Atlas da História

Entrada dos lombardos na Itália (568 ou 569): a saída da Panônia, o Friuli e a lenda do convite de Narses

568 ou 569 (Paulo Diácono: saída da Panônia em abril de 568, depois da Páscoa; Secundo de Trento, via nota de Foulke: entrada em maio de 569) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Segundo Paulo Diácono, em abril de 568 o rei Alboíno deixou a Panônia com os lombardos, com mulheres, crianças e bens, e entrou na Itália pelo leste, onde fez de Forum Iulii (Cividale) a sede de um ducado entregue a seu sobrinho Gisulfo. Segundo o relato lombardo, a vinda teria sido atiçada por Narses, mas o tradutor Foulke, citando Hodgkin, duvida desse convite, e a própria data, 568 ou 569, é disputada nas fontes.

Da Panônia ao Friuli, segundo Paulo Diácono

Alboíno pediu ajuda a seus antigos amigos saxões, e vieram mais de 20.000 homens com mulheres e filhos, diz Paulo; os reis francos Clotário e Sigisberto puseram os suevos e outros povos nos lugares de onde eles saíram. Alboíno deixou a Panônia aos "hunos", isto é, aos ávaros (nota de Foulke), com a condição de que os lombardos pudessem voltar. Chegando ao limite da Itália, subiu ao monte de onde via parte do país; entrou na Venécia sem resistência e pensou a quem confiar a primeira província. Escolheu o sobrinho Gisulfo, seu chefe da cavalaria, que recebeu as "faras" e éguas de boa linhagem. Em nota, Foulke acrescenta que o grupo incluía, segundo Hartmann, eslavos do leste e saxões, entre outros. (Paulo Diácono (nascido no Friuli entre 720 e 730)

A cronologia em disputa: 568 ou 569

Paulo dá abril de 568, no primeiro ano da indicção. Foulke explica, em nota, que essa é a data de saída da Panônia, não da entrada na Itália, e resume o debate: o Édito de Rotário (novembro de 643) diz que foi publicado no 76º ano depois da chegada dos lombardos, o que aponta para antes de novembro de 568; Secundo de Trento, em 580, dá doze anos desde a entrada em maio da segunda indicção, ou seja, 569; Mário de Avenches registra 569 (Muratori vê nisso erro de copista); os Anais de Ravena põem a invasão da Venécia na segunda indicção; as cartas de Gregório I contam 27 e 35 anos em 595 e 603. Cipolla e Roviglio defendem 569, Crivellucci e Hodgkin 568. Para Foulke, as autoridades estão quase igualmente divididas. (Paulo Diácono (nascido no Friuli entre 720 e 730)

A peste na Ligúria e os sinais, antes da invasão

No capítulo 4, Paulo descreve uma peste muito grande, sobretudo na Ligúria, no tempo de Narses: marcas nas casas e nas roupas e, depois de um ano, inchaços nas virilhas com febre que matava ao terceiro dia. Diz que os vivos fugiam e deixavam os mortos sem enterro, que as casas ficaram desertas e o campo em silêncio, e que o mal atingiu "só os romanos e só dentro da Itália, até as fronteiras dos alamanos e dos bávaros". Não dá número de mortos. No capítulo 5 acrescenta que, na Itália, viam-se à noite "espadas de fogo" no céu, sinais do sangue que viria depois. Paulo situa a peste no tempo de Narses, logo antes de contar a morte de Justiniano, e não a liga à invasão. (Paulo Diácono (nascido no Friuli entre 720 e 730)

Friuli, os grandes ducados e a vizinhança eslava e ávara

Foulke anota que o ducado de Friuli ia dos Alpes Cárnicos aos Alpes Júlios, com os bávaros a noroeste, os "eslavônios" a nordeste e, atrás deles, os ávaros asiáticos, e que Cividade foi feita capital no lugar de Aquileia. Foi o primeiro de quatro grandes ducados do período lombardo (Friuli, Trento, Espoleto e Benevento), dos quais os dois últimos eram em boa parte independentes do rei. Paulo também diz que, nesses dias, o patriarca de Aquileia fugiu para Grado, que Foulke descreve como ilha inacessível aos lombardos, que não tinham barcos. (Paulo Diácono (nascido no Friuli entre 720 e 730)

Fontes

  1. Paulo Diácono (nascido no Friuli entre 720 e 730, segundo o tradutor). História dos Lombardos (Historia Langobardorum), livro II, caps. 4 a 12, com as notas do tradutor. Tradução inglesa de William Dudley Foulke (Filadélfia: Departamento de História da Universidade da Pensilvânia, 1907; Longmans, Green & Co.), em digitalização da Cornell University Library no Internet Archive: https://www.archive.org/download/cu31924027767593/cu31924027767593.pdf. Texto bruto lido em 29/10/2026 (OCR com ruídos). Acessar

Na mesma região