Homo heidelbergensis
c. 609 mil a 299 mil anos atrás (mandíbula de Mauer, Wagner et al. 2010; crânio de Kabwe, quando incluído na espécie, Grün et al. 2020) · Europa Ocidental e do Norte, África Austral, África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Nome criado em 1908 para uma mandíbula achada em 1907 em Mauer, perto de Heidelberg, na Alemanha, hoje datada de cerca de 609 mil anos. Foi usado para fósseis europeus e africanos do Pleistoceno Médio, mas a definição da espécie, o seu conteúdo e o nome dos fósseis africanos estão em disputa.
A mandíbula de Mauer e a sua datação
A mandíbula, holótipo da espécie, apareceu em 21 de outubro de 1907, a 24 m de profundidade no areal de Grafenrain, em Mauer, cerca de 10 km a sudeste de Heidelberg. Estava numa camada de cascalho das chamadas areias inferiores, depositadas pelo antigo curso do rio Neckar. A fauna e a geologia apontavam o início do Pleistoceno Médio, mas faltava uma data numérica. Wagner et al. (2010) aplicaram dois métodos independentes, ressonância de spin eletrônico combinada à série do urânio em dentes de mamíferos e radiofluorescência infravermelha em grãos de areia, e chegaram a 609 mil anos, com margem de 40 mil, o que põe a camada no estágio isotópico marinho 15, um interglacial. Para os autores, é o fóssil de hominíneo mais antigo registrado na Europa central e do norte. A equipe reuniu a Universidade de Heidelberg, instituições de Freiberg e o Museu Nacional de História Natural da França. (Wagner et al. 2010)
Sentido estrito, sentido amplo e o crânio de Kabwe
Além de Mauer, foram atribuídos à espécie uma tíbia e dois dentes de Boxgrove, na Grã-Bretanha, crânios e esqueletos da Sima de los Huesos, fósseis da caverna de Arago e uma mandíbula parcial de Visogliano (Wagner et al. 2010). No sentido amplo, o nome passou a abranger também fósseis africanos. O crânio de Broken Hill (Kabwe), na atual Zâmbia, saiu de depósitos de caverna em 1921, durante a mineração de metais; foi o tipo do H. rhodesiensis, mas muitas vezes é incluído no H. heidelbergensis. O sítio original foi totalmente consumido pela mineração, e Grün et al. (2020) dataram o próprio crânio em cerca de 299 mil anos, com margem de 25 mil, bem menos que os 500 mil anos muitas vezes estimados. Harvati e Reyes-Centeno (2022) observam que a espécie não é definida por traços derivados próprios, mas por uma anatomia vista como intermediária entre o H. erectus e Homo posteriores. (Wagner et al. 2010; Grün et al. 2020; Harvati e Reyes-Centeno 2022)
H. bodoensis e o peso de um nome
Roksandic et al. (2022) propuseram abandonar H. heidelbergensis e H. rhodesiensis, que consideram mal definidos, e criar o H. bodoensis, como espécie do início do Pleistoceno Médio ancestral à linhagem do H. sapiens, com distribuição pan-africana. O holótipo é o crânio Bodo 1, do sítio de Bodo D’ar, achado em 1976 por Alemayehu Asfaw, Paul Whitehead e outros membros da Rift Valley Research Mission in Ethiopia. Os autores lembram que o nome H. rhodesiensis está associado a Cecil Rhodes e ao colonialismo minerador inglês, embora digam que esse não é o motivo central da proposta. Delson e Stringer (2022) responderam que o código internacional de nomenclatura zoológica não permite trocar um nome por uso variável nem por ser ofensivo, e rejeitaram H. bodoensis como sinônimo júnior, sem validade desde a origem. Harvati e Reyes-Centeno (2022) concluem que o novo nome evita associações coloniais, mas não resolve as questões de fundo. (Roksandic et al. 2022; Delson e Stringer 2022; Harvati e Reyes-Centeno 2022)
De quem a espécie seria ancestral
Harvati e Reyes-Centeno (2022) resumem as mudanças de leitura. Os fósseis europeus são em geral vistos como ancestrais dos neandertais, com traços neandertais incipientes, e os africanos foram propostos como ancestrais do H. sapiens; daí as propostas de incluir o H. heidelbergensis em sentido estrito no H. neanderthalensis, ou de mantê-lo só como etapa dessa linhagem, reservando o nome H. rhodesiensis para os africanos. O rosto moderno do H. antecessor, mais antigo, levou alguns a ver os rostos de Bodo e de Kabwe como derivados demais para a linhagem do H. sapiens; os autores, porém, acham cedo para excluir o H. heidelbergensis em sentido amplo do papel de último ancestral comum. A nova idade de Kabwe sugere que, no fim do Pleistoceno Médio, a África abrigava várias linhagens ao mesmo tempo, como o H. sapiens, o H. heidelbergensis ou rhodesiensis e o H. naledi (Grün et al. 2020). (Harvati e Reyes-Centeno 2022; Grün et al. 2020)
Fontes
- Wagner, G. A.; Krbetschek, M.; Degering, D.; Bahain, J.-J. et al. (2010). "Radiometric dating of the type-site for Homo heidelbergensis at Mauer, Germany". Proceedings of the National Academy of Sciences 107: 19726–19730. DOI 10.1073/pnas.1012722107. Acessar
- Harvati, K.; Reyes-Centeno, H. (2022). "Evolution of Homo in the Middle and Late Pleistocene". Journal of Human Evolution 173: 103279. DOI 10.1016/j.jhevol.2022.103279. Acessar
- Roksandic, M.; Radović, P.; Wu, X.-J.; Bae, C. J. (2022). "Resolving the “muddle in the middle”: The case for Homo bodoensis sp. nov.". Evolutionary Anthropology 31: 20–29. DOI 10.1002/evan.21929. Acessar
- Delson, E.; Stringer, C. (2022). "The naming of Homo bodoensis by Roksandic and colleagues does not resolve issues surrounding Middle Pleistocene human evolution". Evolutionary Anthropology 31: 233–236. DOI 10.1002/evan.21950. Acessar
- Grün, R.; Pike, A.; McDermott, F.; Eggins, S. et al. (2020). "Dating the skull from Broken Hill, Zambia, and its position in human evolution". Nature 580: 372–375. DOI 10.1038/s41586-020-2165-4. Acessar
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- Star Carr (North Yorkshire, Inglaterra): as estruturas com esteios mais antigas conhecidas na Grã-Bretanha, c. 9300–8760 a.C. cal. c. 9300–8760 a.C. (anos calendários calibrados): a estrutura central esteve em uso em 9300–9200 a.C. cal. e a estrutura oeste foi construída em 8945–8760 a.C. cal. (95% de probabilidade), segundo Bates e outros (2024); em ano astronômico, −9299 a −8759. Não são os limites da ocupação do sítio, só as datas citadas das estruturas
- Pontas de osso de farpas finas do Maglemosiano inicial (Dinamarca e Escânia), c. 9250–8150 a.C.: ossos longos de cervídeos e a datação direta Pontas de farpas finas todas dentro de c. 11.200–10.100 cal. AP (Preboreal médio-tardio e início do Boreal), segundo Jensen et al. (2020); isto é, c. 9250–8150 a.C. (ano astronômico −9250 a −8150). A datação individual mais antiga da tabela do artigo (Bodal, AAR-6868) tem faixa de 95,4% de 11.212–10.767 cal. AP. O registro vai do início ao fim da faixa do grupo, não de um achado só