Pacto de Dir'iyah (1744): aliança entre Ibn Saud e Ibn 'Abd al-Wahhab
1744 (ano dado por Meilanda e pelo Wikidata; mês e dia não declarados nas fontes lidas) · Península Arábica
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Em 1744, em Dir'iyah, no Négede, o emir Muhammad ibn Saud e o pregador Muhammad ibn 'Abd al-Wahhab selaram uma aliança em que o segundo ficava com a autoridade religiosa e o primeiro com o comando político e militar. Segundo a pesquisadora indonésia Yolfani Meilanda, o acordo transformou um movimento de reforma religiosa numa força política, base do Primeiro Estado saudita, que desafiou a legitimidade otomana e foi destruído por uma expedição em 1818. Os termos exatos do pacto, como registrados nas crônicas árabes da época, não foram lidos.
O Négede antes da aliança
Meilanda descreve o Négede do século XVIII como região de estrutura tribal forte e relativamente isolada dos centros de saber islâmico, como Hejaz e Istambul, onde a influência otomana no interior era pouco eficaz. A religião se praticava, diz a autora, por tradição herdada, com costumes como o culto de santos, o uso de amuletos e as visitas a túmulos que a pregação de Ibn 'Abd al-Wahhab condenava. Segundo o artigo, ele estudou em Basra e no Hejaz, teve contato com a tradição hanbalita e escreveu o Kitab at-Tawhid, em que rejeitava toda intermediação no culto. Meilanda atribui o apoio inicial ao movimento também ao desejo de ordem num ambiente de conflitos entre grupos. (Meilanda 2026)
A divisão de papéis e a expansão
Para Meilanda, o acordo de Dir'iyah repartiu funções: Ibn 'Abd al-Wahhab teria a autoridade religiosa e Ibn Saud, o poder político e militar. Ele recebia proteção para sua missão, e o emir ganhava legitimidade religiosa para consolidar o território. A autora vê no arranjo o modelo ideal de relação entre ulemás e emires da tradição islâmica. Depois da aliança, a expansão alcançou, segundo o artigo, áreas estratégicas do Négede, entre elas Riade e Qasim, com resistências locais. A autora anota que o Primeiro Estado saudita tinha Dir'iyah por centro e que religião e Estado se fundiram num só sistema. (Meilanda 2026)
Do Hejaz a 1818
Meilanda situa o ápice do conflito com os otomanos em 1811–1818. Os wahhabitas controlaram Meca e Medina no início do século XIX, o que feriu a posição do sultão como Servidor das Duas Cidades Santas. O sultão Mahmud II incumbiu Muhammad Ali, governador do Egito, de restaurar o domínio no Hejaz. As tropas egípcias de Tusun Paşa iniciaram as operações em 1811 e retomaram Meca em 1813. Em 1818 as forças de Ibrahim Paşa cercaram e destruíram Dir'iyah, e Abdullah ibn Saud foi capturado e executado em Istambul. Segundo a autora, os Saud refizeram o poder com um Segundo Estado saudita em Riade, em 1824. (Meilanda 2026)
Fontes
- Meilanda, Y. (2026). "The Saudi–Ottoman Conflict and the Rise of Religious-Political Power in Arabia" [no site da revista: "Wahhabi–Ottoman Conflict and the Rise of Religious-Political Power in Arabia"]. Thaqāfiyyāt: Jurnal Bahasa, Peradaban dan Informasi Islam 25(1). DOI 10.14421/thaq.2026.25106. Artigo de revisão da literatura, em inglês, da UIN Sunan Gunung Djati (Bandung); acesso aberto. Acessar
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