Atlas da História

Estela de Mesha (Pedra Moabita): o rei de Moab conta a retomada de terras de Israel

c. 840 a.C. (Wikidata); a Universidade Yarmouk a data de meados do séc. IX a.C. e Brown (2019) do fim do séc. IX a.C. · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Segundo a própria inscrição, Mesha, rei de Moab, ergueu um santuário ao deus Kemosh em Karcha e conta que Kemosh, irado com Moab, deixou Omri de Israel e seu filho oprimirem a terra, mas depois mandou Mesha retomar Medeba, Atarot, Nebo, Jahaz e Horonaim. A estela de basalto foi achada em Dhibān em 1868 e hoje está no Louvre, e o texto é, na leitura de Brown, um escrito de propaganda para justificar as guerras diante dos súditos e do deus. O livro bíblico de 2 Reis 3 conta a mesma relação entre Israel e Moab com outro desfecho.

Achado, destruição e remontagem

Segundo Brown, a estela foi achada em 1868 em Dhibān, quando o missionário F. A. Klein falou do achado e Charles Clermont-Ganneau enviou dois intermediários. O primeiro fez uma cópia do texto; o segundo irritou os moradores, e a pedra foi quebrada. Clermont-Ganneau comprou e localizou os fragmentos no mercado de antiguidades e reconstituiu a estela, hoje no Louvre; uma cópia está no Oriental Institute, em Chicago. As fontes lidas divergem nas medidas: Brown dá 1,15 m de altura e 33 linhas legíveis; Yarmouk dá 1,24 m e 34 linhas. (Brown 2019; Faculty of Archaeology and Anthropology)

O que a estela diz que Mesha construiu

Depois do relato militar, a estela traz uma lista de obras. Na tradução de Brown, Mesha diz ter construído Karcha, com a muralha do bosque e a da cidadela, as portas, as torres e a casa do rei, e feito um duplo reservatório para a nascente. Como não havia cisternas dentro da cidade, mandou cada pessoa fazer uma em sua casa, e cavou o fosso com prisioneiros de Israel. Diz ainda ter construído Aroer e a estrada militar no Arnon, Bete-Bamot e Bezer, e acrescentado terras à cidade. A tradução de Yarmouk difere em vários pontos e traz a mesma sequência de obras. (Brown 2019; Faculty of Archaeology and Anthropology)

Kemosh e a política de Moab

Segundo Brown, Kemosh aparece dez vezes na estela como deus principal de Moab; outros textos o mostram como divindade ligada ao mundo subterrâneo desde o fim do 3º milênio a.C. em Ebla e depois em Ugarit. Brown segue Na'aman ao ler a captura do "fogão" ou suporte de culto de Daudoh, levado a Kemosh em Queriot, como gesto de devolver a Moab um objeto de culto antes tomado por Israel. A mesma leitura vê, no transporte dos vasos de YHWH para diante de Kemosh, uma subordinação ritual do deus de Israel. São interpretações de Brown e de Na'aman, não da inscrição. (Brown 2019)

Dois relatos sobre a mesma relação

Brown compara a estela com 2 Reis 3. As duas fontes concordam em que Omri e seu filho dominaram Moab e que Moab se libertou; a estela, no entanto, não cita as campanhas de Omri, Acabe e Jorão contra Moab, e 2 Reis não conta como Mesha tomou território israelita. Brown dá os reinados de Omri (c. 885–874 a.C.), Acabe (874–853) e Jorão (854–841), com sobreposição entre os dois últimos, e identifica o filho de Omri citado na estela, que não tem nome no texto, com Jorão. A estela diz que Omri ocupou toda a terra de Medeba, nos seus dias e em metade dos dias do filho, quarenta anos, e que Kemosh a restaurou nos dias de Mesha. (Brown 2019)

Fontes

  1. Brown, William (2019). "Moabite Stone [Mesha Stele]". World History Encyclopedia, publicado em 11 fev. 2019 (artigo revisado pela equipe editorial do site): https://www.worldhistory.org/Moabite_Stone_%5bMesha_Stele%5d/, consultado em out. 2026. Acessar
  2. Faculty of Archaeology and Anthropology, Yarmouk University (Irbid, Jordânia). "Mesha Inscription", página do Museu do Patrimônio Jordaniano (objetos especiais), sem autor nem data de publicação indicados: https://archaeology.yu.edu.jo/index.php/more-en/mesha-inscription, consultada em out. 2026. Acessar
  3. Bíblia Hebraica (Tanakh), 2 Reis 3, na tradução inglesa The JPS Tanakh: Gender-Sensitive Edition (Jewish Publication Society), lida pela API de textos da Sefaria (https://www.sefaria.org/II_Kings.10 e https://www.sefaria.org/II_Kings.3, entre outros capítulos), consultada em out. 2026. Acessar

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