Saída da África pelo sul (Bab el-Mandeb e costa da Arábia)
c. 130 mil a 60 mil anos atrás, conforme a versão do modelo (Armitage et al. 2011; Beyin 2011; Groucutt et al. 2015) · África Oriental, Península Arábica, Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Hipótese de que grupos de Homo sapiens deixaram o nordeste da África atravessando o estreito de Bab el-Mandeb em fases de mar baixo e seguiram pelo litoral do Iêmen e de Omã rumo ao Golfo e ao sul da Ásia. As versões divergem na data: uma entrada na Arábia no último interglacial ou uma expansão rápida há cerca de 75 mil a 60 mil anos.
A genética e a saída litorânea rápida
A defesa clássica da rota sul veio do DNA mitocondrial. Macaulay e colegas estudaram genomas mitocondriais completos de populações isoladas do Sudeste Asiático e concluíram que houve uma única saída da África, provavelmente pela costa, passando pela Índia até o Sudeste Asiático e a Australásia; um ramo inicial teria dado origem às populações do Oriente Próximo e da Europa, e o trecho da Índia à Austrália, por volta de 65 mil anos atrás, teria levado poucos milhares de anos. Beyin resume o raciocínio: a idade da linhagem L3, cerca de 85 mil anos, e a chegada dos seus descendentes ao sul da Ásia, cerca de 65 mil, sugeriram uma dispersão rápida pelo estreito e pelas costas da Arábia e da Índia, associada a adaptações a ambientes de costa e estuário. Nessa versão, a expansão do Saara na fase glacial MIS 4, entre 75 mil e 60 mil anos atrás, teria fechado o caminho do norte. (Macaulay et al. 2005; Beyin 2011)
Jebel Faya e a versão do último interglacial
Em 2011, Armitage e colegas publicaram ferramentas de pedra de Jebel Faya, nos Emirados Árabes Unidos, que indicam presença humana no leste da Arábia no último interglacial. O conjunto lembra, para eles, a Idade da Pedra Média tardia do nordeste da África, sem exigir inovação técnica para a travessia; o mar baixo e as chuvas mais fortes na passagem entre os estágios isotópicos 6 e 5 teriam aberto a península, e humanos modernos poderiam ter chegado ao sul da Ásia antes da erupção do Toba. Beyin situa essa travessia entre 150 mil e 130 mil anos atrás, mas lembra que o sítio não tem fósseis humanos, o que deixa em aberto quem fez as ferramentas. Groucutt e colegas incluem essa leitura entre os modelos de saída precoce, ao lado de outro que associa núcleos Levallois do tipo 'núbio' na Arábia a uma saída por volta de 106 mil anos atrás. (Armitage et al. 2011; Beyin 2011; Groucutt et al. 2015)
O estreito, o nível do mar e os babuínos
A travessia do Bab el-Mandeb dependeria do nível do mar. Beyin observa que não há sinal de interrupção prolongada da troca de água entre o mar Vermelho e o oceano Índico nos últimos 470 mil anos; assim, ou houve pontes de terra temporárias, ou os grupos cruzaram a água com objetos flutuantes ou a nado, algo difícil de provar pela arqueologia. Um indício indireto vem dos babuínos-hamadríades, que vivem só no leste da África e no oeste da Arábia: segundo o estudo genético citado por Beyin, eles entraram na península pelo estreito, e não pelo Sinai, em algum momento entre cerca de 220 mil e 86 mil anos atrás. Se os babuínos passaram, argumenta o autor, humanos também poderiam passar nas fases de mar baixo. (Beyin 2011)
Críticas à rota sul
As objeções vêm da arqueologia e da genética. Beyin registra a falta de semelhança técnica clara entre os conjuntos líticos do leste africano e os do oeste da Arábia, apesar da proximidade entre as duas costas, e estudos que propõem uma origem asiática para a linhagem mitocondrial M, com retorno à África pelo Sinai. Groucutt e colegas notam que levantamentos intensivos na costa do Dhofar, em Omã, não acharam arqueologia voltada ao mar no Pleistoceno Superior, e que os sítios do leste africano usados para sustentar uma dispersão costeira por volta de 55 mil anos ficam em média a 600 km do litoral; para eles, a costa foi um entre vários ambientes usados. Pagani e colegas, com genomas de egípcios e etíopes, concluíram que a saída principal foi pelo norte. (Beyin 2011; Groucutt et al. 2015; Pagani et al. 2015)
Fontes
- Beyin, A. (2011). "Upper Pleistocene Human Dispersals out of Africa: A Review of the Current State of the Debate". International Journal of Evolutionary Biology 2011: 1–17. DOI 10.4061/2011/615094. Acessar
- Armitage, S. J.; Jasim, S. A.; Marks, A. E.; Parker, A. G. et al. (2011). "The Southern Route 'Out of Africa': Evidence for an Early Expansion of Modern Humans into Arabia". Science 331(6016): 453–456. DOI 10.1126/science.1199113. Acessar
- Macaulay, V.; Hill, C.; Achilli, A.; Rengo, C. et al. (2005). "Single, Rapid Coastal Settlement of Asia Revealed by Analysis of Complete Mitochondrial Genomes". Science 308(5724): 1034–1036. DOI 10.1126/science.1109792. Acessar
- Groucutt, H. S.; Petraglia, M. D.; Bailey, G.; Scerri, E. M. L. et al. (2015). "Rethinking the dispersal of Homo sapiens out of Africa". Evolutionary Anthropology 24(4): 149–164. DOI 10.1002/evan.21455. Acessar
- Pagani, L.; Schiffels, S.; Gurdasani, D.; Danecek, P. et al. (2015). "Tracing the Route of Modern Humans out of Africa by Using 225 Human Genome Sequences from Ethiopians and Egyptians". The American Journal of Human Genetics 96(6): 986–991. DOI 10.1016/j.ajhg.2015.04.019. Acessar
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