Genomas antigos do Cone Sul central: a linhagem da Argentina Central, com indivíduo de c. 8500 anos atrás, e oito milênios de continuidade
c. 8500 cal AP (c. 6550 a.C.) para o indivíduo mais antigo da linhagem da Argentina Central (rótulo "JesusMaria_8500BP"), datado por radiocarbono calibrado (OxCal 4.4, IntCal20 do Hemisfério Sul); o artigo mostra a linhagem presente até c. 150 AP · Cone Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 2025, uma equipe de pesquisadores argentinos e de instituições de outros países publicou na Nature dados genômicos de 238 indivíduos antigos do Cone Sul central, ao longo de dez milênios. Segundo os autores, a maior parte das pessoas de 4600 a 150 anos atrás descende de uma linhagem profunda antes desconhecida, cujo representante mais antigo é um indivíduo de cerca de 8500 anos atrás, na Argentina Central. Eles dizem que essa ancestralidade persistiu por milhares de anos na região sem evidência de migração entre regiões, e que a linhagem se misturou depois com a dos Andes Centrais, a das florestas tropicais e a dos Pampas.
Leia sobre isto
Quem foi sequenciado e como
Segundo Maravall-López e colegas (2026), o Cone Sul central, que cobre o centro e o norte da Argentina, desde os Andes a oeste até as planícies fluviais a leste, é uma das últimas regiões do mundo a serem povoadas e tem poucos dados de DNA antigo. A equipe gerou dados genômicos de 238 indivíduos antigos, ao longo de dez milênios, que passaram no controle de qualidade, e os comparou com 588 indivíduos indígenas das Américas anteriores ao contato europeu já publicados. Foram obtidas 35 novas datas diretas de radiocarbono por espectrometria de massa em ossos, calibradas com o programa OxCal 4.4 e a curva IntCal20 do Hemisfério Sul, sem correção de efeito de reservatório marinho, porque as dietas eram terrestres. (Maravall-López et al. 2026)
Três linhagens e um indivíduo de 8500 anos
Os autores combinaram dados novos e publicados com três indivíduos de antes de 8500 anos atrás: Laguna de los Pampas (c. 10.000 AP), Peñas de las Trampas 1.1 (c. 8800 AP), no noroeste, e o de c. 8500 AP da Argentina Central. Com estatísticas f4 (um método de comparação de ancestralidade), eles apontam ao menos três linhagens profundas no Holoceno Médio no Cone Sul central: uma que se agrupa com a ancestralidade dos Andes Centrais desde c. 9000 AP, uma dos Pampas no Holoceno Médio, com Arroyo Seco 2 (c. 7700 AP) entre os primeiros, e a da Argentina Central, cujo indivíduo mais antigo amostrado é o de c. 8500 AP. Para os autores, o indivíduo de 10.000 AP indica que a diferenciação em relação aos Andes Centrais e ao centro-leste do Brasil já havia começado. (Maravall-López et al. 2026)
Continuidade, misturas e cuidados
Para os autores, indivíduos de 4600 a 150 anos atrás descendem sobretudo da linhagem da Argentina Central, que persistiu por milhares de anos na região sem sinal de migração entre regiões. Essa ancestralidade se misturou com a dos Pampas por 3300 AP, tornando-se majoritária ali depois de 800 AP, com a dos Andes Centrais no noroeste argentino e com a de florestas tropicais e subtropicais no Gran Chaco. O artigo informa que a pesquisa seguiu as diretrizes éticas da Associação Argentina de Antropologia Biológica e de um grupo internacional, que as amostras saíram do país com autorização e que, em Córdoba, houve apoio do conselho de comunidades indígenas da província. (Maravall-López et al. 2026)
Fontes
- Maravall-López, Javier; Motti, Josefina M. B.; Pastor, Nicolás; Tavella, M. Pía; Fabra, Mariana; Babot, M. Pilar; et al. (2026). "Eight millennia of continuity of a previously unknown lineage in Argentina". Nature 649(8097): 647–656 (publicado em nov. 2025, fascículo de jan. 2026, conforme metadados do PMC). DOI 10.1038/s41586-025-09731-3 (resolve em doi.org). Manuscrito de autor baixado pela API do Europe PMC, PMC12747222, em 29/10/2026; a paginação do texto lido não foi conferida. Acessar
Na mesma região
- Arroyo Seco 2 (Pampa argentina): um lugar de enterramento recorrente e a ancestralidade da paisagem (c. 8550 a 7300 cal AP) c. 8550 a 7300 cal AP (c. 6600 a 5300 a.C.) para o núcleo de enterramentos do setor A; o sítio continua a receber sepultamentos até c. 4950 cal AP
- Cueva de las Manos (rio Pinturas) c. 9.300 a 1.300 anos atrás (UNESCO, justificativa)
- Cerritos de índios de India Muerta (Rocha, Uruguai) c. 5 mil anos atrás (Gazzán et al. 2022) até o séc. XVII (Cabrera Pérez 2005)
- Monte Verde c. 14.500 anos cal AP para o nível aceito MV-II (Dillehay et al. 2015); horizontes de c. 18.500–14.500 cal AP (talvez até 19.000) são contestados
- Complexo El Vergel c. 1000 a 1500–1550 d.C. (Díaz de Aranda 2022; Gajardo 2019)
- Parlamento de Quilín 6 jan. 1641