Atlas da História

Furador de cobre de Tel Tsaf (vale do Jordão): o mais antigo objeto de metal do Levante meridional (c. 5100–4600 a.C. cal.)

c. 5100–4600 a.C. cal. (datação radiométrica dos níveis do Calcolítico Médio de Tel Tsaf, segundo Garfinkel et al. 2014); o título do artigo diz "final do sexto milênio cal. a.C." · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 2007, escavações da Universidade Hebraica de Jerusalém acharam em Tel Tsaf, no médio vale do Jordão, um furador de cobre fundido de 41 mm, junto a uma mulher adulta de cerca de 40 anos enterrada no interior de um silo de tijolo cru. Segundo Garfinkel e colegas (2014), é o mais antigo artefato de metal do sul do Levante, de c. 5100–4600 a.C. cal., séculos antes da metalurgia do Calcolítico Tardio, e provavelmente foi importado de longe, talvez do Cáucaso. A análise por fluorescência de raios X acusou estanho e arsênio, e os autores admitem que o estanho poderia indicar intrusão posterior ou uma liga natural.

O sítio e o enterramento

Segundo Garfinkel e colegas (2014), Tel Tsaf foi escavado em quatro temporadas, de 2004 a 2007. O assentamento principal, do Calcolítico Médio, foi datado radiometricamente em 5100–4600 a.C. cal., com arquitetura densa de tijolo cru e silos com capacidade estimada de 15 a 30 toneladas de grãos, que os autores descrevem como acúmulo de excedente em escala sem precedentes no Oriente Próximo antigo. O sítio trouxe ainda cerâmica pintada, mais de 2.500 contas de casca de ovo de avestruz, obsidiana da Anatólia ou da Armênia, quatro cacos de cerâmica Ubaid e uma concha do Nilo. O furador foi achado ao peneirar o sedimento sobre uma mulher adulta de cerca de 40 anos, sepultada num silo, com um colar de 1.668 contas. (Garfinkel et al. 2014)

O objeto

O objeto é um pino alongado de cobre fundido, de seção redonda, com 41 mm de comprimento e diâmetro máximo de 5 mm, afinando para 1 mm na ponta. A ponta tem marcas de movimento rotatório e a base conserva restos de um cabo de madeira. Está inteiramente corroído, sem metal original. A análise por fluorescência de raios X portátil indicou cobre com cerca de 6% de estanho e 0,8% de arsênio, além de traços de chumbo e ferro, e os autores ressalvam que as proporções originais não puderam ser preservadas pela corrosão. (Garfinkel et al. 2014)

Três etapas do uso do cobre, segundo os autores

Garfinkel e colegas (2014) descrevem três etapas no Oriente Próximo. Na primeira, pedaços de malaquita viraram pigmentos e ornamentos desde o Epipaleolítico da Anatólia. Na segunda, no sétimo milênio a.C. cal., contas e objetos de cobre nativo martelado aparecem em Aşıklı Höyük, Nevali Çori e Çayönü; por volta de 6000 a.C. cal., objetos maiores aparecem em Çan Hassan. Na terceira, do final do sexto milênio, entra a fundição de minérios, que eles ligam a sítios dos Bálcãs e do sul da Anatólia (Mersin-Yumuktepe, camada XVI, e Değirmentepe). O furador de Tel Tsaf, para eles, preenche uma lacuna anterior à metalurgia elaborada do Calcolítico Tardio, de Nahal Mishmar. (Garfinkel et al. 2014)

Prestígio, trocas e a origem do metal

Para os autores, o furador entrou em Tel Tsaf por redes de troca que traziam também obsidiana, pedras de moer e outros bens da Armênia, da Anatólia e da Síria pelo corredor levantino. Eles lembram que objetos de tipo comparável existem em sítios Ubaid do quinto milênio (Tepe Gawra, nível XIII, e Ugarit, nível IIIb) e em Berseba e Shiqmim. Sobre a fonte do cobre, o resumo diz "provavelmente no Cáucaso"; o corpo do texto discute minérios de cobre-estanho naturais, como os de Mušiston, no Tadjiquistão, e diz que a liga de bronze com estanho surgiu no Cáucaso no quarto milênio a.C. cal. (Garfinkel et al. 2014)

Fontes

  1. Garfinkel, Yosef; Klimscha, Florian; Shalev, Sariel; Rosenberg, Danny (2014). "The Beginning of Metallurgy in the Southern Levant: A Late 6th Millennium CalBC Copper Awl from Tel Tsaf, Israel". PLoS ONE 9(3): e92591. DOI 10.1371/journal.pone.0092591 (resolve em doi.org). Texto completo baixado pela API do Europe PMC, PMC3966803, em 29/10/2026. Acessar

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