara e podem representar a espécie que primeiro saiu da África. Vários autores dos trabalhos posteriores têm afiliação no Museu Nacional da Geórgia, em Tbilisi. (Gabunia et al. 2000; Ferring et al. 2011)

Um crânio completo e a leitura de uma espécie só

Em 2013, Lordkipanidze e colegas descreveram um crânio que, somado a uma mandíbula achada antes, completa o primeiro crânio inteiro de hominíneo desse período. A partir de comparações morfológicas e de morfometria geométrica do conjunto, concluíram que os cinco crânios de Dmanisi representam uma única variante regional de Homo erectus, com muita variação entre indivíduos. É a leitura dos autores sobre a variação observada. (Lordkipanidze et al. 2013)

Uma espécie ou várias? A crítica de 2014

Schwartz, Tattersall e Chi publicaram um comentário sobre o artigo de 2013. Para eles, dentes, mandíbulas e crânios sugerem diversidade de táxons e validam a espécie H. georgicus, nomeada antes. Os autores do artigo original e esses críticos partem dos mesmos fósseis e chegam a conclusões diferentes sobre quantas espécies há em Dmanisi. Ferring e colegas, por sua vez, levantam a hipótese de que Homo erectus pode ter evoluído na Eurásia, o que também é uma interpretação, sujeita a debate. (Schwartz et al. 2014; Ferring et al. 2011)

Fontes

  1. Ferring, R.; Oms, O.; Agustí, J.; Berna, F. et al. (2011). "Earliest human occupations at Dmanisi (Georgian Caucasus) dated to 1.85–1.78 Ma". Proceedings of the National Academy of Sciences 108(26): 10432–10436. DOI 10.1073/pnas.1106638108. Acessar
  2. Gabunia, L.; Vekua, A.; Lordkipanidze, D.; Swisher, C. C. et al. (2000). "Earliest Pleistocene hominid cranial remains from Dmanisi, Republic of Georgia: taxonomy, geological setting, and age". Science 288: 1019–1025. DOI 10.1126/science.288.5468.1019. Acessar
  3. Lordkipanidze, D.; Ponce de León, M. S.; Margvelashvili, A.; Rak, Y. et al. (2013). "A Complete Skull from Dmanisi, Georgia, and the Evolutionary Biology of Early Homo". Science 342: 326–331. DOI 10.1126/science.1238484. Acessar
  4. Schwartz, J. H.; Tattersall, I.; Chi, Z. (2014). "Comment on 'A Complete Skull from Dmanisi, Georgia, and the Evolutionary Biology of Early Homo'". Science 344: 360. DOI 10.1126/science.1250056. Acessar

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