Cueva de las Manos (rio Pinturas)
c. 9.300 a 1.300 anos atrás (UNESCO, justificativa) · Cone Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Abrigos pintados no cânion do rio Pinturas, na província de Santa Cruz, Patagônia argentina, com negativos de mãos, guanacos e cenas de caça feitos entre c. 9.300 e 1.300 anos atrás, segundo a UNESCO. Aschero e Schneier (2023) leem a repintura repetida, sem cobrir as imagens antigas, como um arquivo de memória coletiva.
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Uma área de caça de 36 km² no alto rio Pinturas
Aschero e Schneier (2023) descrevem o entorno da caverna como uma área de caça de 36 km² na margem oeste do alto rio Pinturas. Durante milênios, três cânions laterais (cañadas) serviram de "mangas" para conduzir, interceptar e capturar guanacos, e pontos de lascamento perto de suas cabeceiras e desembocaduras marcam os lugares de captura. A caverna era um ponto num circuito sazonal de mobilidade que passava por Cerro Casa de Piedra, Cueva Grande e outros abrigos, com fontes de pedra no caminho: sílex na laguna Cisnes e obsidiana da Pampa del Asador, muito apreciada para lascar e explorada desde o início do Holoceno. Segundo a UNESCO, o bem inscrito ocupa 600 hectares, com zona de amortecimento de 2.338 hectares, e o hábitat em volta ainda abriga os animais pintados nas paredes. (Aschero e Schneier 2023; UNESCO, lista nº 936)
Uma sequência de estilos de c. 9.400 a 2.500 anos AP
A sequência proposta por Aschero e Schneier começa com o estilo Escenas A1, em ocre, de c. 9.400 a 8.900 anos AP, associado a uma fogueira da camada 6 datada de 9.320 ± 90 AP; a análise dos pigmentos indicou gesso como fixador. Na escavação de 2015, uma série de pinturas em preto apareceu como anterior a fogueiras de 9.030 e 8.890 AP, e uma série vermelha se situa entre c. 9.000 AP e algum momento entre 7.800 e 6.900 AP. As pinturas brancas do estilo A5, de c. 7.700 a 6.800 AP, coincidem com as erupções dos vulcões Hudson e Mentolat. Seguem-se os estilos Cueva Grande e Charcamata, de c. 6.000 a 3.400 AP, e os mais tardios, até c. 3.100 a 2.500 AP. A UNESCO dá duas faixas distintas para a arte, 13.000 a 9.500 anos na descrição curta e 9.300 a 1.300 anos na justificativa, e situa a última ocupação por volta de 700 d.C., por possíveis ancestrais dos tehuelches. (Aschero e Schneier 2023; UNESCO, lista nº 936)
Mãos de adultos e crianças, quase sempre esquerdas
O levantamento de Gradin e colegas, de 1976, contou 1.139 motivos nos sítios II a IV, dos quais 817 eram negativos de mãos, com 167 superposições, num palimpsesto de cerca de 320 m de paredes. As mãos foram feitas soprando tinta ou aplicando-a com tampão, e há mãos de diferentes idades, inclusive de crianças. Numa amostra de 123 negativos do vestíbulo, 70% eram de mãos esquerdas. Aschero e Schneier levantam a hipótese de que as mãos marcassem identidade e pertencimento a uma linhagem. A repetição dos estilos Escenas em outros abrigos funcionaria como uma "marka" territorial, termo andino que indica as terras de certas linhagens, com a caverna como nó simbólico. Temas como a dança, que aparece por quase 4.600 anos, e as guanacas prenhes, maiores que os demais animais, mostram uma persistência que os autores ligam à memória coletiva. (Aschero e Schneier 2023)
Pigmentos minerais e proteção do sítio
Segundo a UNESCO, as pinturas usaram pigmentos minerais moídos e misturados com algum aglutinante: óxidos de ferro para o vermelho e o roxo, caulim para o branco, natrojarosita para o amarelo e óxido de manganês para o preto. Na entrada, um paredão de rocha é coberto de mãos, e dentro do abrigo há cinco concentrações de arte, com figuras recentes muitas vezes sobrepostas às antigas. A sequência tem três grandes grupos estilísticos. O sítio foi inscrito como Patrimônio Mundial em 1999, pelo critério (iii). A umidade muito baixa e a rocha estável conservaram bem a maioria das pinturas, mas o aumento do turismo na Patagônia trouxe pichações, retirada de fragmentos pintados e contato com as superfícies, danos que medidas de proteção vêm reduzindo. (UNESCO, lista nº 936)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Cueva de las Manos, Río Pinturas", lista nº 936. https://whc.unesco.org/en/list/936/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Aschero, C.; Schneier, P. (2023). "Ese asunto de volver: producción y significación en el arte rupestre de Cueva de las Manos, Patagonia meridional andina". Boletín del Museo Chileno de Arte Precolombino 28(2): 91–110. DOI 10.56522/bmchap.0050020280003. Acessar
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