Emirados Árabes Unidos: formação da federação
2 dez. 1971 (al-Sayegh 2001; Heard-Bey 2016) · Península Arábica
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Federação criada em 2 de dezembro de 1971 por seis dos sete Estados da Trégua (Ras al-Khaimah aderiu em 1972), emirados do Golfo ligados à Grã-Bretanha por tratados. No mesmo dia, esses tratados foram cancelados e o novo Estado assinou um tratado de amizade com os britânicos; para Smith (2018), a união nasceu sobretudo da iniciativa dos governantes de Abu Dhabi e de Dubai.
Dos acordos de exclusividade ao anúncio de 1968
O portal oficial do governo dos Emirados resume a relação com os britânicos em duas etapas. Depois de derrotarem os Qawasim em 1820, eles firmaram até 1853 acordos com os xeques de cada emirado, que se obrigavam a manter a paz no mar e a não construir navios grandes nem fortificações na costa. Em 1892 vieram os Acordos de Exclusividade: os emirados não podiam ceder território a ninguém além do Reino Unido nem tratar com governos estrangeiros sem consentimento britânico, e em troca seriam defendidos. Allawi e Ahmad (2022), da Universidade de Anbar, no Iraque, mostram como esse arranjo acabou. Pelo Livro Branco de fevereiro de 1966, Londres prometeu a independência de Áden e levou suas tropas para bases no Bahrein, em Sharjah e em Omã; em 16 de janeiro de 1968, Harold Wilson anunciou a saída do Golfo até o fim de 1971, alegando sobretudo a crise econômica e o custo militar a leste de Suez. Os xeques pediram que os britânicos ficassem e se ofereceram para ajudar a pagar as tropas; o Irã, ao contrário, recebeu bem a decisão. (Portal oficial do Governo dos Emirados Árabes Unidos; Allawi e Ahmad 2022)
De nove emirados a sete: Bahrein e Catar seguem sozinhos
Em 18 de fevereiro de 1968, Zayed bin Sultan, de Abu Dhabi, e Rashid bin Saeed Al Maktoum, de Dubai, reuniram-se em Al Samha e, segundo Allawi e Ahmad (2022), formaram uma união de dois emirados aberta aos demais. De 25 a 27 de fevereiro, os governantes de nove Estados fizeram em Dubai uma conferência que aprovou um acordo de onze pontos, base do projeto de Federação dos Emirados Árabes (portal do governo dos EAU); o Ministério das Relações Exteriores do país lembra que Zayed e Rashid queriam incluir o Catar e o Bahrein. Para os autores iraquianos, o projeto esbarrou na reivindicação iraniana sobre o Bahrein, e o enviado britânico William Luce passou a pressionar a ilha a se tornar independente sozinha. Eles interpretam que Londres não queria uma união de nove e usou a reivindicação como pretexto, com receio de ver o petróleo concentrado num só Estado. O rei Faisal, da Arábia Saudita, defendia a união de nove, liderada por Bahrein e Catar e não por Abu Dhabi. O Catar atrelou sua independência à do Bahrein: este a declarou em 14 de agosto de 1971, e o Catar, em setembro. (Allawi e Ahmad 2022; Portal oficial do Governo dos Emirados Árabes Unidos; Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos)
Abu Musa e as Tunbs: ilhas perdidas na véspera
Allawi e Ahmad (2022), que trabalham com documentos britânicos e norte-americanos, descrevem o preço da renúncia iraniana ao Bahrein: o governo do xá passou a reivindicar a Grande Tunb, a Pequena Tunb e Abu Musa, ligadas aos emirados de Ras al-Khaimah e de Sharjah, e Londres pressionou os governantes para fechar o assunto antes da retirada. Em outubro de 1970, o rei Faisal e o chanceler iraniano Zahedi combinaram em Riad resolver a questão sem uso da força; para os autores, a Arábia Saudita acabou cedendo sob pressão britânica e iraniana. Em 29 de novembro de 1971, o governante de Sharjah aceitou um acordo que permitia ao Irã controlar Abu Musa; no dia seguinte, tropas iranianas ocuparam as duas Tunbs, e o governante de Ras al-Khaimah recusou-se a reconhecer o que chamou de ocupação. Faltava um dia para o fim do tratado de proteção britânico. Londres limitou-se a lamentar, dizendo não estar pronta para uma guerra com o Irã, e Riad não reagiu. A leitura do episódio é dos autores iraquianos; o ponto de vista iraniano não está nas fontes lidas. (Allawi e Ahmad 2022)
Pérolas, petróleo e uma federação de seis, depois sete
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados liga a federação à virada econômica do século XX. A pesca de pérolas, que sustentava a costa e combinava, para muitos habitantes, o mergulho no verão com o cuidado das tamareiras no inverno, foi arruinada pela depressão do fim dos anos 1920 e pela pérola cultivada japonesa. As primeiras equipes de geólogos chegaram no início dos anos 1930, e Abu Dhabi exportou sua primeira carga de petróleo em 1962. Zayed, governante de Abu Dhabi desde 1966, ampliou a contribuição do emirado ao Fundo de Desenvolvimento dos Estados da Trégua, do qual se tornou o maior doador; Dubai, sob Rashid, apostou no transporte marítimo e começou a exportar petróleo em 1969. Segundo o portal do governo, em 18 de julho de 1971 os governantes de seis dos sete emirados, sem Ras al-Khaimah, decidiram criar a união e a declararam Estado soberano e parte do mundo árabe. O ministério registra que Ras al-Khaimah aderiu no ano seguinte. (Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos; Portal oficial do Governo dos Emirados Árabes Unidos)
Fontes
- al-Sayegh, F. (2001). "Domestic Politics in the United Arab Emirates: Social and Economic Policies, 1990–2000". In: Kechichian, J. A. (org.). Iran, Iraq, and the Arab Gulf States. Palgrave Macmillan, 161–175. DOI 10.1007/978-1-349-63443-9_10. Acessar
- Heard-Bey, F. (2016). "Federation as a Political Process: The Case of the United Arab Emirates". In: Heard-Bey, F. Abu Dhabi, the United Arab Emirates and the Gulf Region. Gerlach Press, 188–198. DOI 10.1017/9783959940016.019; ISBN 9783959940016. Acessar
- Smith, S. C. (2018). "Failure and success in state formation: British policy towards the Federation of South Arabia and the United Arab Emirates". In: Britain and State Formation in Arabia 1962–1971. Routledge, 83–96. DOI 10.4324/9781315150338-6. Acessar
- Allawi, A. A. (علاوي، علي عادل); Ahmad, M. Y. (أحمد، محمد يحيى) (2022). "الانسحاب البريطاني من الخليج العربي 1968-1971 وأثره على العلاقات البريطانية-السعودية". مجلة جامعة الأنبار للعلوم الإنسانية 19(2): 1209–1223. DOI 10.37653/juah.2022.174763. Acessar
- Portal oficial do Governo dos Emirados Árabes Unidos, "History". https://u.ae/en/about-the-uae/history (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, "History". https://www.mofa.gov.ae/en/the-uae/history (consultado em 07/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Poço Dammam nº 7 produção comercial em 4 mar. 1938 (Saudipedia)
- Pacto de Dir'iyah (1744): aliança entre Ibn Saud e Ibn 'Abd al-Wahhab 1744 (ano dado por Meilanda e pelo Wikidata; mês e dia não declarados nas fontes lidas)
- Café do Iêmen no séc. XVII: plantio ampliado, mercado de Bayt al-Faqih e exportação por Mocha de meados do séc. XVII (mercado central de café criado em Bayt al-Faqih; comércio regular com portos europeus) até o fim do séc. XVII, quando, segundo Al-Shahrani, o comércio do café atingiu o auge no Iêmen
- Tomada de Mascate e expulsão dos portugueses de Omã 1650
- Fim do primeiro domínio otomano no Iêmen e ascensão do imamado zaidita Qasimi (1629-1635) 1629 (Sanaa entregue ao imame Mu'ayyad) a 22 de outubro de 1635 (os otomanos partem de Mocha)
- Kitāb al-Fawāʾid (1490): o tratado de navegação de Ahmad ibn Majid escrito em 895 da hégira (1490), segundo a TDV; o local de redação não consta da fonte lida