Atlas da História

Poço Dammam nº 7

produção comercial em 4 mar. 1938 (Saudipedia) · Península Arábica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Primeiro poço de petróleo comercial da Arábia Saudita, que entrou em produção em 1938. Abriu a era do petróleo no reino de Ibn Saud.

Uma colina de sal sob Dhahran

O poço foi aberto no domo de Dammam, colina oval de c. 14 por 9 km e no máximo 150 m de altura, sobre a qual hoje estão Dhahran, Khobar e parte de Dammam, com a sede da Saudi Aramco e o campus da Universidade Rei Fahd de Petróleo e Minerais. Chavanidis et al. (2022), dessa universidade, explicam que domos assim prendem hidrocarbonetos e que o núcleo deste seria o sal de Hormuz, camada de 10 a 12 km de profundidade que também forma o domo de Awali, sob a ilha do Bahrein; o domo de Dammam subiu até 7,5 m por milhão de anos, sobretudo no Cenozoico. Os autores lembram que os levantamentos geofísicos da indústria seguem confidenciais e que as medições gravimétricas iniciadas em 1939 nunca foram publicadas. A ligação com o Bahrein aparece também na Saudipédia: o poço nº 2 foi levado a 633 m porque era a profundidade em que o óleo surgia na geologia bareinita, e o nº 7 só achou petróleo a c. 1.440 m, no calcário poroso da formação Arab. (Chavanidis et al. 2022; Saudipedia)

Seis poços frustrados antes do sétimo

A Saudipédia, enciclopédia oficial saudita que cita a Saudi Aramco e a agência de notícias do país, narra a busca. Os primeiros geólogos chegaram em 23 de setembro de 1933 e estudaram por dois anos as colinas de Dhahran sem resultado. O poço nº 1, iniciado em 30 de abril de 1935 com sonda de percussão a cabo, deu um jato de gás e sinais de óleo a c. 700 m, mas uma falha de equipamento obrigou a vedá-lo com cimento. O nº 2, começado em 8 de fevereiro de 1936, chegou a 633 m em maio; testado em junho, rendeu 335 barris por dia, e 3.840 depois de tratado com ácido. O otimismo levou a perfurar logo os nº 3 a 6 e, em julho, a preparar o nº 7 como poço de teste profundo; em 1936 a obra chegou a empregar 1.076 sauditas e 62 estrangeiros. Vieram então os fracassos: o nº 1 não produziu abaixo de 975 m, o nº 2 dava oito a nove vezes mais água que óleo, o nº 3 não passava de cem barris diários de óleo pesado e os nº 4, 5 e 6 ficaram secos. (Saudipedia)

Março de 1938: do jorro ao primeiro navio-tanque

Segundo a mesma fonte, o nº 7 começou a ser perfurado em 7 de dezembro de 1936. Em 16 de outubro de 1937, a 1.097 m, a lama de perfuração trouxe 5,7 litros de óleo e algum gás; no último dia daquele ano o poço escapou ao controle e expeliu seus fluidos, sem revelar grande quantidade de petróleo a 1.382 m. Na primeira semana de março de 1938, a 1.440 m, apenas 60 m antes da profundidade prevista pelos geólogos, veio o resultado: 1.585 barris em 4 de março e 3.690 no dia 7, chegando a 3.810 cerca de duas semanas depois. Os poços 2 e 4, aprofundados até a mesma formação, também passaram a produzir. O anúncio oficial da descoberta comercial só saiu depois de outubro de 1938. Em 1939, com o oleoduto de 69 km até Ras Tanura pronto, o rei Abdulaziz abriu a válvula que encheu o navio-tanque D. G. Scofield, e a primeira carga de petróleo saudita partiu em 1º de maio. O poço operou 45 anos, rendeu 32.436.877 barris e foi fechado em 1982; em 2008 o rei Abdullah o rebatizou de Poço da Prosperidade (Bi'r al-Khair). (Saudipedia)

Do contrato de 1933 às fronteiras no deserto

Kurşun e Şeker (2017), pesquisadores turcos, situam a descoberta na disputa anglo-americana pelo petróleo do Oriente Médio. Pelo acordo da Linha Vermelha, de 1928, os britânicos tentaram conter as companhias dos EUA, mas em 1933 o rei saudita deu à Standard Oil of California o direito de procurar petróleo e, se o achasse, extraí-lo e vendê-lo. O óleo apareceu pouco antes da Segunda Guerra Mundial, e a guerra adiou a transformação do país em grande exportador. Os autores retomam a observação de Robin Bidwell de que as disputas de fronteira na Arábia começaram com as companhias de petróleo: antes, ninguém precisara traçar limites no deserto, mas as concessões exigiam linhas. Em 1935 o governo saudita reivindicou boa parte do Rub' al-Khali, e os britânicos responderam com a chamada Linha de Riad, sem acordo até 1938. Em 1949 a companhia da concessão de 1933 fez trabalho de campo ao norte dessa linha, escoltada por soldados sauditas, o que abriu caminho para a crise de Buraimi; em 1951, um acordo com Washington criou a base americana de Dhahran. (Kurşun e Şeker 2017)

Fontes

  1. Saudipedia, "Dammam No. 7". https://saudipedia.com/en/dammam-no.-7 (consultado em 07/10/2026) Acessar
  2. Al-Rasheed, M. (2010). A History of Saudi Arabia. Cambridge University Press. DOI 10.1017/cbo9780511993510. Acessar
  3. Chavanidis, K.; Stampolidis, A.; Kirmizakis, P.; Tranos, M. et al. (2022). "Gravity Survey on the Oil-Bearing Dammam Dome (Eastern Saudi Arabia) and Its Implications". Remote Sensing 14(3): 735. DOI 10.3390/rs14030735. Acessar
  4. Kurşun, Z.; Şeker, C. T. (2017). "Basra Körfezi’nde İngiliz - Amerikan Rekabeti: Bureymi Krizi’nden Bermuda Konferansı’na Körfez’de Güç Değişimi (1950-1957)". FSM İlmî Araştırmalar İnsan ve Toplum Bilimleri Dergisi 10: 235–266. DOI 10.16947/fsmia.372641. Acessar

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