Guerra das Castas (Iucatã)
1847–1901 (até 1933 segundo Sergi 2009) · Mesoamérica
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Rebelião dos maias iucatecos iniciada em julho de 1847 na península de Iucatã, em defesa de suas terras e de seu modo de vida, contra a chamada população branca. Os rebeldes formaram territórios autônomos, como Chan Santa Cruz, e chegaram a ameaçar Valladolid e Mérida; a luta teve em parte inspiração religiosa.
Julho de 1847: cartas, boatos e Tepich
Campos García (2022) reconstitui os primeiros dias da rebelião. Em 18 de julho de 1847, o dono da fazenda Acambalam, Miguel Gerónimo Rivero, avisou Eulogio Rosado, chefe político de Valladolid, de planos de uma grande conspiração ouvidos entre os indígenas de sua propriedade. Depois foi interceptada uma carta atribuída a Cecilio Chi, cacique de Tepich, a Manuel Antonio Ay, cacique de Chichimilá, sobre atacar Tihosuco para obter provisões. Rosado disse ao governador Domingo Barret que as notícias podiam ser exageradas. O autor mostra que os assassinatos de Tepich e os seguintes foram os eventos que a narrativa posterior selecionou e ampliou. (Campos García 2022)
Uma rebelião com organização própria
Sergi (2009) descreve uma ampla rebelião dos maias contra a elite branca do governo, que começou como guerrilha contra propriedades rurais brancas. Os maias formaram territórios autônomos e, quando ganharam força, ameaçaram os centros de Valladolid e Mérida. A guerra teve em parte inspiração religiosa e foi organizada por uma estrutura política e militar segmentada. O autor chama o governo de Iucatã de colonial, termo que este texto não adota; o registro do atlas fala em população branca. (Sergi 2009)
Quem deu nome à guerra
Campos García (2022) argumenta que "Guerra de Castas" é um neologismo construído por historiadores, jornalistas, literatos e escritores entre 1847 e 1927. No início prevalecia a imagem de uma luta entre a civilização branca e a barbárie indígena, e só depois a expressão se firmou, junto com um vocabulário de ódio e extermínio. Os autores desses textos eram letrados próximos ao poder, e o nome serviu para legitimar a ação do grupo dominante. Entre as explicações da origem da rebelião que o autor cita estão a privatização dos montes e as mudanças no governo indígena trazidas pela cidadania, o que mostra que as causas também são debatidas. (Campos García 2022)
A imprensa da capital: exterminar ou integrar
Guzmán Urióstegui (2011) estudou como os jornais da Cidade do México trataram os maias entre 1877 e 1880. Desde o início a imprensa os viu como inimigos da ordem e do progresso. El Globo, El Universal e El Siglo Diez y Nueve pediram corpos de exército dedicados a exterminá-los; outros defendiam integrá-los pela educação e pelo trabalho. Com Porfirio Díaz no poder, a segunda posição ganhou força: o indígena, tido como preguiçoso e bárbaro, deveria virar mão de obra disponível. Os rebeldes aparecem nessas fontes pelos olhos de quem os combatia. (Guzmán Urióstegui 2011)
Quando terminou
O registro dá 1847–1901. Campos García (2022) trata o conflito como encerrado em 1901 no sentido do conceito que perdurou, enquanto Sergi (2009) estende o confronto, com intensidade desigual, até os últimos choques armados de 1933. A diferença depende do que se conta como guerra: a campanha militar federal de reconquista ou a presença de territórios rebeldes que continuaram existindo. As fontes lidas não resolvem a questão. (Campos García 2022; Sergi 2009)
Fontes
- Campos García, M. (2022). "La invención de la Guerra de Castas en Yucatán, 1847-1927". Tzintzun. Revista de Estudios Históricos 77: 153–184. DOI 10.35830/treh.vi77.1350. Acessar
- Guzmán Urióstegui, J. (2011). "«De bárbaros y salvajes». La Guerra de Castas de los mayas yucatecos según la prensa de la ciudad de México. 1877-1880". Estudios de Cultura Maya 35. DOI 10.19130/iifl.ecm.2010.35.25. Acessar
- Sergi, V. (2009). "Caste war of Yucatan (Guerra de castas en Yucatán)". In: The International Encyclopedia of Revolution and Protest. Wiley. DOI 10.1002/9781405198073.wbierp0307. Acessar
Na mesma região
- Revolução Mexicana e reforma agrária: leituras 20 nov. 1910 (convocação do Plano de San Luis) a 1928 (limite dos dados de distribuição de terras nas fontes); a Revolução Mexicana, no Wikidata (Q214426), vai até 21 mai. 1920
- Levante zapatista em Chiapas 1º jan. 1994
- Os Gêmeos Hunahpu e Xbalanque no Popol Vuh composto entre 1554 e 1558; cópia de Ximénez entre 1701 e 1704 (Christenson 2007)
- A fundação de México-Tenochtitlan e a águia sobre o nopal registrado em fontes do século XVI, como o Códice Mendoza e crônicas (Johansson 2015)
- Queda de Tenochtitlan 26 maio a 13 ago. 1521 (calendário juliano)
- Malintzin (La Malinche) c. 1500 – década de 1520 (sem datas exatas nas fontes lidas)