Eclipse solar de 15 de junho de 763 a.C. na lista de epônimos (limmu) assíria, no ano de Bur-Saggile, governador de Guzana: a anotação que ancora a cronologia assíria
15 de junho de 763 a.C. (mês Simanu do ano de epônimo 763/762), data juliana dada entre colchetes por Livius.org; ano astronômico −762 · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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A lista assíria de epônimos (limmu) dá a cada ano o nome de um alto funcionário e, quase sempre, um acontecimento. Na entrada do ano de Bur-Saggile, governador de Guzana, ela anota uma revolta em Libbi-ali e, no mês de Simanu, um eclipse do Sol, que Livius identifica com o de 15 de junho de 763 a.C. Como a lista cobre 858–699 a.C. em dez cópias, essa única observação fixa em calendário os anos de reinado assírios do I milênio; o cálculo astronômico da identificação não foi lido.
Como o limmu dava nome ao ano
Segundo Livius, a festa do Ano Novo, no começo da primavera, era celebrada em Aššur sob responsabilidade do rei, que passava as tarefas a um funcionário real, o limmu, escolhido por sorte entre candidatos das famílias assírias mais importantes, como o comandante em chefe, o arauto do palácio ou um governador. Como raramente alguém exercia o cargo duas vezes, o nome dele identificava o ano. A página dá o exemplo de 820/819 a.C., ano de Bêl-Dan, arauto do palácio, e diz que quase sempre se acrescenta um acontecimento militar importante. A lista de limmus sobrevive para 1876–1780 e para 858–699 a.C. (Livius.org (Jona Lendering). Limmu. https://www.livius.org/articles/concept/limmu/ (criada em 2006; última modificação em 23/04/2020). Texto bruto lido em 02/11/2026.)
A entrada de 763/762 e os anos em volta
Na tradução de Livius, o ano anterior, 764/763, é o de Sidqi-ilu, governador de Tušhan: "the king stayed in the land". Em 763/762, Bur-Saggile, governador de Guzana, dá nome ao ano com "revolt in Libbi-ali; in Simanu eclipse of the sun". Os anos seguintes trazem revolta em Libbi-ali (762/761), em Arrapha (761/760 e 760/759) e em Guzana (759/758, com peste). A passagem fica entre o epônimo do rei Aššur-dan [III], em 771/770, e o de Aššur-nirari [V], em 753/752; a lista não explica a causa das revoltas. (Livius.org (Jona Lendering). Limmu List (858-699 BCE). https://www.livius.org/articles/concept/limmu/limmu-list-858-699-bce/ (criada em 2017 e última modificação em 24/09/2020). A página dá a lista como texto nº 9 de Glassner 1993)
De um eclipse a toda a cronologia assíria
Livius explica que listas de limmus sobrevivem para cada ano de 892 a 648 a.C. e que, por constar o eclipse de 15 de junho de 763, os anos de reinado assírios ficam datados com precisão de um ano. Como 892 é o vigésimo ano de Adad-nirari II, o reinado dele começou em 911. A Lista dos Reis Assírios, baseada na lista de limmus, é considerada muito exata por esse motivo. A mesma página lembra que o Cânone de Ptolomeu só dá um quadro confiável da Babilônia até 747 a.C. e que o II milênio segue em disputa. (Livius.org (Jona Lendering). Mesopotamian Chronology. https://www.livius.org/articles/misc/mesopotamian-chronology/ (criada em 2006; última modificação em 14/09/2020). Texto bruto lido em 02/11/2026.; Livius.org (Jona Lendering). Limmu. https://www.livius.org/articles/concept/limmu/ (criada em 2006; última modificação em 23/04/2020). Texto bruto lido em 02/11/2026.)
Fontes
- Livius.org (Jona Lendering). Limmu List (858-699 BCE). https://www.livius.org/articles/concept/limmu/limmu-list-858-699-bce/ (criada em 2017; última modificação em 24/09/2020). A página dá a lista como texto nº 9 de Glassner, Chroniques Mésopotamiennes (1993) e não nomeia quem fez a versão inglesa. Texto bruto lido em 02/11/2026. Acessar
- Livius.org (Jona Lendering). Limmu. https://www.livius.org/articles/concept/limmu/ (criada em 2006; última modificação em 23/04/2020). Texto bruto lido em 02/11/2026. Acessar
- Livius.org (Jona Lendering). Mesopotamian Chronology. https://www.livius.org/articles/misc/mesopotamian-chronology/ (criada em 2006; última modificação em 14/09/2020). Texto bruto lido em 02/11/2026. Acessar
Na mesma região
- Hadad-yith'i (Hadad-yis'i), governante de Guzan fim do séc. IX a.C. (segundo o Museu Nacional de Damasco); nascimento e morte não constam na fonte lida
- Sammu-ramat, rainha da Assíria c. 811 a.C. (morte do marido, Shamshi-Adad V, e subida do filho ao trono, segundo a National Geographic); nascimento e morte não constam nas fontes lidas
- Cerco de Laquis e campanha de Senaqueribe contra Judá (701 a.C.): o Prisma assírio, a legenda do relevo de Nínive, 2 Reis 18–19 e Miqueias 701 a.C. (Livius, artigo sobre Nínive: o relevo mostra a captura de Laquis 'em 701'; Luckenbill: o Cilindro Rassam, que já traz a 3ª campanha, é datado em 700)
- Estela de Mesha (Pedra Moabita): o rei de Moab conta a retomada de terras de Israel c. 840 a.C. (Wikidata); a Universidade Yarmouk a data de meados do séc. IX a.C. e Brown (2019) do fim do séc. IX a.C.
- Batalha de Qarqar (853 a.C.), segundo o Monólito de Kurkh e o Obelisco Negro 853 a.C. (6º ano de reinado de Salmanasar III, segundo o Obelisco Negro; reinado iniciado em 858 a.C. segundo a RIAo; Wikidata: 853 a.C.)
- Conquista de Bīt-Adini e de Tīl-Barsip por Salmanasar III, segundo as inscrições assírias (c. 858–856 a.C.) c. 858–856 a.C. (1º ao 3º ano de reinado de Salmanasar III, com reinado iniciado em 858 a.C. segundo a RIAo; Kurkh e o obelisco divergem na ordem dos anos)