Manco Cápac e sua mulher saem do lago Titicaca
escrito por Garcilaso, nascido em Cusco, depois da conquista; data da edição a conferir (Garcilaso, Comentarios Reales) · Andes
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
No relato do Inca registrado por Garcilaso, o Sol enviou ao lago Titicaca um filho e uma filha, Manco Cápac e sua mulher, com uma vara de ouro para achar onde se fixar, e eles fundaram Cusco. A arqueologia mostra estilo inca no Titicaca no século XIV, e outras tradições dão Pacaritambo como origem.
Quem narra e como o texto chegou até nós
Garcilaso apresenta o relato como o que seu tio inca lhe contou em Cusco, quando ele, ainda jovem, perguntou sobre a origem de sua linhagem, como o rei começou a reinar e com que gente e armas conquistou o império. O Inca responde que antes dos incas o povo vivia sem religião, sem povoados e sem cultivo (imagem que serve à ideia de missão civilizadora dos incas), e que o Sol, tendo compaixão, mandou seus dois filhos. É a voz da elite cusquenha, vertida ao espanhol e escrita por um autor que viveu entre dois mundos, e deve ser lida com isso em mente. (Garcilaso de la Vega)
O templo de Titicaca e as duas versões
Em outro capítulo, Garcilaso descreve o templo do Sol na ilha de Titicaca, 'serra de chumbo' em sua etimologia, e diz que os incas contavam duas versões. Uma dizia que, após o dilúvio, os raios do Sol foram vistos primeiro naquela ilha. A outra contava que o Sol pôs ali seus dois filhos. Garcilaso relata ainda que, segundo esse mesmo comentário, Manco Cápac, vendo que os povos indígenas consideravam o lago e a ilha sagrados, teria composto a segunda versão em seu favor, e que os amautas as uniram. (Garcilaso de la Vega)
A arqueologia do Titicaca e de Tiwanaku
Pärssinen e Korpisaari revisam cerâmica, estilos de arquitetura, iconografia, radiocarbono e fontes históricas, e relatam escavações em Pariti e Tiquischullpa, na Bolívia. Concluem que cerâmica e arquitetura de estilo inca já existiam no Titicaca no século XIV, antes da cronologia tradicional de Rowe, que põe a expansão ao sul depois de 1471, e que houve contatos intensos entre o sul do Titicaca e o vale de Cusco pelo menos um século antes da conquista inca da região. Eles dizem não concordar necessariamente com todas as teses que citam. (Pärssinen e Korpisaari 2023)
Outras origens e debates sobre o lago
Segundo Pärssinen e Korpisaari, algumas fontes dão Pacaritambo como origem dos incas, outras Tiwanaku ou uma ilha do lago, e os próprios incas procuraram combinar o relato de Tambotoco, em Pacaritambo, com os de Tiwanaku, como mostra Guaman Poma citado pelos autores. O linguista Cerrón-Palomino propõe que a dinastia inca foi fundada por falantes de puquina vindos da região do Titicaca, e McEwan sugere uma linhagem de elite de Tiwanaku em Chokepukio. São leituras em debate, e os autores não as adotam sem ressalva. (Pärssinen e Korpisaari 2023)
Fontes
- Garcilaso de la Vega, Inca. Comentarios Reales de los Incas, primeira parte, livro I, relato do Inca sobre Manco Cápac e capítulo sobre o templo de Titicaca. Edição digitalizada em archive.org, identificador IncaGarcilasoDeLaVegaComentariosReales1 (ano da edição a conferir).
- Pärssinen, M.; Korpisaari, A. (2023). "Ideological and Cultural Continuities between the Ancient Tiwanaku and the Inca Empire". Estudios Latinoamericanos 43: 165–199. http://hdl.handle.net/10138/589937 (repositório Helda, Universidade de Helsinque). Acessar
Na mesma região
- Tawantinsuyu (Império Inca) 1438–1533 (Wikidata; data alternativa de fim: 1572)
- Rebelião de Túpac Amaru II 4 nov. 1780 a 15 mar. 1783
- Batalha de Ayacucho 9 dez. 1824
- Revolução Nacional Boliviana 11 abr. 1952 a 1964
- Cultura Moche c. 100–700 d.C. (o fim varia por região; Kaulicke 1993)
- Chavín de Huántar (Peru): rapé de vilca e tabaco inalado por tubos de osso na Galeria 3, em depósitos de c. 800–350 a.C. c. 800–350 a.C. (faixa dos depósitos de uso da Galeria 3, segundo modelo bayesiano de Rick et al. 2025); a galeria foi selada por volta de 500 a.C. e escavada em 2017–2018