Atlas da História

A fundação de México-Tenochtitlan e a águia sobre o nopal

registrado em fontes do século XVI, como o Códice Mendoza e crônicas (Johansson 2015) · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Nas fontes mexicas do século XVI, o deus Huitzilopochtli indica aos peregrinos vindos de Aztlán o lugar onde eles devem se fixar: onde vissem uma águia sobre um nopal, numa ilha do lago, no ano 2 casa (1325). A arqueologia do Templo Mayor mostra a cidade, mas a data de 1325 vem das fontes mexicas (Caso calcula 1324), e a visão da águia só aparece nelas.

Códice Mendoza, fólio 2r: fundação de Tenochtitlan
Primeira página pictórica do Códice Mendoza, manuscrito do séc. XVI. Mostra a fundação de Tenochtitlan, com a águia sobre o nopal ao centro, e as conquistas de Colhuacan e Tenayucan nas laterais. Códice Mendoza, fólio 2r: fundação de Tenochtitlan, autoria não registrada na fonte (códice de meados do séc. XVI), meados do séc. XVI. Domínio público. Ver no acervo

As fontes e as datas da peregrinação

Caso reúne as versões da saída de Aztlán, sempre em um ano 1 pedernal, mas com datas diferentes conforme a fonte: 648, 960, 1116, 1168 ou 1220. Pela Tira da Peregrinação (Códice Boturini), a saída foi em 1116 e as andanças duraram 208 anos, quatro ciclos de 52 anos, o que leva a um ano 1 pedernal de 1324 para a fundação e a um novo ciclo para a eleição de Acamapichtli. Para Caso, o ano que leva o nome do deus, Ce tecpatl, era visto como favorável a começos importantes. (Caso)

Os códices e o sinal do nopal

Johansson observa que os códices Boturini e Aubin não mostram de forma explícita as sequências anteriores, e que a fonte do século XVI situa a chegada em 2 casa, 1325, data nunca questionada. No Códice Mendoza (folha 2r) a águia sobre o nopal aparece como eixo do mundo mexica, e o glifo de Tenoch é um nopal. Para ele, a data de 1325 marca o nopal sem a águia, e a águia solar que desce sobre o nopal seria o momento fundador, depois de uma deambulação. (Johansson K. 2015)

O que a arqueologia mostra e não mostra

Chávez e Carrizosa apresentam o Templo Mayor como o principal edifício do Pós-Clássico Tardio e datam o início de Tenochtitlan em 1325, com a etapa II do templo em 1375–1427, sob tributo a Azcapotzalco, e a queda em 1521. Eles notam que os relatos da migração misturam história e narrativa sagrada. Johansson menciona também o argumento de Matos Moctezuma, ligado a um eclipse de 13 de abril de 1325, que poderia reforçar a data, e o rebate com razões simbólicas. (Chávez e Carrizosa Montfort 2004; Johansson K. 2015)

Do símbolo da fundação ao emblema nacional

Caso nota que o símbolo da águia e do nopal, ligado à fundação, tornou-se mais tarde emblema da nação mexicana e figura no escudo do país. Ele lembra que ideias duradouras sobrevivem à destruição da cultura que as criou: a ilha onde a cidade foi fundada hoje fica sob a metrópole. Cita ainda um monumento encontrado nas fundações do Palácio Nacional em que aparece o nopal sob a águia, como parte da longa história do símbolo. (Caso)

Fontes

  1. Caso, A. (2015 [1946]). "El águila y el nopal". Estudios de Cultura Náhuatl 50: 355–369. Reedição na seção Estudios clásicos, Instituto de Investigaciones Históricas, UNAM. https://nahuatl.historicas.unam.mx/index.php/ecn/article/download/77790/68838 Acessar
  2. Johansson K., P. (2015). "1325, año de la fundación de Tenochtitlan" ("La fundación de México-Tenochtitlan. Consideraciones 'crono-lógicas'"). Arqueología Mexicana 135: 70–77. https://arqueologiamexicana.mx/mexico-antiguo/1325-ano-de-la-fundacion-de-tenochtitlan Acessar
  3. Chávez, X.; Carrizosa Montfort, F. (2004). "Templo Mayor de Tenochtitlan". Arqueología Mexicana 65: 76–82. https://arqueologiamexicana.mx/mexico-antiguo/templo-mayor-de-tenochtitlan Acessar

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