Atlas da História

Os Gêmeos Hunahpu e Xbalanque no Popol Vuh

composto entre 1554 e 1558; cópia de Ximénez entre 1701 e 1704 (Christenson 2007) · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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No Popol Vuh, livro dos K'iche' fixado por escrito por volta de 1554–58, os gêmeos Hunahpu e Xbalanque derrotam Sete Arara, vencem os senhores de Xibalba no jogo de bola e restauram só em parte o rosto do pai, cujo coração fica no Jogo de Bola de Esmagar. A arte maia clássica traz os dois gêmeos em vasos e inscrições, e Coe vê imagens desse ciclo já no Pré-Clássico tardio.

Vaso com cena mitológica
Vaso de cerâmica pintado por artista maia do período Clássico com cena mitológica. O Popol Vuh foi escrito séculos depois, mas a cerâmica maia anterior mostra que narrativas sobre seres sobrenaturais já eram pintadas e contadas. Vaso com cena mitológica, Pintor Metropolitano, artista maia, 600–800 d.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Folha de rosto do manuscrito do Popol Vuh
Folha de rosto do mais antigo manuscrito conhecido do Popol Vuh, copiado pelo frei Francisco Ximénez. O texto k’iche’ foi registrado em alfabeto latino no séc. XVI; esta é a cópia que chegou até nós. Folha de rosto do manuscrito do Popol Vuh, Francisco Ximénez, 1701–1704. Domínio público. Ver no acervo

Composição e transmissão do manuscrito

Christenson situa a escrita do Popol Vuh entre 1554 e 1558, porque o texto cita Juan de Rojas e Juan Cortés como governantes vivos, netos dos reis queimados por Alvarado, e dom Pedro de Robles como magistrado, e porque Rojas desaparece dos registros depois de 1558. O original K'iche' não é visto desde o início do século XVIII. Entre 1701 e 1704, o frei dominicano Francisco Ximénez, pároco de Chichicastenango, pediu emprestado o manuscrito aos anciãos que o guardavam em segredo e o copiou, com tradução espanhola. (Christenson 2007)

Os Gêmeos no contexto do livro

Para Christenson, o relato dos Gêmeos ocupa a parte mais antiga da narrativa do livro, que ele situa antes do amanhecer do sol. Sete Arara, que se diz sol e lua por causa do brilho de ouro e prata, é derrubado por Hunahpu e Xbalanque, e o comentário sugere que a figura pode ter também leitura política. A ação passa por um jogo de bola, o que liga o relato ao jogo ritual das cidades maias. O tradutor discute ainda se Hunahpu indica 'caçador de zarabatana' ou é um nome próprio herdado. (Christenson 2007)

O que a imagem e a escrita mostram

Coe afirma que o ciclo dos Gêmeos aparece na arte e religião mesoamericanas no Pré-Clássico tardio, depois de 300 a.C., no contexto de Izapa, Kaminaljuyu e das grandes cidades das terras baixas. Segundo ele, a cerâmica pintada clássica é cheia dessa imagem, incluindo a vitória sobre Sete Arara e sobre os senhores de Xibalba, e inclui também episódios sem paralelo no Popol Vuh colonial. Essa evidência liga os Gêmeos aos Deuses de Faixa, mas é uma leitura iconográfica e glífica, e não prova a forma exata do relato antigo. (Coe 1989)

Como o livro é lido hoje

Christenson conta que seus amigos K'iche' de uma aldeia da Guatemala ouviram trechos do texto e reconheceram neles as palavras dos antepassados, e que poucos maias hoje leem a língua na própria escrita. Para ele, o Popol Vuh é um livro sagrado em uso e não só um documento histórico. Coe lê nos Gêmeos o modelo do governante que vence a morte, como o milho que renasce, e vê na narrativa uma cadeia de imagens que vai do Pré-Clássico ao início do período colonial. (Christenson 2007; Coe 1989)

Fontes

  1. Christenson, A. J. (2007). Popol Vuh: Sacred Book of the Quiché Maya People. Mesoweb Publications (versão eletrônica de Popol Vuh: The Sacred Book of the Maya). Tradução e comentário. https://www.mesoweb.com/publications/Christenson/PopolVuh.pdf Acessar
  2. Coe, M. D. (1989). "The Hero Twins: Myth and Image". In: Kerr, J. (org.). The Maya Vase Book, vol. 1. Kerr Associates. https://www.mesoweb.com/publications/MayaVase/Coe1989-OCR.pdf Acessar

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