Atlas da História

Início da cultura de La Tène (c. 450 a.C.): os túmulos principescos e o fim da hierarquia hereditária do sudoeste da Alemanha

c. 450 a.C. (limite convencional entre Hallstatt e La Tène, que Gretzinger et al. 2024 dão como 'depois de 450 a.C.'; Wikidata P580: 450 a.C.) · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Os arqueólogos situam por volta de 450 a.C. a passagem da cultura de Hallstatt à de La Tène, que dura até cerca de 50 a.C. Gretzinger e colegas (2024) sequenciaram 31 pessoas de sepulturas de elite do sudoeste da Alemanha, de 616 a 200 a.C., e mostram que os dois túmulos mais ricos, Hochdorf e Grafenbühl, guardam parentes próximos, o que sugere poder herdado. Segundo os autores, essas estruturas políticas se desfizeram nos séculos V e IV a.C. e foram abandonadas.

Os 31 indivíduos e os túmulos

A equipe analisou ossos e dentes de 31 pessoas de sete locais de Baden-Württemberg: os túmulos de Magdalenenberg (17), Hochdorf (4), Grafenbühl (3) e Römerhügel (3), uma sepultura principesca em Ditzingen-Schöckingen, o povoado de Heuneburg e o sítio ritual de Alte Burg. São 20 homens e 11 mulheres, com sepulturas centrais de homens em Magdalenenberg, Hochdorf e Grafenbühl e de uma mulher em Ditzingen-Schöckingen. A mais antiga é a central de Magdalenenberg, de 616 a.C. (Joscha Gretzinger et al. 2024)

Parentes entre os mais ricos

Os dois túmulos centrais de Hochdorf e Grafenbühl, dois dos mais ricos da Europa antiga, mostram parentesco de segundo grau e o mesmo haplótipo de DNA mitocondrial, o que indica ligação pela linha materna. O modelo dos autores aponta tio materno e sobrinho como o arranjo mais provável (86%), com o poder passando pela linha da irmã do tio, e o avô materno e neto como alternativa menos provável (6,6%). Os autores veem nisso concordância com relatos romanos posteriores sobre o avunculado entre os primeiros celtas, e dizem que o sistema pode valer só para o sul da Alemanha. (Joscha Gretzinger et al. 2024)

O fim das estruturas e o limite de 450 a.C.

O artigo define Hallstatt como 800 a 450 a.C. e La Tène como o período seguinte, até cerca de 50 a.C. Segundo os autores, as estruturas políticas complexas ligadas aos túmulos principescos se desintegraram nos séculos V e IV a.C. e acabaram abandonadas. Mais tarde, nas migrações dos séculos IV e III a.C., teriam chegado ao sul do mundo de La Tène também pessoas do norte da Europa central. Os autores dizem que a cultura e a população do sudoeste alemão tiveram descontinuidades marcadas nos séculos III a I a.C. (Joscha Gretzinger et al. 2024)

Fontes

  1. Joscha Gretzinger, Felicitas Schmitt, Angela Mötsch et al., 'Evidence for dynastic succession among early Celtic elites in Central Europe', Nature Human Behaviour 8(8) (2024): 1467-1480. DOI 10.1038/s41562-024-01888-7. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11343710/ (texto completo lido em XML do Europe PMC) Acessar
  2. Heródoto, Histórias, passagens dos livros 2 e 4 sobre o curso do Istro (Danúbio), tradução inglesa de A. D. Godley (Harvard University Press, Loeb), edição digital do Perseus, PerseusDL tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml, versão modernizada (lida em texto bruto).

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