Atlas da História

Arroyo Seco 2 (Pampa argentina): um lugar de enterramento recorrente e a ancestralidade da paisagem (c. 8550 a 7300 cal AP)

c. 8550 a 7300 cal AP (c. 6600 a 5300 a.C.) para o núcleo de enterramentos do setor A; o sítio continua a receber sepultamentos até c. 4950 cal AP · Cone Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em Arroyo Seco 2, perto de Tres Arroyos (província de Buenos Aires), 50 indivíduos foram enterrados ao longo de cerca de 3600 anos, a partir de c. 8550 anos cal AP. Scabuzzo e Politis (2024) entendem o sítio como lugar de ocupação persistente, onde enterros primários, alguns secundários e adornos elaborados teriam feito o lugar ganhar ancestralidade. A curva de datas mostra dois picos de enterros, c. 8400 e c. 7800 cal AP, e um intervalo de 7400 a 6400 cal AP cuja causa os autores dizem não poder definir.

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O sítio e a cronologia dos enterros

Arroyo Seco 2 fica sobre uma lomada entre um braço do arroio Tres Arroyos e uma pequena laguna, na área interserrana de Buenos Aires, em um ponto equidistante dos sistemas serranos de Tandilia e Ventania e a cerca de 50 km da costa atlântica. É um sítio multicomponente, com ocupações do Pleistoceno tardio ao Holoceno tardio. Desde 1979, 318 m² foram escavados. Os autores consideram 56 datas em osso humano para o recorte cronológico, entre 7819 ± 61 e 4430 ± 45 anos AP (8779–4951 cal AP). O setor A foi usado de modo recorrente entre 8779 e 7274 cal AP, e depois há um único sepultamento, AS48, em c. 6353–6182 cal AP. (Scabuzzo e Politis 2024)

Três pulsos e dois hiatos

A curva de soma de probabilidades mostra três pulsos de enterramento separados por dois hiatos. O primeiro é o mais denso, com picos em c. 8400 e c. 7800 cal AP; o segundo e o terceiro são mais fracos. O primeiro hiato, mais longo, vai de 7400 a 6400 cal AP, e o segundo, de 6000 a 5600 cal AP. Os autores avisam que, com os dados atuais, não se sabe se são interrupções do enterramento ou resultado de amostragem, pois o sítio não foi escavado todo e há indícios de mais inumações. O terceiro pulso, no setor B, reúne cinco crianças e infantes enterrados entre c. 5500 e 4950 cal AP, sem ligação com nenhuma ocupação residencial; os autores sugerem que o lugar teria então outra função, ligada ao enterro dos mortos. (Scabuzzo e Politis 2024)

Adornos, símbolos e marcas de violência

O acompanhamento funerário inclui contas, pingentes de valvas marinhas do litoral atlântico e de caninos de canídeos e felinos, cristais de quartzo, bolas de boleadeira e instrumentos de osso. Segundo os autores, os carnívoros quase não aparecem na fauna comida no sítio, o que indica uso ritual e reforça o papel desses animais na cosmologia pampeana. Algumas tumbas foram marcadas com blocos de tosca. Treze pontas de projétil triangulares atingiram cinco indivíduos, quatro homens adultos e uma jovem, nos primeiros momentos de uso funerário, entre c. 8816 e 7942 cal AP, o que Scabuzzo e Politis consideram a evidência mais antiga de violência interpessoal entre os grupos pampeanos. (Scabuzzo e Politis 2024)

Fontes

  1. Scabuzzo, Clara; Politis, Gustavo G. (2024). "Bioarqueología de los cazadores-recolectores tempranos de la región pampeana. Nuevos datos del sitio Arroyo Seco 2 (provincia de Buenos Aires, Argentina)". Chungara Revista de Antropología Chilena 56(2): 203-224. Texto bruto lido em PDF aberto da revista (Universidad de Tarapacá), em 29/10/2026.

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