Atlas da História

Zheng He

c. 1371 – c. 1433/35 (Yang 2014; Wikidata) · Leste Asiático, Sudeste Asiático insular, Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Eunuco muçulmano nascido em Yunnan, comandou entre 1405 e 1433, a serviço da corte Ming, sete expedições marítimas ao sudeste da Ásia, ao oceano Índico e à costa oriental da África. As frotas levavam milhares de homens e trouxeram embaixadores estrangeiros a Nanquim.

Tigela com romãs, flores de lótus e pétalas de crisântemo
Porcelana ming da época das viagens de Zheng He pelo oceano Índico. A porcelana chinesa era uma das mercadorias que ligavam a China a portos do sudeste asiático e da costa índica. Tigela com romãs, flores de lótus e pétalas de crisântemo, oficinas chinesas não identificadas, início do séc. XV (período Xuande, 1426–35). CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

De Ma He a Zheng He

Segundo Yang Wei, Zheng He nasceu como Ma He numa família muçulmana de Yunnan, de origem centro-asiática, cujo pai e avô levavam o título de hajji. Em 1381, quando o exército Ming invadiu Yunnan, o menino de 11 anos foi capturado, castrado e entregue como servo à casa do príncipe de Yan, Zhu Di. Depois de ajudar Zhu Di na guerra civil contra o sobrinho, o imperador Jianwen, e de este subir ao trono como Yongle, recebeu o nome Zheng He por seus méritos militares. (Yang 2014)

A frota e o que se pretendia

O Ming shi conta que, em junho de 1405, ordenou-se a Zheng He e Wang Jinghong que fossem aos mares do Ocidente com cerca de 27.800 homens e muito ouro e moeda. Os navios saíram de Liujiahe, perto de Suzhou, passaram pelo Fujian e chegaram primeiro a Champa. Yang Wei lista motivos que a historiografia associa à empreitada: exibir poder, ampliar a influência do novo imperador, procurar aliados contra os timúridas e obter tributos que reconhecessem sua legitimidade. (Zhang Tingyu et al. et al. 1739; Yang 2014)

Sete viagens e seus episódios

Yang Wei resume a primeira viagem, de 1405, pelo litoral da China, Champa, Java, Malaca, Sumatra e portos do sudoeste da Índia, com a captura do pirata Chen Zuyi em Palembang. A quarta, de 1413–1415, chegou às Maldivas e a Ormuz. A quinta, de 1417, alcançou a costa leste africana, de onde voltaram girafas e outros animais. A última, de 1431, foi ordenada pelo imperador Xuande. Zheng He morreu na volta, e seu vice, Wang Jinghong, conduziu a frota a Nanquim em 1433. (Yang 2014)

Legado e leituras

Para o Ming shi, Zheng He serviu a três reinados, fez sete missões e percorreu mais de trinta países, e ainda gerava histórias populares sobre o eunuco Sanbao. Yang Wei lembra que letrados confucianos criticaram o custo das viagens e o poder dos eunucos, que as expedições foram encerradas nos anos 1430 e que seus registros quase desapareceram, até serem recuperados por intelectuais chineses no início do século XX. Os relatos de Ma Huan e Fei Xin estão entre os poucos registros que restam das viagens. (Zhang Tingyu et al. et al. 1739; Yang 2014)

Fontes

  1. Yang, W. (2014). "Admiral Zheng He's Voyages to the 'West Oceans'". Education About Asia 19(2). DOI 10.65959/eaa.1272. Acessar
  2. Zhang Tingyu et al. (1739). Ming shi (História dos Ming), cap. 304, "Huanguan 1", biografia de Zheng He. Texto consultado na Wikisource em chinês (qualidade de transcrição marcada como parcial). https://zh.wikisource.org/wiki/明史/卷304 (consultado em 07/10/2026). Acessar

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