Taça de Nestor de Pitecusa: a kotyle rodia da tumba 168, com três versos gravados em alfabeto euboico, entre as mais antigas inscrições alfabéticas gregas
2ª metade do séc. VIII a.C. (Valerio, Tardo-Geométrico II); a tumba 168 é datada pelo mesmo autor do fim do séc. VIII a.C. · Europa Mediterrânea
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A "taça de Nestor" é uma kotyle rodia de cerca de 10 cm de altura achada em 1954 na tumba 168 da necrópole de San Montano, em Pitecusa (Ísquia), com três versos gravados depois da queima, em alfabeto euboico e dialeto jônico. O primeiro verso diz que a taça é "de Nestor" e boa de beber; os outros dois, em hexâmetros, prometem o desejo de Afrodite a quem beber dela. Segundo Valerio, junto com a oinochoe do Dípilon ela disputa o título de testemunho mais antigo de escrita alfabética grega, e os estudiosos divergem sobre se o Nestor do verso é o rei de Pilos da Ilíada ou o dono real da taça.
O objeto e o achado
Segundo Valerio, a taça é uma kotyle rodia (altura 10,3 cm, diâmetro da boca 15,1 cm), do Tardo-Geométrico II, achada em cerca de 50 fragmentos em outubro de 1954, na terceira campanha de Giorgio Buchner na necrópole de Pitecusa, vale de San Montano (Lacco Ameno, Ísquia). Foi remontada duas vezes, uma em 1954 e outra em 1955, depois que a campanha de junho de 1955 trouxe novos fragmentos. Está no Museu Arqueológico de Pithecusae, na Villa Arbusto (inventário 166788). (Valerio)
A tumba 168
A taça fazia parte do enxoval da tumba 168, uma tumba sob túmulo com cremação de um menino de 12 a 14 anos. Segundo Valerio, o enxoval, queimado junto com os restos, é um dos mais ricos já achados em Pitecusa, com 27 peças de cerâmica, e o único com crateras (quatro, duas eubeias e duas locais). A cremação de um adolescente também é incomum, porque nas outras tumbas da necrópole os adolescentes eram inumados. (Valerio)
Escrita e texto
A inscrição foi gravada depois da queima, em três linhas que seguem as linhas da decoração pintada, no sentido retrógrado (da direita para a esquerda), em alfabeto euboico e dialeto jônico. Valerio destaca os sigmas de três traços sempre voltados para a direita, o lambda duplicado no verso 3 e os dois pontos usados como sinal de pontuação. A primeira linha é um trimetro iâmbico, uma fórmula de posse ("Sou de Nestor") ampliada por um adjetivo que elogia a taça; as outras duas são hexâmetros dactílicos que ligam o vinho ao desejo, o que Valerio chama de a mais antiga declinação de um tema constitutivo da poesia simposial grega. (Valerio)
Dois Nestores
Valerio resume o debate sobre a identidade do Nestor do verso 1: de um lado, a hipótese, que teve "larguíssimo consenso" desde a primeira edição, de que ele é o rei de Pilos, dono de uma taça na Ilíada (11.632-637); de outro, os estudiosos que o descartam e veem apenas um dono real da taça. Ele acrescenta que o autor dos versos tem plena familiaridade com a dicção épica, o que não depende da ligação com o rei mítico. Cardin, por sua vez, registra que a taça e a oinochoe do Dípilon disputam o primado entre as inscrições alfabéticas gregas. (Valerio; Cardin)
Fontes
- Valerio, Francesco. "Coppa di Nestore". Axon [online], vol. 1, n. 1, jun. 2017, pp. 11-18. Università Ca' Foscari Venezia. DOI 10.14277/2532-6848/Axon-1-1-17-1. https://edizionicafoscari.unive.it/media/pdf/article/axon/2017/1/art-10.14277-2532-6848-Axon-1-1-17-1_cVVTB1Q.pdf, consultado em 29/10/2026 Acessar
- Cardin, Marta. "Oinochoe del Dipylon". Axon [online], vol. 1, n. 1, jun. 2017, pp. 19-30. Università Ca' Foscari Venezia. DOI 10.14277/2532-6848/Axon-1-1-17-2. https://edizionicafoscari.unive.it/media/pdf/article/axon/2017/1/art-10.14277-2532-6848-Axon-1-1-17-2_ojvVQUD.pdf, consultado em 29/10/2026 Acessar
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