Tripitaka Coreana (blocos de Haeinsa)
1237–1248 (UNESCO) · Leste Asiático
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
No templo budista de Haeinsa, no monte Gaya (Coreia do Sul), estão os cerca de 80 mil blocos de madeira gravados entre 1237 e 1248 com o cânone budista, como apelo ao Buda contra as invasões mongóis. Os depósitos Janggyeong Panjeon, do séc. XV, os guardam com ventilação natural; um estudo coreano de 2021 monitorou ali os riscos biológicos e ambientais.
Uma primeira coleção, queimada na invasão mongol
Os blocos de Haeinsa são a segunda gravação do cânone feita em Goryeo. Jung Byung-sam (2011) reconstitui a primeira. Na China dos Song do Norte, a primeira edição impressa do cânone budista, a de Kaibao, saiu em 983 e chegou logo a Goryeo. Em 1011, diante da invasão dos khitan, a corte começou a gravar a sua própria, ao mesmo tempo como demonstração cultural e como resposta à crise. Uma primeira etapa ficou pronta em 1029; ampliada duas vezes com a edição khitan e com cópias coreanas, a obra foi concluída em 1087, com mais de 600 caixas. Pouco depois, em 1090, o monge Uicheon catalogou comentários reunidos em Goryeo, na China dos Song, entre os khitan e no Japão. Essa primeira edição foi destruída pelos mongóis. Goryeo criou então uma Superintendência do Grande Cânone (Daejang Dogam), com uma filial, e montou a nova gravação como empreendimento de Estado. (Jung 2011)
Um cânone conferido edição contra edição
Para a UNESCO, os blocos foram gravados como apelo à autoridade do Buda na defesa da Coreia contra as invasões mongóis. A mesma ficha diz que estudiosos budistas de todo o mundo reconhecem sua exatidão, e que os caracteres chineses são tão regulares que parecem obra de uma só mão. Jung (2011) explica de onde vem a exatidão. Os editores confrontaram a primeira edição coreana com a de Kaibao e com a dos khitan e adotaram, em cada caso, a leitura que julgavam mais correta; os critérios ficaram registrados num catálogo de correções. A segunda edição trouxe ainda um suplemento de mais de vinte obras, com comentários das escolas Hwaeom, Seon e Cheontae, da China e da Coreia. Gravado nos mesmos órgãos e na mesma época, esse suplemento tem formatos de página próprios, herdados da tradição coreana de impressão. Para o autor, ele mostra as correntes de pensamento budista do fim de Goryeo. (UNESCO, lista nº 737; Jung 2011)
Depósitos desenhados para o clima da montanha
Os depósitos Janggyeong Panjeon foram construídos no século XV, no estilo do início da dinastia Joseon. São dois prédios longos e dois menores, dispostos em retângulo em volta de um pátio, num nível mais alto que o salão do Buda principal do templo (UNESCO). A ficha da UNESCO atribui ao projeto a ventilação natural e o controle de temperatura e umidade que protegeram os blocos de roedores e insetos por cerca de 500 anos. Hong et al. (2022), do Instituto Nacional de Pesquisa do Patrimônio Cultural da Coreia, detalham o arranjo. Os prédios ficam voltados para sudoeste, com o monte às costas barrando os ventos úmidos do sudeste. As janelas da frente e dos fundos têm tamanhos diferentes, para que o ar que entra circule pelas salas. Os autores contam 81.350 blocos guardados ali. (UNESCO, lista nº 737; Hong et al. 2022)
Fungos, umidade e fogo: os riscos de hoje
Com o tempo, poluentes se acumularam dentro dos depósitos, e os fungos passaram a ser a principal ameaça (Hong et al. 2022). Os autores repetiram em julho de 2021 a coleta de ar feita em 2012. No período observado, a umidade relativa média foi de 70,5% dentro e 61,6% fora, condição favorável a fungos que apodrecem madeira. O prédio Beopbojeon, mais ao norte, tinha mais esporos no ar que o Sudarajang. Identificaram 23 gêneros de fungos no ar, e 11 de fungos e um de bactéria na superfície dos blocos. Boa parte dos fungos dos blocos não aparecia no ar, o que sugere colônias formadas com o pó ao longo do tempo. O estudo de Kim et al. (2021) também trata do monitoramento biológico e ambiental do conjunto. A UNESCO lembra que blocos e prédios são de madeira e vulneráveis a incêndio e furto, e que blocos e prateleiras precisam de reparos contínuos. (Hong et al. 2022; Kim et al. 2021; UNESCO, lista nº 737)
Um tesouro nacional ainda em uso pelo templo
Haeinsa pertence à Ordem Jogye do budismo coreano. Os blocos (Daejanggyeongpan) e os depósitos são tesouros nacionais pela lei de proteção do patrimônio. Todo o templo é sítio histórico, e uma área de 2.095 hectares em volta, que inclui o monte Gaya, é sítio paisagístico; o parque nacional serve de zona de amortecimento (UNESCO). A gestão é dividida entre a administração nacional do patrimônio, a província de Gyeongsang do Sul, o condado de Hapcheon e o próprio templo, que cuida do dia a dia. A ficha registra ainda que o conjunto mantém a forma e a função originais, e que Haeinsa é destino de peregrinação para budistas coreanos e de outros países. Os depósitos entraram na Lista do Patrimônio Mundial em 1995. (UNESCO, lista nº 737)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Haeinsa Temple Janggyeong Panjeon, the Depositories for the Tripitaka Koreana Woodblocks", lista nº 737. https://whc.unesco.org/en/list/737/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Kim, S.; Lee, H.; Jeong, S.; Chung, Y. (2021). "Biological distribution and environmental monitoring for the conservation of Janggyeong panjeon Depositories and Daejanggyeongpan (Printing Woodblocks of the Tripitaka Koreana) of Haeinsa Temple in Korea". International Biodeterioration & Biodegradation 156: 105131. DOI 10.1016/j.ibiod.2020.105131. Acessar
- Hong, J. Y.; Kim, Y. H.; Lee, J. M.; Kim, S. J.; Park, J. H. (2022). "Fungal Distribution of the Janggyeong Panjeon, the Depositories for the Tripitaka Koreana Woodblocks in the Haeinsa Temple". Journal of Conservation Science 38(1): 64–71. DOI 10.12654/jcs.2022.38.1.06. Acessar
- Jung, B.-S. (2011). "고려대장경의 사상사적 의의 [The historical significance of Goryeo Daejanggyeong]". Bulgyohak Yeongu (Journal of Buddhist Studies) 30: 65–104. DOI 10.21482/jbs.30..201112.65. Acessar
Na mesma região
- Zheng He c. 1371 – c. 1433/35 (Yang 2014; Wikidata)
- Murasaki Shikibu c. 978 – c. 1014 (Lowell 1920; Arntzen 2015)
- Guerra Imjin (invasões japonesas da Coreia) 1592–1598
- Heian-kyō (Quioto) 794 a 1868 (Fauré 2019) ou 1869 (Wikidata) como capital
- Jimmu e a fundação do Japão no Nihon shoki Nihon shoki concluído em 720; Kojiki, em 712 (Aston, introdução)
- Wu Zetian 624 – 705 (Lee 2015; Jiu Tangshu)