Atlas da História

Guerra Imjin (invasões japonesas da Coreia)

1592–1598 · Leste Asiático

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Entre 1592 e 1598, exércitos enviados por Toyotomi Hideyoshi invadiram duas vezes o reino coreano de Joseon e chegaram a tomar Seul. Tropas coreanas e da dinastia Ming reverteram o avanço, e os japoneses se retiraram após a morte de Hideyoshi. Para Haboush (2016), o apelo para que civis pegassem em armas fez surgir um discurso nacional coreano.

Jarro com tampa
Cerâmica joseon feita antes das invasões japonesas de 1592–98. A cerâmica coreana era muito apreciada no Japão, e ceramistas coreanos foram levados para lá durante a guerra, um dos efeitos duradouros da Guerra Imjin. Jarro com tampa, ceramistas coreanos não identificados, séc. XV–XVI. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Uma guerra, três nomes e uma escala regional

Cada país envolvido deu ao conflito um nome próprio. Na Coreia, ele é o Imjin waeran; no Japão, as campanhas das eras Bunroku e Keichō; na China, a Guerra Coreana da era Wanli, como registra o historiador Sun Weiguo (2021), da Universidade Nankai. Swope (2009), segundo a resenha de Dai (2010), prefere chamá-lo de primeira grande guerra do Leste Asiático, para escapar da visão centrada num só país. Haboush (2016) fala em Grande Guerra do Leste Asiático e sustenta que, pela presença de forças chinesas, japonesas e coreanas e pelo alcance regional, nenhuma guerra no mundo tivera até então essa escala. Para ela, a lembrança do conflito dominou a memória da região até a Segunda Guerra Mundial. Sun nota que, na China dos Ming e dos Qing, o caráter internacional da guerra foi pouco estudado, porque Joseon era um dos países tributários da corte chinesa. (Sun 2021; Swope 2009; Dai 2010; Haboush 2016)

Por que Hideyoshi atacou e por que a Ming entrou

Dai (2010) resume as motivações atribuídas a Toyotomi Hideyoshi, o senhor da guerra que pusera fim ao período dos Estados Combatentes no Japão: impor sua hegemonia à Coreia e à China e controlar o comércio internacional no Leste Asiático. Nas duas invasões, de 1592 e 1597, o sucesso inicial japonês foi revertido por tropas coreanas e chinesas. Ji-Young Lee (2016) propõe outra camada de explicação. O ataque à Coreia era um passo para desafiar diretamente a Ming. Além do aumento do poder militar japonês em relação à China, pesou o esforço de Hideyoshi para montar uma nova ordem política interna diante de rivais, depois de unificar o Japão; isso explicaria o momento e a forma da ofensiva. Do lado coreano, Lee destaca a crise interna do rei depois dos fracassos militares. A adesão incomum de Joseon à hegemonia Ming, em sua leitura, foi também um uso da autoridade moral do imperador chinês para compensar a falta de legitimidade do rei diante de seus próprios súditos. (Dai 2010; Lee 2016)

Sem comandantes da corte: a ascensão dos uibyeong

Kim Jong-soo (2019), da Universidade Nacional de Kunsan, parte da organização militar de Joseon. Como a dinastia nascera de um golpe militar, os reis eram cautelosos com o poder das armas: o comandante de tempo de paz não podia levar à guerra as tropas que treinava, e a corte enviava outro chefe na hora do conflito. Em 1592, com a corte em fuga para o norte, essas ordens não chegaram. Na província de Jeolla, o governador Yi Gwang assumiu ele mesmo as tropas locais e, depois de uma derrota em Yongin, conseguiu barrar a entrada japonesa na província. Na parte ocidental de Gyeongsang, os dois sistemas ruíram, e membros das linhagens letradas locais, os sajok, tornaram-se líderes de exércitos voluntários, os uibyeong ou exércitos dos justos. Três deles, Kim Myeon, Gwak Jae-u e Jeong In-hong, dividiram o território. Com base no Nanjung japnok, um registro da época, Kim conta 18 combates para retomar a fortaleza de Seongju, e não 3, como dizia a historiografia. Ele atribui o peso maior dos uibyeong em Gyeongsang à coesão dessas linhagens e ao seu domínio sobre a população local. (Kim 2019)

Prata, armas de fogo e gente de muitas terras

Segundo Dai (2010), Swope mostra que os três países usaram armas de fogo e navios de guerra avançados e recorreram a inovações como mercenários e a participação de particulares na logística dos exércitos. Com isso, ele questiona a ideia de que a Ásia estaria à margem da chamada revolução militar. A revisão de Sun (2021) reúne pesquisas chinesas recentes que ampliam o quadro. Wan Ming vê a guerra como um ponto de virada da política no fim da Ming e um prelúdio de sua decadência, e calcula que a corte gastou nela mais de 20 milhões em prata. Zheng Jiexi estuda soldados siameses, negros e de outras partes do Sudeste Asiático nos exércitos Ming, além de chineses nas fileiras japonesas. Lo Lee-hsin, de Taiwan, trata dos castelos que os japoneses construíram na Coreia e das ordens contra danos à população, desrespeitadas por soldados que matavam coreanos e cortavam orelhas e narizes. Ela estuda também a vida dos coreanos levados ao Japão, e Zhao Jianmin, a passagem de estudos neoconfucianos, medicina, impressão e cerâmica coreanas para o Japão. (Dai 2010; Swope 2009; Sun 2021)

Nação, gratidão aos Ming e a escrita da história

Haboush (2016) observa que Joseon sobreviveu à guerra e aos rearranjos regionais, e que o discurso de união nacional nascido no conflito ganhou força com as invasões manchus de 1627 e 1636. Sun (2021) acompanha outra memória coreana: a da ajuda enviada pelo imperador Wanli, lembrada como graça que fizera o reino renascer. Soldados Ming ergueram na Coreia templos a Guanwang, culto que se integrou à vida política e social de Joseon. Entre 1637 e 1800, a veneração aos Ming serviu para afirmar a legitimidade de Joseon diante da nova dinastia, e generais Ming e seus descendentes passaram a ser honrados e cercados de lendas. A escrita da história também foi disputada. Para Sun, a história oficial dos Ming, compilada sob os Qing, apagou de propósito feitos dos generais Ming. Na China dos anos 1950, a Guerra da Coreia levou a ler o conflito do século XVI como luta comum contra a agressão estrangeira; só nos anos 2000 a pesquisa passou a cruzar amplamente fontes chinesas, coreanas e japonesas. (Haboush 2016; Sun 2021)

Fontes

  1. Swope, K. M. (2009). A Dragon's Head and a Serpent's Tail: Ming China and the First Great East Asian War, 1592–1598. University of Oklahoma Press. ISBN 9780806140568.
  2. Haboush, J. K. (2016). The Great East Asian War and the Birth of the Korean Nation. Columbia University Press. ISBN 9780231172288. DOI 10.7312/columbia/9780231172288.001.0001. Acessar
  3. Dai, Y. (2010). "Kenneth M. Swope. A Dragon's Head and a Serpent's Tail: Ming China and the First Great East Asian War, 1592–1598" (resenha). The American Historical Review 115: 1120–1121. DOI 10.1086/ahr.115.4.1120. Acessar
  4. Sun, W. (2021). "A Review of China’s Research on the Wanli Korean War in the Past Hundred Years". Sekai no Nihon Kenkyū (Japanese Studies Around the World) 2020: 99–117. DOI 10.15055/00007630. Acessar
  5. Kim, J.-S. (2019). "임진왜란 초기 방어실태와 성주(星州) 전투 [The Status of Defense at the Initial Period of Imjin-War and the Seongju Combat]". Gunsa (Military History) 111: 131–161. DOI 10.29212/mh.2019..111.131. Acessar
  6. Lee, J.-Y. (2016). "The Imjin War (1592–1598)". In: Lee, J.-Y. China's Hegemony. Columbia University Press. ISBN 9780231179744. DOI 10.7312/columbia/9780231179744.003.0005. Acessar
  7. Seonjo sosu gyeong daewang sujeong sillok (宣祖修正實錄, compilada em 1657), ano 25 (1592). Texto em ko.wikisource.org/wiki/조선왕조실록/선조소경대왕수정실록/25년 (edição de fonte; conferir com sillok.history.go.kr).

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