Cerco e tomada de Lisboa (1147), contados por um cruzado anglo-normando
jun.–out. 1147 (Osbern: chegada diante de Lisboa em 30 jun.; decisão de entrar na cidade em 23 out.; Wikidata: 1 jul.–25 out.) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 1147, uma frota de cruzados anglo-normandos, flamengos e renanos juntou-se ao rei Afonso I de Portugal e cercou Lisboa por cerca de dezessete semanas, até a cidade ser entregue em outubro. O principal relato do cerco, o De expugnatione Lyxbonensi, é de um clérigo anglo-normando e traz os termos do acordo entre os cruzados e o rei, as disputas internas dos sitiantes e a saída da população muçulmana.
Leia sobre isto
Os cruzados e o rei de Portugal
Segundo a nota introdutória do Sourcebook, adaptada de Brundage, os primeiros grupos da Segunda Cruzada a partir eram marinheiros e tropas anglo-normandos e flamengos, que saíram de Dartmouth em 19 de maio de 1147 rumo à Península Ibérica; o rei Afonso I de Portugal já estava em campo quando chegaram, em junho. O relato diz que o desembarque diante de Lisboa ocorreu na véspera de São Pedro (30 de junho). Delegados escolhidos entre ingleses, normandos, renanos e flamengos negociaram com o rei, que, de acordo com o texto, tinha esperado oito dias por eles. (Osbernus [atribuição do Sourcebook] (1147/8). De expugnatione Lyxbonensi [A captura de Lisboa])
O acordo com Afonso I
O relato reproduz os termos que o rei teria jurado: os francos ficariam com os bens do inimigo e com o resgate dos prisioneiros que quisessem se resgatar, e entregariam os demais prisioneiros ao rei. Se tomassem a cidade, poderiam revistá-la e despojá-la antes de entregá-la; depois, ela e o território conquistado seriam divididos entre os francos "segundo as posições", com ao rei apenas o poder de advocatus. As naus e os bens dos cruzados ficavam isentos da taxa comercial chamada pedatica. Cada lado deu vinte reféns em garantia do acordo. (Osbernus [atribuição do Sourcebook] (1147/8). De expugnatione Lyxbonensi [A captura de Lisboa])
Dezessete semanas de cerco e a entrega
A cidade tinha subúrbios fortificados em terreno acidentado, com, segundo o autor, três portões por onde os sitiados faziam surtidas. Depois de quase dezessete semanas, em 23 de outubro os cruzados decidiram entrar à força; no dia seguinte, aceitaram os termos de entrega propostos pelos mouros, nome que o relato dá aos habitantes muçulmanos. Foram escolhidos 140 homens armados ingleses e normandos e 160 flamengos e renanos para tomar a cidadela e receber os bens e juramentos. O autor afirma que os de Colônia e Flandres entraram em número maior e saquearam. Segundo o texto, o povo expulso saiu por três portas de sábado a quarta-feira, numa multidão tão grande que, diz o autor, parecia ter ali gente de toda a Espanha. (Osbernus [atribuição do Sourcebook] (1147/8). De expugnatione Lyxbonensi [A captura de Lisboa])
O que o texto quer dizer, segundo Throop
De acordo com o resumo da comunicação de Susanna Throop, o De expugnatione Lyxbonensi foi escrito em 1147/8 por um testemunha ocular, clérigo e anglo-normando, que talvez tenha sido legado papal. Ela vê no texto não só uma promoção da cruzada, mas também um projeto de reforma dos ideais dos leigos, em casa e em campanha. Throop nota que as regras fixadas pelos cruzados dividem homens e mulheres e as várias nações, com representantes eleitos, e que o texto condena o descumprimento do pacto em Lisboa. Como o relato circulou pouco, o impacto no pensamento religioso do séc. XII provavelmente foi pequeno. (Medievalists.net (5 dez. 2011). "Christian Society on the Second Crusade: Religious Practices in the De expugnatione Lyxbonensi")
Fontes
- Osbernus [atribuição do Sourcebook] (1147/8). De expugnatione Lyxbonensi [A captura de Lisboa], trechos. Trad. James Brundage, The Crusades: A Documentary History (Milwaukee: Marquette University Press, 1962), pp. 97–104, a partir da ed. de W. Stubbs (Rolls Series, 1864). Internet Medieval Sourcebook (Fordham University), https://sourcebooks.web.fordham.edu/source/cap-lisbon.asp. Acessar
- Medievalists.net (5 dez. 2011). "Christian Society on the Second Crusade: Religious Practices in the De expugnatione Lyxbonensi", resumo da comunicação de Susanna A. Throop (Ursinus College) na Haskins Society Conference de 2011, Boston College. https://www.medievalists.net/2011/12/christian-society-on-the-second-crusade-religious-practices-in-the-de-expugnatione-lyxbonensi/. Acessar
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