Monte Verde
c. 14.500 anos cal AP para o nível aceito MV-II (Dillehay et al. 2015); horizontes de c. 18.500–14.500 cal AP (talvez até 19.000) são contestados · Cone Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Sítio no sul do Chile cujo nível MV-II foi datado de cerca de 14.500 anos calibrados antes do presente; horizontes mais antigos, de até c. 18.500 anos, seguem contestados. Restos de algas marinhas, usadas como alimento e remédio, ligam o sítio aos recursos do litoral e ao debate sobre o povoamento da América do Sul.
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Uma moradia à beira do riacho Chinchihuapi
O acampamento MV-II, datado de c. 14.500 anos cal AP por Dillehay et al. (2015), está enterrado no terraço norte do riacho Chinchihuapi, que se formou por volta de 15 mil anos atrás. Dele vêm restos de uma longa moradia em forma de tenda, a fundação de uma segunda estrutura, fogueiras, pegadas humanas, plantas de uso econômico e objetos de madeira, junco, osso e pedra. Há poucas pontas bifaciais e mós; a maior parte das peças são seixos lascados com gume retocado, pedras de funda e boleadeiras com sulco. Nas primeiras escavações, no fim dos anos 1970, áreas pequenas revelaram uma ferramenta bifacial, algumas lascas e ossos de gonfotérios; só os blocos maiores abertos nos anos 1980 expuseram a ocupação estruturada. Um nível mais profundo, MV-I, com c. 33 mil anos, era escasso demais para ser confirmado ou descartado como sítio arqueológico. (Dillehay et al. 2015)
Algas do litoral num acampamento do interior
Dillehay et al. (2008) identificaram nove espécies de algas marinhas em fogueiras e outras estruturas do MV-II, datadas diretamente entre 14.220 e 13.980 anos cal AP. As algas vinham de praias e estuários distantes e serviam de alimento e remédio, o que, segundo os autores, é consistente com um povoamento inicial ao longo do litoral do Pacífico. Dillehay et al. (2015) acrescentam que o MV-II reunia recursos que iam das estepes argentinas ao litoral do Pacífico. Como parece improvável que um só grupo conhecesse tão bem plantas medicinais e algas espalhadas por áreas tão vastas, os autores propõem que esse saber circulasse por redes de troca entre grupos diferentes, ativas pelo menos desde 14.500 anos atrás. Nessa hipótese, a presença de materiais vindos de longe se explica tanto pela coleta direta quanto pelo intercâmbio. (Dillehay et al. 2008; Dillehay et al. 2015)
Horizontes de 2013: até c. 18.500 anos atrás?
Em 2013, uma escavação exploratória planejada com o Conselho de Monumentos Nacionais do Chile abriu áreas no MV-I, numa planície de outwash glacial (sandur) do sistema de Llanquihue. Os autores registraram doze pequenas áreas queimadas, com lentes de cerca de 33 por 42 cm em média, contendo ossos, lascas produzidas por pessoas e pedras trazidas de fora. Datações por radiocarbono e luminescência situam esses horizontes entre pelo menos c. 18.500 e 14.500 anos cal AP, talvez até 19 mil. Os próprios autores admitem que parte desse material, disperso e de baixa densidade, pode não atender aos critérios tradicionais de sítio antigo válido, como áreas de atividade contínuas e conjuntos de pontas bifaciais. A interpretação proposta é a de ocupações breves e sazonais de pequenos grupos, em clima frio, nos meses mais quentes; trata-se de hipótese, não de consenso. (Dillehay et al. 2015)
Pedras de longe e o abandono de Clovis primeiro
Mais de um terço das ferramentas ligadas aos horizontes antigos é de material de fora da região, e entre as pedras trazidas há discos de quartzo e quartzito que não ocorrem em Monte Verde, provavelmente de praias do Pacífico; os autores leem isso como sinal de grande mobilidade ou de trocas a longa distância. Dillehay et al. (2015) registram um consenso crescente de que pessoas chegaram à América do Norte há 15 mil anos ou antes, e de que o modelo Clovis primeiro, com entrada há uns 13 mil anos, já não explica a evidência. Ficam abertas as perguntas sobre quantas migrações houve e se elas seguiram por terra, pelo litoral ou pelos dois caminhos. Monte Verde entra nesse debate ao lado de sítios como a Caverna da Pedra Pintada, as Cavernas Bluefish e o Sítio Mesa. (Dillehay et al. 2015)
Fontes
- Dillehay, T. D.; Ramírez, C.; Pino, M.; Collins, M. B. et al. (2008). "Monte Verde: Seaweed, Food, Medicine, and the Peopling of South America". Science 320: 784–786. DOI 10.1126/science.1156533. Acessar
- Dillehay, T. D.; Ocampo, C.; Saavedra, J.; Sawakuchi, A. O. et al. (2015). "New Archaeological Evidence for an Early Human Presence at Monte Verde, Chile". PLoS ONE 10(11): e0141923. DOI 10.1371/journal.pone.0141923. Acessar
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