Revolução Nacional Boliviana
11 abr. 1952 a 1964 · Andes
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Revolução iniciada em 11 de abril de 1952, que levou o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) a governar a Bolívia até 1964 e abriu caminho para o fim do voto censitário e alfabetizado, em vigor desde a Constituição de 1839; segundo Irurozqui (1996), o voto universal é praticado desde 1956 e entra na Constituição em 1961. Sua reforma agrária, para Soliz (2021) talvez a política mais importante do período, foi disputada por camponeses, comunidades indígenas que pediam a restituição de terras e proprietários.
Um voto de letrados, de 1839 a 1952
Marta Irurozqui (1996) lembra que, de 1839 à Revolução de 1952, o sufrágio boliviano foi direto, masculino, censitário e alfabeto. Já a Constituição bolivariana de 1826 só reconhecia como cidadãos quem sabia ler e escrever e tinha emprego ou ofício, sem estar subordinado a outro como doméstico. Segundo a autora, diferentemente do Chile, do Peru e do Equador, a Bolívia não teve uma reforma eleitoral que marcasse ruptura na participação. Uma nota do mesmo artigo ressalva que o voto universal passou a ser praticado em 1956 e que o primeiro texto constitucional a prevê é o de 1961. Essa cronologia difere do resumo do registro, que associa o fim do sufrágio restrito a 1952 e ao início da revolução. (Irurozqui 1996)
Pedir escolas para ser cidadão
O argumento central de Irurozqui (1996) é que artesãos mestiços e camponeses indígenas não exigiram a ampliação do voto: buscaram provar que reuniam as qualidades que o sistema pedia, sobretudo instrução, e exploraram a ambiguidade das leis eleitorais. Os artesãos urbanos resumiam suas demandas em pão, instrução e moralidade e se apoiavam em avalistas de prestígio para serem aceitos como eleitores. Os indígenas pediam escolas porque viam na cidadania um meio de recuperar as terras comunitárias confiscadas desde 1866. A autora acrescenta que, depois da Guerra do Chaco, o apoio estatal aos sindicatos operários e camponeses ajudou a desarticular o movimento indígena, o que se agravou após 1952. Para ela, a democratização boliviana não resultou da revolução de 1952. (Irurozqui 1996)
Quem deve ficar com a terra
A reforma agrária é o eixo do livro de Carmen Soliz (2021), conhecido aqui pela descrição da editora, e não pelo texto. A obra apresenta o caso boliviano como a segunda maior redistribuição de terras camponesas da América Latina e, para a autora, talvez a política mais importante da revolução. Soliz descreve leituras em disputa: camponeses que defendiam que a terra pertence a quem a trabalha, comunidades indígenas que exigiam restituição aos primeiros donos e proprietários que a queriam para quem a melhora. A descrição diz que o livro combina a política do governo com as lutas cotidianas de atores locais. O conflito tinha raízes antigas: Irurozqui (1996) registra que, na Convenção Nacional de 1880, já se discutia se o comunário indígena deveria virar colono de fazenda ou pequeno proprietário. (Soliz 2021; Irurozqui 1996)
Da Guerra do Chaco à crise econômica
Estelí Puente Beccar (2022), apoiada em Zavaleta Mercado, vê na Guerra do Chaco (1932 a 1935) um efeito nacionalizador: pela primeira vez gente de todas as regiões se reconheceu parte de uma só nação, e os partidos tradicionais entraram em crise, abrindo espaço a partidos populistas como o MNR. Os combates de abril de 1952 duraram três dias nas maiores cidades, opondo o exército a operários, militantes do MNR e policiais, e levaram o partido ao poder sob Víctor Paz Estenssoro, cuja linha, segundo a autora, não era socialista. A economia entrou em colapso: a inflação subiu 1.400% entre 1952 e 1956, e a crise empurrou o governo a aceitar ajuda dos Estados Unidos, que passaram a pesar também na política boliviana. (Puente Beccar 2022)
Leis para as mulheres, silêncio nos retratos
Para Puente Beccar (2022), as mulheres foram parte ativa da revolução, em sindicatos e nas Barzolas, organização partidária de 1947 ligada ao MNR que ajudou na logística da insurreição e depois no controle do abastecimento, mas ficou sem acesso a cargos de liderança; Lydia Gueiler Tejada foi uma das exceções. Entre 1952 e 1964 houve avanços legais, como a possibilidade de exercer funções judiciais (1954), subsídios de maternidade e a reforma educativa de 1955. A autora afirma que muitos benefícios excluíram camponesas e trabalhadoras domésticas e que a reforma agrária entregou os títulos aos homens, chefes de família, salvo viúvas. Em sua leitura, o Álbum da Revolução, de 1954, apresentou as mulheres só como viúvas e mães, apagando sua presença pública. (Puente Beccar 2022)
Fontes
- Soliz, C. (2021). Fields of Revolution: Agrarian Reform and Rural State Formation in Bolivia, 1935-1964. University of Pittsburgh Press. DOI 10.2307/j.ctv1kwxfwm; ISBN 9780822946656. Acessar
- Irurozqui, M. (1996). "Ebrios, vagos y analfabetos. El sufragio restringido en Bolivia, 1826-1952". Revista de Indias 56(208): 697–742. DOI 10.3989/revindias.1996.i208.804. Acessar
- Puente Beccar, E. (2022). "Bolivian National Revolution: Bolivian Women Without Revolution". Bolivian Studies Journal 28: 89–109. DOI 10.5195/bsj.2022.208. Acessar
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- Chavín de Huántar (Peru): rapé de vilca e tabaco inalado por tubos de osso na Galeria 3, em depósitos de c. 800–350 a.C. c. 800–350 a.C. (faixa dos depósitos de uso da Galeria 3, segundo modelo bayesiano de Rick et al. 2025); a galeria foi selada por volta de 500 a.C. e escavada em 2017–2018