Formação Ischigualasto: dinossauros e seus vizinhos do Triássico
de c. 229,2 a 226,9 milhões de anos atrás, intervalo com fósseis (Desojo et al. 2020) · Cone Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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No oeste da Argentina, a Formação Ischigualasto reúne répteis do Triássico Superior, entre eles dinossauros do grupo dos herrerassaurídeos. Datações de cinzas vulcânicas colocam o intervalo fossilífero entre cerca de 229 e 227 milhões de anos atrás.
Um relógio feito de cinzas vulcânicas
Desojo e colegas, de instituições da Argentina, do Brasil e dos Estados Unidos, estudaram uma sucessão estendida da formação em Cerro Las Lajas, na província de La Rioja. Três camadas de tufo (cinza vulcânica endurecida) foram datadas pelo método urânio-chumbo em cristais de zircão, o que permitiu construir um modelo bayesiano de idades. A formação teria se depositado entre 230,2 ± 1,9 e 221,4 ± 1,2 milhões de anos atrás, e o intervalo com fósseis, entre 229,20 e 226,85 milhões de anos. O resultado substitui datações anteriores por argônio-argônio. (Desojo et al. 2020)
Quem viveu ali
Mais de cem fósseis de tetrápodes (animais de quatro membros) foram coletados de novo no local, somados a achados antigos como o suposto ornitísquio Pisanosaurus mertii. A seção é dividida em uma zona inferior de Hyperodapedon e outra superior de Teyumbaita, nomes de rincossauros (répteis herbívoros do Triássico), o que permite comparar com a Bacia do Paraná, no Brasil. No Parque Provincial de Ischigualasto, a zona fossilífera tem o nome Scaphonyx-Exaeretodon-Herrerasaurus. Herrerasaurus ischigualastensis e Sanjuansaurus gordilloi, dois herrerassaurídeos, vêm da formação, segundo Pacheco et al. 2019. (Desojo et al. 2020; Pacheco et al. 2019)
Dinossauros ainda raros e o clima em mudança
Desojo et al. atribuem cerca de 229 milhões de anos a Pisanosaurus e dizem que isso preenche em parte a lacuna entre registros mais jovens de ornitísquios e os saurísquios conhecidos de cerca de 233 milhões de anos. Os autores veem a formação como parte de um período de transição: faunas de rincossauros, proterocampsídeos e herrerassaurídeos foram trocadas depois por faunas com sauropodomorfos plateossaurianos, e o início do Noriano teria trazido mais umidade, depois de um período mais árido que sucedeu o Episódio Pluvial Carniano. A paleontologia argentina tem papel central nesse quadro. (Desojo et al. 2020)
Fontes
- Desojo, J. B.; Fiorelli, L. E.; Ezcurra, M. D.; Martinelli, A. G. et al. (2020). "The Late Triassic Ischigualasto Formation at Cerro Las Lajas (La Rioja, Argentina): fossil tetrapods, high-resolution chronostratigraphy, and faunal correlations". Scientific Reports 10: 12782. DOI 10.1038/s41598-020-67854-1. Acessar
- Pacheco, C.; Müller, R. T.; Langer, M.; Pretto, F. A. et al. (2019). "Gnathovorax cabreirai: a new early dinosaur and the origin and initial radiation of predatory dinosaurs". PeerJ 7: e7963. DOI 10.7717/peerj.7963. Acessar
- International Commission on Stratigraphy (2026). International Chronostratigraphic Chart, v2026/06. https://stratigraphy.org/chart (consultado em 07/10/2026). Acessar
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