Atlas da História

Levante zapatista em Chiapas

1º jan. 1994 · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 1º de janeiro de 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) irrompeu em Chiapas, no sul do México, num levante rural contra as elites fundiárias e a burocracia federal. O movimento pôs em debate terra, democracia e políticas neoliberais, além de etnia e gênero; a revista Debate Feminista publicou no mesmo ano a Lei Revolucionária de Mulheres do EZLN.

Terra, etnia e política em Chiapas

Segundo a descrição editorial da obra de Harvey (1998), o levante de 1994 foi uma rebelião rural contra a burocracia federal e as elites fundiárias. O livro traça a história do conflito étnico e de classe em Chiapas desde a Conquista, as organizações camponesas e indígenas desde o início da década de 1970, as lutas por direitos agrários de três movimentos de base, o efeito das políticas econômicas neoliberais e as origens do EZLN. Harvey sugere que a rebelião aumentou, em Chiapas, a atenção a temas como etnia, gênero e terra. (Harvey 1998)

Doze dias de guerra e uma onda de solidariedade

Galán López (2022) lembra que o EZLN irrompeu em 1º de janeiro de 1994 e que houve doze dias de guerra com o Exército Mexicano. A reação em grandes manifestações na Cidade do México, em outras capitais e no exterior forçou o governo de Carlos Salinas de Gortari a abrir canais de negociação. Em San Cristóbal de Las Casas, porta de entrada para a região, parte da juventude de tradição contracultural passou a apoiar os indígenas; o passa-montanhas e a figura do subcomandante Marcos viraram símbolos reconhecidos no mundo todo. (Galán López 2022)

A Lei Revolucionária de Mulheres

O texto, publicado no jornal do EZLN El Despertador Mexicano, distribuído em San Cristóbal em 1º de janeiro de 1994, tem dez artigos. Reconhece às mulheres o direito de participar da luta revolucionária, de trabalhar e receber salário justo, de decidir quantos filhos ter e cuidar, de participar dos assuntos da comunidade e ocupar cargos se eleitas livremente, de atenção à saúde e à alimentação, à educação e de escolher o companheiro sem casamento forçado. Proíbe agressões físicas, prevê castigo severo para estupro e tentativa, e permite cargos de direção e graus militares. A revista Debate Feminista o reproduziu no mesmo ano. (Ejército Zapatista de Liberación Nacional 1994)

Depois da lei: o que dizem as zapatistas

Rebelo e Guerra (2017) analisam uma cartilha escrita pelas próprias mulheres zapatistas na Escuelita de 2013. Segundo eles, a comandanta Ramona encabeçou um grupo que mobilizou as comunidades contra a exploração das mulheres e fez uma ampla consulta da qual saiu a lei. Nos depoimentos, as zapatistas atribuem a si mesmas, por meio da organização autônoma, os avanços das três décadas seguintes, e os autores apontam que problemas ainda persistem nas comunidades. (Rebelo e Guerra 2017)

Fontes

  1. Harvey, N. (1998). The Chiapas Rebellion: The Struggle for Land and Democracy. Duke University Press. DOI 10.1215/9780822398301; ISBN 9780822322092. Acessar
  2. Ejército Zapatista de Liberación Nacional (1994). "Ley revolucionaria sobre las mujeres". Debate Feminista 9. DOI 10.22201/cieg.2594066xe.1994.9.1742. Acessar
  3. Galán López, F. J. (2022). "Espacios contraculturales en San Cristóbal de Las Casas alrededor del movimiento zapatista en 1994". Revista CoPaLa, Construyendo Paz Latinoamericana 15. DOI 10.35600/25008870.2022.15.0208. Acessar
  4. Rebelo, F. P.; Guerra, L. A. (2017). "Participação política das mulheres zapatistas: desafios e resistências". Interethnic@ - Revista de Estudos em Relações Interétnicas 20(1). DOI 10.26512/interethnica.v20i1.15333. Acessar

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