Fibras de algodão e fibras vegetais tingidas em Tel Tsaf (vale do Jordão), c. 5200–4700 a.C. cal.
c. 5200–4700 a.C. cal. (o artigo diz "ca. 5,200–4,700 cal BC"; "7.200 anos atrás" no resumo); ano astronômico −5199 para o início · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em amostras de solo de Tel Tsaf, no vale do Jordão, Liu, Levin, Klimscha e Rosenberg (2022) identificaram microfibras de pelo menos dois tipos de fibra liberiana e as evidências mais antigas de algodão no Oriente Próximo, algumas tingidas em várias cores. Segundo os autores, o algodão veio provavelmente de espécies silvestres originárias do sul da Ásia, antecede em cerca de dois milênios a domesticação mais antiga conhecida, no vale do Indo, e sugere contato com essa região há cerca de 7.200 anos. O método não permite saber se o algodão era silvestre ou cultivado.
Fibras invisíveis
Liu e colegas (2022) abrem lembrando que cordas e tecidos se decompõem depressa e por isso quase não aparecem na arqueologia, de modo que a história dos têxteis costuma ser reconstruída por textos, ferramentas e práticas agrárias. No Oriente Próximo antigo, segundo eles, as fibras locais mais antigas e usadas eram as liberianas, como o linho, e a casca de carvalho identificada em Çatalhöyük, de cerca de 8.500 anos atrás. O algodão, fibra não nativa, tinha como mais antigo registro conhecido o de Dhuweila, no leste da Jordânia, do Calcolítico Tardio ou Bronze Antigo (4450–3000 a.C.). (Liu et al. 2022)
Como as fibras foram achadas
A equipe coletou 16 amostras de solo de pisos e abaixo dos pisos da sala C70 do Edifício CI e de superfícies ao norte da sala C377, em torno de 1 m abaixo da superfície, mais quatro amostras de controle da camada de superfície. Oito delas vinham de dentro de cacos sem lavar. Os microrrestos foram liberados com EDTA e separados com líquido pesado, e as fibras foram identificadas em microscópio de luz polarizada com teste de Herzog modificado. Foram achadas 123 fibras: 62 liberianas, 17 de algodão, 2 de lã e 42 não identificadas. (Liu et al. 2022)
Algodão, cor e comércio
Segundo Liu e colegas (2022), o algodão bem datado de Tel Tsaf é vários séculos posterior às cordas de algodão das contas de cobre de Mehrgarh, mas pelo menos 300 anos anterior ao tecido de algodão de Dhuweila, e antecede em cerca de dois milênios a domesticação do algodão presumida pelas sementes de Harappa, no vale do Indo; por isso os autores o veem como provável espécie silvestre. Parte das fibras estava tingida em várias cores. O sítio já tinha, como os autores lembram, cerâmica Ubaid, obsidiana, conchas do Nilo e do Mediterrâneo e o furador de cobre; para eles, o algodão acrescenta mais uma peça aos contatos de longa distância, possivelmente até o Indo. (Liu et al. 2022)
Fontes
- Liu, Li; Levin, Maureece J.; Klimscha, Florian; Rosenberg, Danny (2022). "The earliest cotton fibers and Pan-regional contacts in the Near East". Frontiers in Plant Science 13: 1045554. DOI 10.3389/fpls.2022.1045554 (resolve em doi.org). Texto completo baixado pela API do Europe PMC, PMC9772618, em 29/10/2026. Acessar
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