Atlas da História

Grande Mesquita e Hospital de Divriği

1228–1229 (UNESCO) · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Mesquita e hospital (darüşşifa) erguidos lado a lado em Divriği, na atual província de Sivas, em 1228–1229, sob o emir mengujequida Ahmet Shah. Segundo a UNESCO, o hospital foi fundado por sua esposa, Turan Melek, e projetado pelo arquiteto Hurrem Shah; o conjunto se destaca pelas abóbadas e portais de pedra esculpida.

Detalhe do portal sudoeste da Grande Mesquita de Divriği
Detalhe do portal esculpido da mesquita e hospital de Divriği, do século XIII. A pedra trabalhada com motivos geométricos e vegetais mostra a escultura arquitetônica anatólia do período. Detalhe do portal sudoeste da Grande Mesquita de Divriği, Dosseman (fotografia), fotografia de 2020; obra de 1228–1229. CC BY-SA (1.0 a 4.0). Ver no acervo

O ramo de Divriği e um casal de fundadores

Segundo Altın (2022), da Universidade Hacı Bektaş Veli, de Nevşehir, o beilhique mengujequida nasceu depois de Malazgirt, quando Mengücek Gazi tomou Erzincan, Kemah e Kögonya. Mais tarde dividiu-se em dois ramos, o de Kemah e o de Divriği; o primeiro foi extinto pelo sultão seljúcida Alaeddin Keykubad em 1227–1228, e o segundo durou mais, embora seja conhecido sobretudo por seus monumentos e moedas. A inscrição do portal dá a mesquita como concluída em 1228 por Ahmet Şah, filho de Süleyman Şah II, que antes já mandara reparar a fortaleza e levar água à cidade; o nome de Alaeddin Keykubad no mesmo portal indica que o emir reconhecia a soberania seljúcida. A fundadora do hospital, Turan Melek, era filha de Fahreddin Behram Şah, senhor de Erzincan. Sönmez (2025) ressalta que um conjunto encomendado por um homem e uma mulher é raro entre os monumentos seljúcidas da Anatólia e, seguindo Kuban, estima a obra em cinco a seis anos, a partir do início da década de 1220. (Altın 2022; Sönmez 2025)

Uma oficina de muitas origens sob Hürremşah de Ahlat

O mestre de obras citado na literatura é Hürremşah, de Ahlat, filho de Muğis. Sönmez (2025) resume a hipótese corrente de que ele dirigiu uma oficina cosmopolita: artesãos fugidos do avanço mongol na Ásia Central, canteiros da Síria e trabalhadores armênios, georgianos e iranianos, como migrantes, cativos ou dependentes, teriam trabalhado juntos. A coerência dos motivos sugere um projeto único, mas o volume de talha exigiu uma equipe de escultores. O púlpito de madeira, que segue em uso, traz a assinatura de Ahmed de Tiflis, e o entrelaçado de hastes do mihrab tem paralelos mais simples em capitéis armênios, na arquitetura islâmica síria e em capitéis góticos. A obra não foi concluída: há linhas-guia de talha nunca executada no muro da qibla, um muro inacabado atrás do iwan norte do hospital e um túmulo sem decoração. O portal oeste, refeito após o desabamento da parede, tem talha mais seca e geométrica, que a autora atribui a reparos do séc. XVI ou posteriores. (Sönmez 2025)

Portais que comparam a pedra ao barroco e ao gótico

O conjunto tem quatro portais, três da mesquita e um do hospital, cada um com decoração própria. O portal norte mede c. 14,5 m de altura, 11,5 m de largura e 4,5 m de profundidade; seu relevo vegetal profundo foi lido como uma árvore cósmica, repetida em ritmo de três folhas e um disco solar. A literatura o aproxima do barroco europeu, mas Sönmez (2025) insiste que a semelhança é de forma, não de herança: a obra é três séculos anterior e nasce de outra tradição de oficina. O portal do hospital, com dois arcos concêntricos da mesma altura, lembra o gótico, mas difere dele porque os arcos não recuam diminuindo. A leste, uma abertura do tamanho de uma janela, talvez porta do emir, leva à tribuna de madeira, que Tanman, citado por Sönmez, considera sem paralelo anterior conservado na Anatólia; acima dela, uma inscrição lembra que a soberania pertence a Deus, o Único. Altın (2022) acrescenta que, ao contrário de boa parte da arquitetura islâmica, de decoração voltada para dentro, Divriği deve a fama aos seus exteriores. (Sönmez 2025; Altın 2022)

Águias, um touro tardio e o sol e a lua no hospital

Altın (2022), que diz ser o primeiro a reunir as figuras do conjunto, conta nove, cinco na mesquita e quatro no hospital, das quais quatro se perderam e só são conhecidas por fotos e desenhos antigos, como uma gárgula em forma de dragão. No portal oeste, duas águias bicéfalas e um falcão; Sönmez (2025) relata a leitura que associa a águia à soberania seljúcida e o falcão à casa mengujequida. Um touro sobre uma janela do hospital, ausente nas fotos antigas, foi provavelmente colocado no reparo de 1907, e sua origem é incerta. No portal do hospital há dois bustos humanos com tranças e toucados de tipo seljúcida, de rostos raspados no séc. XIX; a figura de tranças seria feminina e representaria o Sol, e a outra, com um crescente, a Lua. Sönmez lembra a hipótese de que retratem os fundadores e nota que as figuras humanas ficam no hospital, não na mesquita. Para Altın, essas imagens retomam crenças túrquicas anteriores ao Islã reinterpretadas em contexto islâmico. (Altın 2022; Sönmez 2025)

Hospital, escola e túmulo da família fundadora

A UNESCO descreve o hospital em dois pisos, com entrada monumental a oeste, um átrio de pé-direito duplo formado por quatro pilares e uma cúpula com óculo sobre um tanque central, em torno do qual ficam os quartos. Sönmez (2025) o lê como variante da planta de madraça com iwans em volta de um pátio coberto; escadas levam a cômodos do andar superior que provavelmente abrigavam estudantes. O hospital tratava doenças do corpo e da mente e, a partir do séc. XVIII, funcionou também como madraça. Num dos cômodos fica o túmulo com as sepulturas de Ahmet Şah, de Turan Melek e de parentes. Segundo a UNESCO, inscrições registram restaurações do séc. XV ao XIX; a pedra esculpida sofre com umidade e sais, e desde 2009 o governo de Sivas desapropria e demole construções vizinhas para proteger o entorno. (UNESCO, lista nº 358; Sönmez 2025)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Great Mosque and Hospital of Divriği", lista nº 358. https://whc.unesco.org/en/list/358/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Demir, H. (2026). "Taşın Ruhu: Divriği Ulu Camii ve Darüşşifası’nın Tasavvufî Semiyotiği". Cumhuriyet İlahiyat Dergisi 30(1): 132–147. DOI 10.18505/cuid.1864005. Acessar
  3. Sönmez, N. Y. Ş. (2025). "Divriği’s architectural plasticity: Study in Seljuk innovation and cross-cultural analogy". Architecture Papers of the Faculty of Architecture and Design STU 30(4): 20–29. DOI 10.2478/alfa-2025-0021. Acessar
  4. Altın, A. (2022). "Divriği Ulu Camisi ve Darüşşifası’ndaki Figürlü Süslemeler". Selçuklu Medeniyeti Araştırmaları Dergisi 7: 132–153. DOI 10.47702/sema.2022.27. Acessar

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