Neandertais
c. 430 mil a 40 mil anos atrás (Sima de los Huesos, Arsuaga et al. 2014; fim do Musteriense na Europa, Higham et al. 2014) · Europa Ocidental e do Norte, Europa Mediterrânea, Europa Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Humanos do Pleistoceno da Eurásia ocidental, nomeados a partir de um esqueleto achado em 1856 no vale do Neander, na Alemanha. A linhagem já aparece há cerca de 430 mil anos na Sima de los Huesos, na Espanha, e os seus últimos sítios na Europa datam de cerca de 40 mil anos, depois de alguns milênios de convivência com o H. sapiens.
O vale do Neander e o sítio reencontrado
O vale do Neander fica 13 km a leste de Düsseldorf e foi cortado pelo rio Düssel em calcário devoniano. Em meados do século XIX, a demanda da construção civil prussiana levou à extração desse calcário; em 1854, foi fundada uma empresa para isso, e as pedreiras removeram as paredes do vale e as cavernas que havia nelas. Em agosto de 1856, a retirada do barro da Kleine Feldhofer Grotte levou à recuperação de uma calota craniana e de 15 ossos do esqueleto, episódio registrado pelo professor e naturalista local Johann Carl Fuhlrott. A caverna foi destruída sem estudo geológico, e por volta de 1900 a sua localização exata já não era conhecida. Em 1997, com base em pesquisa em arquivos, Ralf W. Schmitz e o arqueólogo Jürgen Thissen deduziram onde os sedimentos retirados das cavernas tinham sido despejados e começaram escavações ali, pelo serviço de arqueologia da Renânia, em Bonn (Schmitz et al. 2002). (Schmitz et al. 2002)
Novos fragmentos e uma data direta
As escavações de 1997 e 2000 mostraram que a base da parede sul do vale estava intacta e recuperaram fauna do Pleistoceno Superior com marcas de corte, milhares de artefatos de pedra e 62 novos fragmentos de ossos humanos. Os artefatos incluem um conjunto micoquiano, do fim do Paleolítico Médio, e outro gravetiano, do Paleolítico Superior; por isso, nem todos os fragmentos humanos são necessariamente neandertais. Alguns se encaixam diretamente no Neandertal 1, como o pequeno pedaço NN 13, que se ajusta ao côndilo do fêmur esquerdo, e outros repetem partes já conhecidas, como um segundo úmero direito (NN 1), o que indica ao menos mais um adulto; ao todo, há pelo menos três indivíduos. Datações por radiocarbono do Neandertal 1, do qual foi obtido DNA mitocondrial em 1997, e de um segundo indivíduo deram cerca de 40 mil anos para ambos, e o DNA mitocondrial desse segundo indivíduo se agrupa com outras sequências neandertais (Schmitz et al. 2002). (Schmitz et al. 2002)
Sima de los Huesos e as raízes da linhagem
Na Sima de los Huesos, em Atapuerca, Arsuaga et al. (2014) analisaram 17 crânios do Pleistoceno Médio, sete deles novos, e situaram a camada com os fósseis em cerca de 430 mil anos. O conjunto mostra traços neandertais derivados no rosto e na parte da frente da caixa craniana, muitos ligados à mastigação, o que sugere que a mudança do rosto foi o primeiro passo da linhagem e que partes do corpo evoluíram em ritmos diferentes. O DNA mitocondrial de um desses indivíduos já tinha se mostrado mais próximo do dos denisovanos. Meyer et al. (2016) recuperaram DNA nuclear de dois espécimes e viram que eles se ligam aos neandertais, não aos denisovanos; logo, a separação entre neandertais e denisovanos é anterior a 430 mil anos. Para explicar o DNA mitocondrial, os autores sugerem, entre outras possibilidades, que o DNA mitocondrial dos neandertais foi substituído mais tarde na sua história. (Arsuaga et al. 2014; Meyer et al. 2016)
O fim dos neandertais e a herança genética
Higham et al. (2014) refizeram com técnicas aprimoradas de radiocarbono a cronologia de 40 sítios musterienses e neandertais, da Rússia à Espanha. Pelo modelo, o Musteriense terminou na Europa entre 41.030 e 39.260 anos calibrados antes do presente, e indústrias de transição como o Chatelperroniense, ligado aos neandertais, acabaram na mesma época; o desaparecimento variou de região para região. Comparando esses dados com os primeiros sítios datados do H. sapiens na Europa, ligados ao Uluzziano, os autores estimam uma sobreposição de 2.600 a 5.400 anos, tempo suficiente para trocas culturais e simbólicas e possíveis trocas genéticas. Harvati e Reyes-Centeno (2022) registram que cerca de 2% a 3% da ancestralidade genética de todas as populações não africanas vem dos neandertais. (Higham et al. 2014; Harvati e Reyes-Centeno 2022)
Fontes
- Schmitz, R. W.; Serre, D.; Bonani, G.; Feine, S. et al. (2002). "The Neandertal type site revisited: Interdisciplinary investigations of skeletal remains from the Neander Valley, Germany". Proceedings of the National Academy of Sciences 99: 13342–13347. DOI 10.1073/pnas.192464099. Acessar
- Arsuaga, J. L.; Martínez, I.; Arnold, L. J.; Aranburu, A. et al. (2014). "Neandertal roots: Cranial and chronological evidence from Sima de los Huesos". Science 344: 1358–1363. DOI 10.1126/science.1253958. Acessar
- Meyer, M.; Arsuaga, J.-L.; de Filippo, C.; Nagel, S. et al. (2016). "Nuclear DNA sequences from the Middle Pleistocene Sima de los Huesos hominins". Nature 531: 504–507. DOI 10.1038/nature17405. Acessar
- Higham, T.; Douka, K.; Wood, R.; Bronk Ramsey, C. et al. (2014). "The timing and spatiotemporal patterning of Neanderthal disappearance". Nature 512: 306–309. DOI 10.1038/nature13621. Acessar
- Harvati, K.; Reyes-Centeno, H. (2022). "Evolution of Homo in the Middle and Late Pleistocene". Journal of Human Evolution 173: 103279. DOI 10.1016/j.jhevol.2022.103279. Acessar
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